Dormi com o Irmão do Meu Noivo Falecido

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Capítulo 1

Na noite da abertura da galeria beneficente, peguei Lucas e Lila enroscados no depósito.

Ele puxou a garota com força contra o peito e zombou: “Stella, você é oito anos mais velha do que eu. Você controlou a minha vida por cinco anos — quando é que vai entender que nunca vai conseguir me segurar?”

Lila deu uma risadinha, se aninhando ainda mais nos braços dele. “A senhora já passou do auge. Pra que se agarrar a alguém que nunca foi seu, pra começo de conversa?”

Risadinhas e gargalhadas de deboche se espalharam entre os que assistiam.

Eu sorri devagar.

Por cinco anos, eu mantive a Scott Enterprises de pé sozinha, limpei cada bagunça que ele fez e enterrei cada escândalo gerado pela sequência interminável de casos.

Mesmo assim, ele pulava de uma garota para outra para me ridicularizar e me ferir, de novo e de novo.

Então ele me empurrou com força. Eu desabei no chão, numa poça do meu próprio sangue, vendo-o disparar para fora com outra mulher nos braços.

Naquele instante, eu soube que o bebê tinha se ido.

Todos cochichavam sobre como eu tinha me humilhado por amor, de um jeito patético.

Ninguém jamais soube a verdade: eu aguentei tudo apenas porque o rosto dele era idêntico ao do meu falecido noivo, Elias.


A porta do depósito nos bastidores não estava trancada.

Antes mesmo de minha mão tocar a maçaneta de latão, os sons inconfundíveis de beijos molhados, pele batendo em pele e risadinhas ofegantes vazaram para o corredor.

Empurrei a porta e abri.

A luz fluorescente dura tremeluzia, iluminando a confusão emaranhada no sofá de couro vintage.

Lucas estava meio despido. Sua camisa social branca impecável — a mesma que eu havia encomendado pessoalmente de Milão para o baile beneficente desta noite — estava aberta com violência, os botões arrancados.

Montada no colo dele estava Lila Marlow, caloura do departamento de pintura, com as mãos enfiadas no cabelo escuro e bagunçado dele.

Outros três estudantes de artes se esparramavam encostados nas telas empilhadas ali perto, passando um vaporizador de mão em mão.

— Lucas.

Os beijos pararam na hora.

Lila soltou um gritinho patético e, às pressas, agarrou a camisa arruinada de Lucas para cobrir os ombros expostos. Enterrou o rosto no peito dele.

Lucas virou a cabeça devagar. Aqueles olhos cinzentos marcantes se fixaram nos meus. Ele não afastou Lila. Em vez disso, a mão grande dele deslizou para baixo, apertando ainda mais a cintura dela. Um sorriso preguiçoso e perverso se abriu nos lábios.

— Ora, ora. Se não é a minha babá querida — arrastou Lucas. — Se perdeu do lounge VIP, senhorita Brooks?

Eu fiquei na porta, a postura perfeitamente ereta no meu terno preto sob medida da Tom Ford. — Eu não sou sua babá, e sim a executiva designada pelo seu tutor. Acabaram de me dizer que a lista atualizada do leilão estava aqui.

— E você veio buscar pessoalmente? — Lucas soltou uma risada seca e áspera. — A senhorita Brooks é livre demais. Uma mulher da sua idade, vinte e nove, correndo atrás de um garoto de vinte e um num campus universitário toda santa noite. Qual é o problema? Está com tanto medo assim de não conseguir guardar o cofre da nossa família?

Lila espiou de dentro do abraço dele. — Não seja tão maldoso com ela, Luke — murmurou, a voz pingando uma doçura artificial. — A irmã Brooks não tem vida fácil. Afinal, além do trabalho e de cuidar de você... ela realmente não tem mais nada para manter um homem por perto, tem?

As risadinhas viraram gargalhadas.

Mantive os olhos fixos em Lucas.

Ele me encarava de volta, o maxilar tenso, os músculos do pescoço pulsando. Ele estava esperando. Queria estilhaçar a minha fachada perfeita e gelada e ver alguma prova distorcida de que eu me importava.

Não dei essa satisfação.

— O nome da família Scott está na faixa enorme lá fora — eu disse. — Esta galeria inteira é financiada pelo fundo fiduciário da sua família. Você tem exatamente cinco minutos para fechar a calça, limpar esse gloss vagabundo do seu pescoço e ir para o salão principal.

O sorrisinho de Lucas vacilou. Um lampejo de raiva escura e crua atravessou seu rosto bonito.

— Se você quer bancar o playboy cafona, faça isso com o seu próprio dinheiro — continuei, virando nos calcanhares. — Não envergonhe a sua família no meu horário.

Saí, deixando a porta pesada bater com força atrás de mim.

Nas duas horas seguintes, apertei a mão do reitor, sorri com cordialidade para os doadores ricos de Manhattan e aceitei elogios com elegância em nome do sr. e da sra. Scott, que no momento estavam “de luto” em Genebra.

Quando Lucas finalmente apareceu vindo dos fundos, com Lila grudada no braço dele como uma sanguessuga, não lhes dei sequer um olhar. Apenas assinei o cheque de doação de dois milhões de dólares, entreguei ao reitor com um sorriso profissional e saí para a noite cortante de Nova York.

No instante em que a porta pesada do meu sedã com motorista fez clique ao fechar, os fios invisíveis que me sustentavam enfim se romperam.

Afundei no banco de couro frio, observando o neon borrado de Manhattan escorrer pelo vidro escurecido.

Quando destranquei a porta da frente, a mansão dos Scott no Upper East Side estava silenciosa como um túmulo.

Caminhei devagar pelo corredor até o escritório.

O cômodo estava exatamente como ele o tinha deixado cinco anos antes. Fui até a mesa e peguei a fotografia emoldurada em prata.

Elias.

Seu sorriso gentil, seus olhos quentes e inteligentes.

Passei os dedos pelo vidro frio sobre o rosto de Elias. Minha visão se embaralhou com lágrimas contidas, exaustas.

— Cinco anos, Elias — sussurrei para as sombras. — Estou guardando a sua empresa. Estou guardando a sua casa.

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