Capítulo 7 7
Não consigo ver a mão dele com a minha bochecha colada, bem rente, ao mármore gelado, mas sinto ele se mexendo atrás de mim. Consigo ouvir o som do zíper dele roçando.
E então, quando a dureza dele roça na minha entrada, eu grito.
Há uma pontada leve, insistente, no fundo da minha cabeça. Um lembrete suave me avisando que talvez eu esteja esquecendo alguma coisa. Que ele talvez esteja esquecendo alguma coisa.
Mas, no segundo seguinte, ele enfia dentro de mim, me preenchendo com uma única estocada profunda, e eu esqueço tudo.
O meu próprio nome desaparece, e o controle sobre os meus gemidos vai junto quando ele começa a me foder.
Só que ele vai tão devagar. Mesmo enquanto cada roçada do quadril dele me preenche mais do que eu já fui preenchida na vida, não é o bastante para alimentar o fogo.
Eu começo a empurrar o corpo para trás, tentando me esfregar no pau dele, mas ele me impede, segurando meus quadris no lugar.
— Não, kiska — ele rosna, feroz. — Você só vai se mexer quando eu mandar. Só vai gemer quando eu mandar. Entendeu?
Ele ainda me mantém prensada contra a extensão de mármore entre as pias douradas. Eu tento assentir, mas os dedos de Isaak pressionam a parte de trás do meu pescoço. Ao mesmo tempo, ele dá um tapa forte na minha bunda nua. Eu grito.
— Usa palavras — ele ordena. O rosto dele é uma máscara de tesão cruel e selvagem.
— Sim — eu sussurro de volta. Me odiando por dizer isso. Amando ele por me fazer dizer.
Eu ergo o olhar e me vejo no espelho. Estou escancarada diante dele, e ele domina o reflexo, maior do que a vida e absurdamente poderoso. É a coisa mais sexy que eu já vi.
Então, satisfeito, ele começa a socar dentro de mim, me fodendo com força. Cada estocada arranca um gemido. Mais alto, mais alto.
Estou bem aberta e encharcada por ele. Ele está tão fundo que faz meus olhos revirarem.
E ainda não é o bastante.
— Isso, boa garota — ele murmura, se inclinando para morder de leve a minha orelha entre os dentes. As fodas dele ficam cada vez mais fortes. Nossos quadris se chocam. Meu cabelo dança num halo frenético em volta da minha cabeça.
Eu sinto o orgasmo vindo de longe. O ritmo aumenta, trazendo ele mais perto, mais perto, mais perto…
Até quase me alcançar. Até eu estar arranhando e cravando as unhas no mármore. Até minha garganta arder de tanto gemer e minhas pernas tremerem por sustentar meu peso, e Isaak ainda não para de me foder mais forte, o mais forte que consegue, o mais forte que eu aguento.
Até que ele desaba sobre mim e me afoga nas próprias ondas.
A primeira contração me faz espasmar. Isaak me mantém presa no lugar. O corpo dele colado ao meu. Eu preciso dessa solidez. Desse conforto. Desse cheiro.
Senão, esse orgasmo pode me quebrar.
Ele me fode de novo. De novo. De novo.
Então, assim que as contrações mais intensas passam, chega a vez dele. Ele agarra meu cabelo num rabo de cavalo improvisado e usa isso para me puxar, me deixando ereta.
Então, com a mão dele no meu pescoço, ele goza com um rugido.
Quase gozo de novo ao ver o rosto dele no espelho no momento em que ele explode em mim. Uma única gota de suor escorre pela maçã do rosto perfeita dele.
Estou ofegante. O suor se acumula na base do meu pescoço e ao longo da clavícula. Isaak se afasta e pega duas toalhinhas de mão cor de marfim no suporte em cima da bancada.
Ele me oferece uma. Eu pego, embora mantenha uma mão apoiada no mármore para não desabar. Minhas pernas viraram gelatina e o resto de mim não está muito melhor.
Meus pensamentos vão, devagar, voltando pra realidade enquanto eu me limpo.
E aí a ficha cai.
A sensação incômoda que eu tinha tido pouco antes de ele me possuir não era paranoia. Eu não tomo pílula. E ele não usou camisinha.
Eu me viro pra ele, com os olhos arregalados de pânico.
“O que a gen—”
Mas minhas palavras são engolidas por alguma coisa que eu sinto tanto quanto ouço. Uma explosão. Uma parede de som e ar que me acerta como um soco no peito.
As paredes cedem.
“Meu Deus”, eu suspiro, mas nem consigo me ouvir por cima do estrondo e do eco da explosão.
Eu me viro a tempo de ver Isaak puxar uma arma que ele estava escondendo em algum lugar no terno impecavelmente sob medida.
E tudo o que eu consigo pensar é…
No que foi que eu me meti?
4
Isaak
Eu engatilho a arma e foco toda a minha atenção na porta.
Eu fui idiota de achar que podia me dar ao luxo de uma noite de fuga.
No meu mundo, não existe espaço pra descanso.
Não existe chance de esquecer.
“Isaak?”
Eu lanço um olhar rápido pra Camila, mas me recuso a tirar os olhos da porta.
É a nossa única saída daqui, e eu não vou ser encurralado pelo Maxim e pelos capangas de merda dele.
Eu pego a mão dela e puxo Camila pra trás de mim. “Se veste”, eu digo, urgente. “A gente não tem tempo.”
“Tempo? Tempo p… pra quê? O que tá acontecendo?”
“O restaurante foi atacado. Eles vieram atrás de mim.”
“Como você sabe?”
“Aquela explosão não foi pra assustar.”
“Tá, mas como você sabe que quem tá aí fora veio atrás de você?”, ela pergunta, se embolando no vestido. Ela luta com o zíper, mas ele enganchou em alguma coisa e não sobe de jeito nenhum.
“Eu te falei”, eu digo. “Eu sou uma pessoa importante. E isso quer dizer que eu tenho muitos inimigos.”
As paredes tremem de novo. Outra rachadura se abre e atravessa a parede à nossa frente.
“Ai, meu Deus, meu Deus, meu Deus…”, Camila repete, uma vez atrás da outra.
“Camila”, eu digo, forçando o olhar dela a encontrar o meu. “Você confia em mim?”
Ela hesita, mas o aceno de cabeça que vem em seguida é firme. “Confio.”
“Eu vou tirar você daqui inteira, tá?”
Ela treme um pouco, mas faz que sim de novo.
Meu celular começa a vibrar, e eu puxo do bolso e atendo na hora. “Vlad, é ele?”
“É ele, chefe. Desculpa, a gente devia ter—”
“Agora não adianta ‘devia’. Quantos homens?”
