Capítulo 9
Adeline
“A Luna disse que ela é toda nossa esta noite e que é pra dar um exemplo com ela”, disse uma voz grave.
Meus olhos lutaram para se abrir; eu me sentia tão cansada e letárgica.
Naquele segundo, pensei em quanto eu tinha bebido, achando que estava prestes a encarar a ressaca da minha vida.
“Pois então, Asher, eu já mandei trazerem umas correntes para a nossa prisioneirinha aqui. Mal posso esperar pra te mostrar como um lobo de verdade lida com a própria presa”, zombou outra voz.
Onde diabos eu estou? Eu fui embora com não um, mas dois homens estranhos? Mais importante: o que eles esperavam fazer comigo? O pânico se instalou fundo no meu peito.
Minha loba me chamou: “Addie, aconteça o que acontecer, você precisa acreditar que a gente é mais forte do que isso”.
“Xavier, deixa de ser um covarde. Não precisa de correntes, olha como ela é frágil. Não tem a menor chance de ela lutar”, retrucou Asher, com tanta maldade escorrendo da voz.
“Sem chance, parceiro. As correntes são só pra minha diversão”, ele riu. “Mas até lá, acho que tá na hora de dar à nossa lobinha aqui exatamente o que ela quis quando tentou foder o Alfa.”
Meus ouvidos ficaram atentos ao perceber que esses desgraçados doentes estavam tentando me acorrentar como um cachorro e fazer o que bem entendessem comigo.
O cheiro deles me dava vontade de vomitar na hora. O que estava mais perto de mim, o lobo chamado Xavier, cheirava a um frasco ruim de desodorante Axe.
O outro, Asher, cheirava a um excesso de cítrico.
Os cheiros deles facilitavam identificar quem estava perto e quem estava mais longe.
Eu era grata aos sentidos da minha loba. Fiquei deitada ali, me preparando para o que viria.
Mantive os olhos colados, rezando para que eles tivessem compaixão suficiente para deixar uma loba desmaiada em paz.
Mas eu não tive essa sorte. Minha loba se eriçou ao ouvir o tilintar de metal, reconhecendo de imediato que Asher estava tirando o cinto.
Senti uma fisgada de dor tomar minha coxa esquerda com a chibatada do cinto dele; o calor da agonia foi se espalhando devagar pelo meu corpo.
Eu já não conseguia mais fingir que continuava apagada quando gritei de dor e meus olhos se abriram de supetão.
Encarei as paredes de cimento que me mantinham presa enquanto a lembrança do meu encontro com o Alfa Jaxon e a Luna Beverly emergia na minha mente.
O chão onde eu estava deitada era gelado. Meu vestido estava rasgado na altura do tronco, embora eu fosse grata por ainda estar cobrindo alguma coisa.
O que eu fiz? Por que eu pensei que chegar tão perto do Alfa resolveria todos os meus problemas? Como eu pude ser tão estúpida? Eu berrava comigo mesma por dentro.
Eu trouxe isso para mim. Eu teria sorte se saísse viva desta cela.
Ainda assim, pensamentos de traição me inundaram.
Eu sentia como se o Alfa Jaxon tivesse arrancado meu coração e o arrastado pela mata.
Eu sabia que era só mais uma loba na matilha dele, mas ainda assim doía.
Minha loba também estava decepcionada com o nosso Alfa.
O homem que eu vi ontem à noite me deu esperança de que, talvez, só talvez, ele não fosse tão cruel e sem coração quanto eu acreditei a vida inteira.
Esse pensamento me levou de volta ao modo como os olhos dourados dele se conectaram aos meus; parecia que ele pedia aceitação a mim e à minha loba.
O jeito como os lábios dele tocaram meu pescoço me fez sentir como se o coração dele também estivesse disparando com o nosso toque.
Por que ele deixou as coisas chegarem ao ponto em que chegaram se ele não se importava?
Mas ele era o Alfa da nossa matilha agora, e ele deixou essa tortura cair sobre mim — e isso era um fato do qual eu tinha certeza.
Se ele tivesse sequer um fiapo de cuidado comigo, eu não estaria trancada numa jaula de cimento congelante com dois selvagens, deixada para ser torturada conforme a vontade e os desejos mais sombrios deles.
Considerando que eu estava encarando a morte de qualquer jeito, eu sabia que não sairia deste mundo sem lutar.
Eu sabia que eles eram maiores e mais fortes do que eu, mas eu devia isso a mim mesma, à minha loba, aos meus pais, à Leah e à Bailey: lutar, e lutar com força — e era isso que eu faria.
