Ela Não É Selene: A Herdeira Retorna

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Capítulo 3

William estava parado na porta, absorvendo a cena: eu, toda encolhida no tapete; Aurora, erguendo o tablet bem alto; e, ao redor, os rostos retorcidos e excitados da multidão.

"O que está acontecendo aqui? Que vídeo é esse?" Ele franziu a testa profundamente, os olhos percorrendo o cômodo.

Um amigo de William se intrometeu, a voz tremendo de uma excitação doentia. "William, você perdeu o clímax! Só pegando um lugar na primeira fila da aventurinha de sequestro da sua esposa, Will. Ouvindo aqueles gritos... cara, parece que aqueles brutamontes se divertiram com ela. A gente nem fazia ideia de que os detalhes eram tão... divertidos!"

A sala explodiu num coro de risadinhas abafadas e sussurros maliciosos.

O rosto de William escureceu na hora, um rubor violento de humilhação subindo pelo pescoço. Ele me lançou um olhar de repulsa absoluta, como se eu fosse um cadáver apodrecendo e estragando a festa dele.

"Levanta!" ele sibilou, a voz impregnada de veneno. "Para de bancar a morta e de me envergonhar na frente de todo mundo! Eu já não perdi moral o suficiente por sua causa?"

Ele não me estendeu a mão. Em vez disso, agarrou o braço de Aurora e saiu dali a passos duros, me deixando completamente abandonada.

Eu me forcei a ficar de pé e avancei; puxei o tablet de cima da mesa num golpe rápido. Os sons horríveis dos meus próprios gritos desesperados ainda ecoavam pelos alto-falantes. Deslizei o dedo na tela para encerrar o vídeo e, em seguida, ergui o aparelho e o arremessei sem piedade contra a borda de mármore da mesa de centro.

Crá!

A tela se estilhaçou em pedaços irregulares, finalmente silenciando o pesadelo.

Mais tarde, naquela noite, eu estava deitada na cama, bem acordada.

Saí da cama descalça e fui até a porta na ponta dos pés. O corredor estava vazio. A porta do quarto ao lado estava entreaberta, com uma luz morna escapando de dentro.

Os sons obscenos continuavam sem pausa.

O estalo molhado e ritmado de carne contra carne e o rangido frenético do colchão ecoavam alto na noite silenciosa.

"Ah... Will... aí! Meu Deus, você é tão gostoso..." A voz de Aurora vinha ofegante, pingando de um tesão cru e sem freio. "Me diz... eu sou mais apertadinha do que aquela puta imunda?"

"Porra, Aurora, nem se compara àquele lixo", William gemeu, a voz grossa e tensa de prazer. Os estalos ficaram mais altos, mais brutos. "Você tá tão molhada... tão apertada pra mim. Enrola as pernas nas minhas costas."

"Mmm... eu quero você bem fundo..." Aurora choramingou, se arqueando contra ele enquanto os gemidos ficavam mais agudos. "Quando você vai largar ela, amor? Eu quero ser a única montando em você."

"Logo... ah, porra... Assim que eu botar as mãos na herança do velho, ela tá morta", William arfou pesado, sem diminuir as estocadas punitivas. "Só de pensar em enfiar em você depois que aqueles vagabundos imundos fizeram fila com ela... me dá nojo. Eu só quero me enterrar em você."

Aurora soltou um gemido agudo, extasiado, as unhas descendo pela coluna dele. "Então me enche, Will... me toma. Eu sou completamente pura, só pra você..."

"Boa garota", William rosnou, a voz áspera de fome animal. "Aguenta tudo..."

Parada do lado de fora da porta, fui tomada por um frio que atravessou meus ossos e se espalhou pelo corpo inteiro. Meus dedos tremiam quando tirei um gravador de voz do bolso do pijama e apertei para gravar.

Voltei para a minha cama e passei os dedos pela tatuagem de lírio gravada logo acima da clavícula.

Eu a tinha feito no meu aniversário de dezoito anos. Naquele dia, William me levou a um estúdio de tatuagem e se inclinou para sussurrar no meu ouvido: “Esse lírio combina perfeitamente com você — pura e imaculada.”

Na época, eu sorri feito uma idiota. Agora, ao passar os dedos pela tinta, era como se eu estivesse tocando uma lápide.


Na manhã seguinte, no café da manhã, eu mal tinha me sentado quando Aurora trouxe uma tigela de mingau de arroz e se acomodou à minha frente, usando um sorriso doce demais.

“Selene, você ouviu algum barulho estranho ontem à noite?” Ela inclinou a cabeça de um jeito brincalhão. “Eu mal consegui pregar os olhos. Alguém estava certamente bem cheio de energia…”

William soltou uma risadinha obscena ao lado dela.

Fiquei encarando minha tigela, com as mãos tremendo sem controle.

De repente, Aurora soltou um gritinho falso. O mingau quente derramou direto no dorso da minha mão. Minha pele ficou vermelha na mesma hora por causa da queimadura.

“Ah, não, me desculpa! Minha mão escorregou!” Ela piscou, sem o menor traço de remorso verdadeiro no rosto.

Engoli a dor e murmurei: “Tudo bem.”

Naquela tarde, eu estava sentada no sofá quando minha visão ficou turva. Uma crise forte de hipoglicemia tinha me atingido em cheio.

Aurora se aproximou segurando uma tigela de calda doce, com uma expressão suave e aparentemente gentil. “Toma, bebe um pouco disso. Vai fazer você se sentir melhor.”

Fiquei em alerta, me perguntando que truque ela estava planejando daquela vez, mas ainda assim estendi a mão para pegar.

Num instante, ela torceu o pulso. A tigela se espatifou no chão, espalhando calda por toda parte. Ela soltou um grito estridente e agarrou a mão. “Está fervendo!”

William entrou correndo na sala imediatamente.

“O que aconteceu?!”

“E-eu estou bem…” Os olhos de Aurora se encheram de lágrimas. “Eu só queria trazer um pouco de calda para a Selene, mas ela me empurrou.”

“Eu não fiz isso!”, protestei.

“Selene! Por que você vive implicando com ela? Ficou maluca?!” Ele avançou, me agarrou pelo cabelo e puxou minha cabeça para trás.

Quando ele puxou meu cabelo, o documento oficial para ativar o testamento oculto escorregou de entre as almofadas do sofá e caiu bem aos pés dele.

Ele se abaixou para pegar. Depois de passar os olhos pelas palavras, arregalou os olhos, chocado. “Um testamento oculto? O velho tinha isso guardado esse tempo todo? Você realmente o ativou?!”

Ele me lançou um olhar fulminante, com os olhos injetados de raiva.

“Você ousa tentar roubar todas as ações da minha família? Sua bruxa imprestável!”

Então o olhar dele caiu sobre outra tigela de calda na mesa — uma que Aurora tinha preparado antes, e eu não fazia ideia de que substâncias perigosas havia misturado ali.

William apanhou a tigela e atirou o conteúdo direto no meu rosto.

No segundo em que o líquido escaldante atingiu minha pele, a princípio eu não senti dor — só um leve chiado.

Então a agonia explodiu pela minha pele, cavando fundo na minha carne e queimando até os ossos.

Meus olhos se fecharam com força, e meus lábios se colaram. Soube na mesma hora que aquilo nunca foi só calda.

Uma fumaça branca e fina subiu enquanto o líquido corrosivo, misturado com ácido, devorava minha pele.

Abri a boca e soltei um grito rouco, de gelar o sangue.

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