ESPANCADA INTIMIDADA ESTOU QUEBRADA

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Capítulo dois, não pode piorar

POV da Gemma

Corri o caminho inteiro até em casa.

Meus pulmões ardiam, minhas costelas gritavam a cada respiração, e minhas pernas ameaçavam falhar debaixo de mim, mas eu não parei.

Eu não podia parar.

Não quando a imagem do Alfa Asher me carregando continuava se repetindo na minha cabeça.

Não fazia sentido.

Nada daquilo fazia.

Por que ele tinha me ajudado?

Por que ele tinha me olhado daquele jeito?

E por que, pela primeira vez na minha vida, eu tinha me sentido segura nos braços de alguém?

Aquela sensação me apavorava mais do que o Richard jamais conseguiria.

Os irmãos Alfas me odiavam.

Todo mundo odiava.

Eles me zoaram por anos, riram enquanto os outros me machucavam e me trataram como sujeira debaixo do sapato. Então por que o Asher, de repente, tinha se importado?

Talvez ele tivesse pena de mim.

Só de pensar nisso, eu me sentia enjoada.

Apertei os braços em volta do meu próprio corpo quando diminui perto da casa. Os grandes portões de ferro da casa da alcateia Lua de Sangue se erguiam à minha frente como a entrada do próprio inferno.

O medo pesou no meu estômago.

A Khloe sabia que eu tinha saído da escola.

A mensagem que tinha queimado na minha pele tinha deixado isso bem claro.

VOLTE PARA CASA AGORA

Só de pensar, meus braços voltaram a arder.

Empurrei o portão devagar e caminhei até a porta da frente, rezando — só uma vez — para que talvez ainda não estivessem em casa.

Mas sorte nunca esteve do meu lado.

A porta da frente se abriu antes que eu pudesse encostar nela.

Khloe estava ali, me esperando.

Os olhos escuros dela estavam cheios de fúria.

— Bom — ela disse, fria. — Olha só quem finalmente decidiu voltar pra casa.

Eu congelei.

O ar ao redor dela parecia errado, pesado com a magia sombria que ela sempre carregava.

— Desculpa — eu sussurrei no automático.

Ela se moveu tão rápido que eu mal vi.

A mão dela estalou no meu rosto, virando minha cabeça pro lado.

A dor explodiu na minha mandíbula.

— Desculpa? — ela cuspiu. — Seu professor me liga dizendo que você matou aula, e você acha que desculpa resolve isso?

— Eu não quis—

Outro tapa.

Dessa vez, mais forte.

— Você me fez passar vergonha — Khloe sibilou. — Você tem ideia do que eu tive que largar no trabalho? Ou você é burra demais pra pensar em alguém além de você mesma?

As lágrimas embaçaram minha visão, mas eu me forcei a não chorar.

Chorar só piorava as coisas com ela.

— Eu te fiz uma pergunta! — ela gritou.

— E-eu... desculpa — eu engasguei de novo.

O lábio dela se contorceu, enojada.

Então os olhos dela se estreitaram.

— Que cheiro é esse?

Meu estômago despencou.

Ela deu um passo mais perto de repente, segurando meu queixo com força, dolorosamente, enquanto farejava o ar ao meu redor.

— Lobo — ela rosnou.

O medo atravessou meu corpo.

— Você esteve perto dos herdeiros Alfas.

— Não foi culpa minha—

O punho dela acertou minha boca antes que eu terminasse.

Eu caí com força contra a parede, sentindo o gosto de sangue na hora quando meu lábio cortado abriu de novo.

Khloe parecia furiosa agora.

— Não é à toa que você demorou tanto pra chegar em casa — ela zombou. — Tentando se jogar pros Alfas, foi? Patética.

— Isso não é verdade!

As palavras escaparam antes que eu conseguisse segurar.

Por um segundo, o silêncio tomou o corredor.

Então alguma coisa dentro da Khloe pareceu estalar.

— Você tem coragem de levantar a voz pra mim?

Ela agarrou meu cabelo e me puxou na direção da porta do porão.

Eu gritei quando a dor rasgou meu couro cabeludo, meu corpo machucado mal conseguindo acompanhar enquanto ela me arrastava pelo chão.

— Por favor! — eu chorei. — Por favor, para! Desculpa!

Khloe me ignorou.

Ela escancarou a porta do porão e me jogou escada abaixo.

Meu corpo bateu violentamente nos degraus de concreto antes de despencar e cair no chão lá embaixo.

A dor explodiu no meu lado.

Por vários segundos, eu não consegui respirar.

Eu me encolhi, arfando desesperadamente enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto.

Lá em cima, Khloe me encarava com ódio puro nos olhos.

— Você devia ter morrido junto com o resto da sua família — ela disse, fria.

Então ela bateu a porta do porão com força.

A escuridão me engoliu por completo.

Eu não sei quanto tempo fiquei jogada ali.

