Capítulo 1
"Claire, você tem certeza mesmo?" O sr. Davis ajeitou os óculos, com um tom de surpresa. "A empresa te valoriza muito; na última reunião da alta gestão, até deram a entender que vem uma promoção no próximo trimestre."
Eu suspirei, com um arrependimento de verdade.
Mas ainda assim eu disse, com sinceridade, que o foco do trabalho do meu marido tinha mudado completamente para Chicago, e eu não queria uma separação por tanto tempo, porque isso não faria bem ao desenvolvimento do nosso filho. "Você sabe como um ambiente familiar estável e amoroso é importante para a saúde mental e física de uma criança."
O sr. Davis assentiu, um traço de compaixão passando pelos olhos. "De fato. Então, eu desejo tudo de bom para vocês em Chicago."
Ao sair do RH, olhei sem querer na direção do setor de marketing.
Atrás da porta de vidro da copa, Richard servia café. O terno cinza-escuro, feito sob medida, delineava perfeitamente a silhueta alta dele, e as abotoaduras prateadas brilhavam frias sob a luz. Ele continuava perfeito como uma obra de arte.
Embora, no papel, essa obra de arte fosse meu parceiro mais próximo.
E, ainda assim, ele também era a pessoa que mais me odiava no mundo.
Eu estava prestes a entrar e perguntar se ele tinha tempo hoje à tarde para assistir à apresentação da escola do nosso filho, o Leo. Eu não esperava que ele ficasse envolvido o tempo todo, mas o Leo tinha ensaiado para aquilo durante um mês inteiro, aguardando ansiosamente a presença dele todos os dias.
No instante em que nossos olhares se cruzaram, o olhar dele gelou na hora, e ele franziu levemente a testa, claramente incomodado com a minha presença no espaço de trabalho dele.
Ele pegou o café e ia se virar quando, quase ao mesmo tempo, a jovem assistente dele, Chloe, entrou sorrindo, com os dedos puxando de leve a barra do paletó dele: "Richard, tem umas partes desta proposta que eu não entendi direito..."
"Uhum, passa na minha sala daqui a pouco." A voz dele suavizou na hora, e ele ainda se inclinou um pouco para ouvir melhor.
Aquela paciência e aquela gentileza me entalaram na garganta.
Eu parei, observando os dois se afastarem. Meu celular vibrou de repente; era um áudio do Leo.
"Mãe, o papai vem hoje? Eu vou fazer o Peter Pan hoje, e eu quero muito que ele me veja voando!"
Minha visão embaçou por um segundo. Pelo vidro do corredor, Richard ajeitava com delicadeza o cabelo da Chloe, bagunçado pelo ar-condicionado. Mesmo já tendo imaginado o desfecho, eu ainda mandei uma mensagem:
"Tem uma apresentação na escola hoje à tarde, e o Leo é o protagonista. Você consegue ir assistir?"
Não veio resposta por um bom tempo.
Eu fechei os olhos. Eu devia ter sabido. Ele não me ama, então como poderia sentir alguma coisa pelo nosso filho?
Mas logo, logo, todo mundo vai ficar aliviado.
No auditório da escola, Leo, usando uma capa linda, ficou na ponta dos pés, espiando por trás da cortina de veludo em direção à plateia.
"Mãe, o papai tá aí?"
Eu me abaixei para ajeitar a gravata dele, tentando deixar minha voz leve e natural: "O papai teve uma reunião de diretoria de emergência, mas ele pediu pra mamãe gravar tudo. Ele vai assistir com certeza hoje à noite."
O brilho nos olhos do Leo apagou, mas só por um instante. No segundo seguinte, ele abriu um sorriso enorme: "Tudo bem! A mamãe já é suficiente aqui!"
Meu filho de seis anos já tinha aprendido a ler a expressão das pessoas, e até a me consolar fingindo estar feliz.
Eu o abracei bem forte. Desculpa, a culpa é minha.
A apresentação foi um grande sucesso, e o Leo brilhou no palco. Depois, ele recebeu da professora de teatro um prêmio de "Melhor Atorzinho do Ano" — uma almofada massageadora portátil para o pescoço. Ele, todo empolgado, abraçou a caixa e correu para os meus braços: "Mãe! Isso é perfeito pro papai! Ele sempre reclama que fica com dor no pescoço quando fica olhando relatório no computador!"
Meu coração apertou. Não era à toa que ele ficou tão feliz com um prêmio tão inofensivo; a cabeça dele estava cheia do pai.
De volta em casa, eu preparei uma pizza e cupcakes para comemorar com o Leo. Ele nem tirou a fantasia — ainda com a coroa de papel — e ficou sentado desenhando na mesinha de centro. As mãozinhas seguravam a almofada massageadora com força, e de vez em quando ele levantava o olhar para a porta de entrada.
Sete da noite. Nove da noite.
Ainda nenhum sinal do Richard, e a minha mensagem continuava sem resposta.
"Mãe..." a voz do Leo saiu baixinha. "O papai vai perder minha comemoração de novo?"
Ele estava claramente prestes a chorar, mas fazia de tudo para segurar.
Eu baguncei o cabelo loirinho dele. "Bom menino, o papai só tá muito ocupado."
"Tá tudo bem!" O Leo riu de repente, com os olhos vermelhos. "A mamãe tá comigo! Vamos comer bolo juntos!"
Bem na hora em que eu acendi a velinha do desejo no cupcake dele, a tela do meu celular acendeu — uma notificação do Instagram. A Chloe tinha postado um story.