Um sorriso sedento de sangue surgiu no lobo que eu supus ser Xavier, pelo cheiro que vinha dele. “Boa noite, princesa. Já estava na hora de você se juntar a nós.”
“Não queríamos que você perdesse toda a diversão.”
Eu lancei um olhar de ódio para ele, pensando depressa em todas as formas de derrubá-lo e, então, correr — correr mais rápido do que eu já corri na vida.
Encolhi-me, fazendo-me de bola, e me arrastei para o canto da cela, perdendo ainda mais lantejoulas do vestido a cada impulso das pernas.
Eu sabia que precisava lutar, mas não consegui conter a barragem de emoções que me sacudia por dentro quando as lágrimas começaram a cair dos meus olhos.
A expressão de demônio tomou conta do rosto de Asher enquanto ele continuava a tirar a roupa, peça por peça, até ficar apenas de cueca boxer.
Antes de pousar a calça cargo, um lampejo de lâmina no bolso chamou minha atenção.
Ele enfiou a mão fundo no bolso da calça cargo bege e puxou, me provocando com um único movimento do pulso.
Ele se aproximou até se agachar bem na minha frente.
— Parece que hoje é o seu dia de sorte, sua putinha — ele enfatizou “putinha”, como se fosse para me reduzir —, ao que parece você pegou uma promoção de dois por um. A nossa Luna não é tão generosa? Que tal você decidir qual deles você quer enfiado na sua garganta e qual você quer bem fundo dentro de você? — provocou, sem a menor sombra de compaixão na voz.
Eu vi a cueca dele se esticar, uma ereção crescendo bem diante de mim.
Eu não conseguia acreditar que ele estava ficando excitado ao me ver tão pequena e tão apavorada.
Eu cerrei os dentes, em agonia, reunindo toda a coragem que me restava.
— Você realmente acha que eu tô tão desesperada e que não tenho mais ninguém pra foder, além de vocês dois? — Eu ri, num tom histérico, esperando estar mascarando meu medo. — Aqui vai uma ideia: por que você não vai bater uma punheta pensando nessa Luna “generosa” de vocês?
Minha provocação não foi bem recebida: ele cravou a faca na lateral do meu torso, e o sangue começou a escorrer do corte.
O cheiro de cobre do meu sangue tomou o ar.
Antes que ele pudesse puxar a faca de dentro do ferimento, eu falei:
— Acertei num ponto fraco, querido? Fico me perguntando o que tá te deixando tão ouriçado... Será que é porque nenhuma outra loba tem interesse em te foder, ou é esse tesão pela sua Luna? — Eu abri o sorriso mais doce que consegui.
O choque dele, misturado à raiva, me disse que ele estava focado demais no que eu tinha acabado de falar. Eu tomei aquilo como a minha chance: avancei, com as presas aumentadas, e mordi o braço dele com toda a força que consegui, travando a mandíbula.
Xavier se mexeu na hora e agarrou meu cabelo por trás, me forçando a ceder quando puxou com mais força.
— Agora eu entendo por que o Alfa achou ela interessante; ele sempre amou uma perseguição — ele riu para Asher, enquanto pegava com confiança o cinto de couro preto da mão de Asher e o laçava no meu pescoço. — Acho que ela já decidiu quem vai usar essa boquinha doce primeiro.
Ele fez um leve aceno para Asher, então se endireitou e puxou a cueca para baixo, completamente.
O pau balançando na minha frente me deu nojo; ele ficou ali, masturbando o membro duro num movimento de vai e vem.
Eu senti o que restava do meu vestido ser puxado para cima, até perceber que minha calcinha de tule branca estava totalmente à mostra.
Pontas de dedos pairaram no alto da minha calcinha enquanto ele apertava o cinto ainda mais ao redor do meu pescoço.
O couro raspava na minha pele; com certeza deixaria um roxo.
Eu nunca me senti tão animal quanto naquele instante — afinal, eu nasci lobo, com instintos primais —, mas aquilo parecia como se tivessem arrancado de mim um pedaço da minha inocência.
Um estrondo alto ecoou do corredor do lado de fora da cela.
Era evidente que havia alguém no saguão principal das jaulas.
Asher e Xavier pararam por uma fração de segundo, até Xavier cuspir:
— As correntes. As correntes chegaram. Vai ser uma longa noite pra você, nossa lobinha putinha.
Ele sorriu com malícia, bem ao lado da minha orelha, e gritou:
— Tragam direto pra dentro da cela; talvez até a gente deixe vocês darem uma vez.
Quando as palavras saíram da boca dele, o hálito dele bateu bem na minha orelha, até que seus lábios ressecados se prenderam ao meu lóbulo.