Minutos.

Horas.

Talvez os dois.

Quando finalmente consegui forçar os olhos a se abrirem, meu corpo inteiro estava dormente.

O sangue manchava o concreto debaixo de mim.

Meu nariz latejava de dor, e minha costela queimava toda vez que eu tentava me mexer.

Tremendo, me arrastei até o meu colchão.

Cada movimento doía.

Desabei sobre o tecido fino com um gemido quebrado e me encolhi, abraçando o próprio corpo.

Por que eu ainda estava viva?

Qual era o sentido, afinal?

Ninguém me queria.

Ninguém se importava.

Nem a minha própria família.

Richard sempre dizia que eles queriam que eu morresse — que eu era amaldiçoada desde o nascimento.

Talvez ele tivesse razão.

Talvez eu estragasse tudo o que tocava.

O som de um carro entrando na garagem quebrou o silêncio lá em cima.

Meu corpo ficou tenso na hora.

Richard tinha chegado.

O medo se espalhou por mim como veneno.

Alguns segundos depois, vozes ecoaram pela casa.

“Você precisa dar um jeito na sua sobrinha”, Khloe disparou.

Richard soltou um suspiro pesado. “O que aconteceu agora?”

“Ela matou aula, ignorou o meu aviso e voltou pra casa com cheiro dos herdeiros do Alfa.”

Silêncio.

Um silêncio perigoso.

Aí vieram os passos.

Passos pesados.

Descendo na direção do porão.

Meu coração parou.

A porta do porão rangeu, abrindo devagar.

Richard apareceu no alto da escada, com uma expressão indecifrável.

Mas os olhos dele?

Eram gelo.

“Bom”, ele disse, baixo, “parece que você finalmente virou um problema de verdade.”

Eu me arrastei para trás no colchão imediatamente.

“Desculpa”, eu sussurrei.

Ele desceu a escada devagar.

Cada degrau fazia meu pânico piorar.

“Você envergonhou a Khloe”, ele continuou. “Você envolveu os herdeiros do Alfa. E agora ela está ameaçando ir embora por sua causa.”

Ele parou bem na minha frente.

“Você estraga tudo.”

Então ele me deu um soco direto no rosto.

A dor explodiu no meu nariz já quebrado.

Eu gritei.

Richard agarrou minha garganta antes que eu conseguisse me afastar e me forçou a sentar na cadeira de madeira no meio do porão.

Meus olhos se arregalaram de horror.

Não a cadeira.

Por favor, não a cadeira.

Ele puxou meus braços para trás e prendeu algemas nos meus pulsos com um estalo.

O metal frio mordeu minha pele, dolorido.

“Você vai ficar aqui hoje à noite”, ele disse, calmo.

Aquilo me aterrorizou mais do que qualquer grito.

“Eu vou te ensinar exatamente o que acontece quando você me desobedece.”

Ele enfiou a mão no bolso.

No segundo em que eu vi a faca, meu sangue virou gelo.

“Não…”, eu sussurrei.

Richard se agachou na minha frente.

“Fica longe dos irmãos Alfa”, ele avisou, suave. “Eu sinto o cheiro deles em você.”

“Eu não estava fazendo nada—”

A faca cortou meu ombro antes que eu conseguisse terminar.

Eu gritei quando uma dor ardente rasgou através de mim.

O sangue escorreu pelo meu braço.

Richard se inclinou mais, o rosto a centímetros do meu.

“Você pertence a este lugar”, ele sussurrou. “E, se algum dia você esquecer isso, eu vou te fazer lembrar.”

Mais um corte.

Mais um grito.

Em algum momento, a dor ficou insuportável.

Tudo se embaralhou até que eu só consegui ficar ali, tremendo, enquanto o sangue encharcava minha camisa destruída.

Por fim, Richard recuou.

“Você vai passar a noite inteira nessa cadeira”, ele disse. “E amanhã, vai pedir desculpas pra Khloe do jeito certo.”

Ele segurou meu queixo com força suficiente para deixar roxo.

“E se eu descobrir que você chegou perto dos Alfas de novo…”

A mão dele apertou mais.

“Eu vou fazer você desejar estar morta.”

Então ele subiu, me deixando sozinha no escuro.

A porta do porão bateu com força atrás dele.

O silêncio tomou conta do cômodo outra vez.

Apoiei a cabeça, fraca, no encosto da cadeira, com o cansaço me puxando para baixo.

Mas, por mais que eu tentasse não pensar neles…

Eu continuava vendo o Asher.

O jeito como ele me carregou.

O jeito como ele olhou para as minhas cicatrizes.

O jeito como a voz dele soou quando disse que eles não iam me machucar.

Não fazia sentido.

Eu odiava ele.

Não odiava?

Então por que, sentada sozinha no escuro e coberta de sangue, ele era a única coisa que me fazia sentir segura?

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