Capítulo 2
A foto na tela era escancarada.
Era uma selfie tirada dentro de uma cabine de roda-gigante num ponto turístico famoso de Nova York. Ao fundo, o skyline de Manhattan brilhava, deslumbrante, à noite. Chloe, de olhos fechados, se esticava na ponta dos pés para beijar o perfil de um homem.
O que mais chamava atenção era a mão dele apoiada no vidro, bem na borda da foto. Longa, fina, com os nós dos dedos bem marcados; o anelar estava vazio. Eu dei zoom e reconheci as abotoaduras de prata — as mesmas que eu tinha encomendado com um artesão do Brooklyn para o nosso aniversário de casamento no ano passado. Mas a aliança que deveria estar naquela mão tinha sumido.
— Mãe? — Leo puxou a minha manga. — Posso fazer um pedido?
Eu desliguei a tela, respirei fundo e me agachei.
— Claro. Eu desejo felicidade eterna ao nosso melhor ator mirim. Faça o seu pedido.
Leo fechou os olhos e disse, com toda a seriedade:
— Meu primeiro pedido é que a mamãe seja sempre feliz e nunca mais chore escondido.
Meu coração, na mesma hora, derreteu num poço de amargura. Por mais que Richard me machucasse, pelo menos eu ainda tinha o Leo.
— Meu segundo pedido é que a mamãe seja sempre saudável e bonita — ele abriu aqueles olhos límpidos. — Meu terceiro pedido é que, da próxima vez que eu for o protagonista, todo mundo venha ver a minha apresentação!
Ele não pediu para o papai voltar pra casa. Uma criança de seis anos já aprendeu a não desejar aquilo que está destinado a ser inalcançável.
— A mamãe vai estar sempre com você — eu o abracei com força, repetindo em silêncio, dentro do peito: Em breve, nós vamos ficar livres.
Depois que Leo adormeceu, comecei a arrumar as malas. Eu não queria nenhum bem, só a guarda total do Leo.
À uma da manhã, ouvi o som de uma chave girando na fechadura da porta de entrada.
Richard empurrou a porta, com o paletó do terno jogado sobre o braço e a gravata frouxa, desfeita. Ao ver os cupcakes de comemoração e os certificados do prêmio do Leo ainda em cima da mesa de centro, ele hesitou por um instante.
— Me desculpa — disse, baixo.
Eu não o questionei sobre a roda-gigante, nem tive um ataque; apenas, com calma, empurrei os papéis do divórcio para a frente dele.
— Assina.
— O quê? — ele falou, atônito. Assim que franziu a testa, prestes a ler o que estava no papel, o celular dele tocou de repente na sala mortalmente silenciosa.
O nome de Chloe piscou na tela.
A ligação foi atendida, e eu ouvi claramente a voz chorosa da garota pedindo ajuda: o ralo do apartamento dela tinha estragado, e o chão estava alagado. A expressão de Richard mudou na hora, de irritação para ansiedade:
— Não entra em pânico. Sobe pra um lugar mais alto, eu tô indo agora.
Ele nem sequer olhou as cláusulas do acordo. Pegou a caneta que eu estendi, rabiscou a assinatura às pressas na última página e saiu a passos largos do apartamento.
A porta bateu na minha cara. Eu olhei para aquela assinatura torta e, de repente, sorri — mas as lágrimas caíram sobre a mesa.
Tinha acabado, enfim.
