Capítulo 4
Jaxon
Eu revirava as listas de novas designações ao lado do meu beta, Don, no meu escritório, e esfregava as têmporas, irritado.
— É exatamente por isso que eu não tinha a menor intenção de assumir mais uma alcateia… muito menos a Alcateia Silver Moon. Agora temos mais de cinco mil lobos para realocar — rosnei.
— Como se o Max tivesse te dado escolha nisso. Ele foi arrancando nossos guardas um por um. Aí ele admitiu, na cara dura, que vinha atrás da nossa alcateia… da Alcateia Midnight, porra! Aquele lobo devia ser um maníaco completo ou um idiota inacreditável — protestou, e arremessou uma cadeira contra a parede.
A parede ficou com um buraco redondo enorme, e três das pernas de metal da cadeira se quebraram.
— Alfa… — ele baixou a cabeça em submissão. — Desculpa. Eu devia saber que não posso deixar minha raiva escapar assim.
O Alfa Jaxon soltou uma risada baixa, que logo virou uma gargalhada de verdade.
— Escuta, Don. Tem alguns motivos pelos quais eu não quero essa alcateia. E, embora eu valorize sua dedicação a mim ao longo dos anos… o que você sentiria se eu te nomeasse Alfa de Silver Moon?
Os olhos do beta Don se arregalaram, incrédulos com o que acabara de ouvir. Nesse instante, uma única lágrima desceu pela bochecha dele.
— Alfa… por mais que essa seja a maior honra que você poderia me conceder, é uma honra que eu não tenho o menor desejo de levar adiante. Tenho orgulho de ficar ao seu lado como seu beta, até o dia em que eu volte para a Deusa da Lua — disse, com um sorriso de desculpas.
De repente, ele arqueou uma sobrancelha, encarando o Alfa Jaxon bem nos olhos.
— Eu sei que estou falando fora de hora, senhor, mas… essa sua relutância em assumir a Alcateia Silver Moon tem alguma coisa a ver com aquela garota de ontem?
Um arrepio atravessou meu corpo na mesma hora, com a simples menção dela… a minha companheira.
Eu queria gritar aos quatro ventos, para todo mundo saber que ela era, sim, a minha companheira — mas eu sabia que não podia.
E eu também devia isso à Beverly, por ter ficado ao meu lado em incontáveis batalhas, na tomada de inúmeras alcateias, por me entender… por mim e pelo Alfa que eu era.
Ela era quase tão feroz quanto eu; exigia respeito em qualquer lugar em que entrasse. Já a minha companheira era uma lobinha frágil, embora sexy além de qualquer palavra.
Eu tinha certeza de que ela conseguiria me fazer se render com aquela buceta molhada e apertada que eu a vi brincar mais cedo. Só de pensar nela eu fiquei duro como pedra; uma gota de pré-gozo encharcou meu short.
— Don, por favor. Ela é uma lobinha frágil. Que impacto ela poderia ter numa besta como eu? — revirei os olhos ao responder.
— Frágil, talvez… mas é a lobisomem mais linda que eu já vi em todas as alcateias que a gente conquistou. O que eu não faria pra enfiar meu pau até o fundo da garganta dela… — Don divagou, sonhando acordado.
Um rosnado baixo escapou do Alfa Jaxon.
— CHEGA! — ele exigiu. — Eu não tenho tempo pra lidar com suas fantasias sexuais, Don. Essas listas da alcateia precisam estar prontas até o fim do dia.
O beta Don baixou o olhar, percebendo que o Alfa Jaxon estava rígido demais por causa da misteriosa lobinha frágil.
O Alfa Jaxon e o beta Don eram melhores amigos desde que eram só filhotes, correndo um atrás do outro pela clareira da floresta, sonhando com o dia em que assumiriam os cargos dos próprios pais.
Infelizmente, o Alfa mais velho tinha morrido num ataque surpresa de renegados.
O pai de Don, que na época era o beta, tinha recuado com a morte do Alfa. Pouco depois, ele também morreu — do que se acreditava ser um coração partido pela perda do seu Alfa.
A mãe dele morreu pouco depois disso, de tristeza pela perda do companheiro. Os Alfas tinham esse efeito sobre as matilhas; seus lobos se tornavam um só com o Alfa. Eles juravam proteger a família do Alfa a qualquer custo, assim como um Alfa jurava cuidar de todos os lobos da sua matilha.
— Olha, Jax, estou falando com você aqui como seu melhor amigo. Acho que o planejamento da cerimônia de acasalamento com a Beverly e o estresse de assumir outra matilha estão mesmo acabando com você. Eu não posso ficar te vendo se destruir assim; a nossa matilha precisa de um líder forte. Alguns dos Deltas e dos Executores vão ao Lone Wolf hoje à noite pra beber, e eu realmente acho que você devia ir — explicou o Beta Don.
Jaxon parou por um instante. Ele realmente não tinha tempo a perder saindo para um bar e assistindo aos outros lobisomens ficarem desleixados. Mas Don tinha razão; ele reconheceu, para si mesmo. Beverly estava deixando-o louco, obcecada com cada detalhe do planejamento da cerimônia de acasalamento e, logo depois, a coroação oficial dela como Luna.
Sem falar em adquirir uma nova matilha e, claro, a sua companheira fraquinha e submissa.
Ele tinha a sensação de que o melhor amigo o arrastaria para fora de qualquer jeito. Admitindo derrota, deu de ombros.
— Tá bom, Don. Mas eu vou embora exatamente à meia-noite. Você sabe que eu não tenho energia pra essa merda agora.
Don abriu um sorriso de canto, esticando os braços num soco no ar à frente.
— ISSO! Pensa nisso como uma versão lupina da sua despedida de solteiro. Apesar de eu já ter te dito antes que acasalar com a Beverly é a decisão errada, material de Luna ou não. Você devia esperar pela sua companheira verdadeira; foda-se o que os boatos dizem. A Deusa da Lua nunca faria isso com nenhum lobo; sua companheira provavelmente está indo com calma pra te encontrar. Tão teimosa quanto você, imagino. Mas os caras vão ficar animadíssimos de saber que você vai.
Jaxon sorriu. Fazia tempo que ele não via o amigo tão empolgado com qualquer coisa. Tinham sido alguns meses difíceis — nisso os dois concordavam.
Parecia que a concordância de Jaxon em ir à sua suposta despedida de solteiro naquela noite deixou Don agressivamente eficiente para terminar o trabalho do dia.
Ele deve estar mesmo animado pra relaxar, pensou Jaxon.
Jaxon trancou o escritório e caminhou pelo corredor pouco iluminado até o quarto. Depois de um banho frio, pensando na companheira e no que um dia queria fazer com ela, ficou nu tentando decidir o que vestir.
Suspirou, pensando em como preferia voltar a espreitar o quarto dela e ir embora de novo; talvez pegasse outro show. Um arrepio desceu pela sua espinha ao lembrar como o nome dele saía perfeito da boca dela enquanto ela se tocava.
O closet dele era maior do que alguns dos quartos da matilha na casa da matilha, com camisas sociais impecavelmente organizadas por cor. Ele soltou uma risada de desdém ao ver aquilo; controlador era um jeito de dizer.
Beverly vivia por organização, alegando que a chave para manter uma matilha organizada era começar por eles mesmos, como Alfa e Luna.
Ele puxou uma camisa social preta e a vestiu.
— Alfa demais — pensou.
Depois experimentou uma camisa social branca, justa, que delineava cada músculo do corpo, e pensou:
— Alfa demais, desesperado demais.
Então esbarrou numa camisa social vermelha e parou por um minuto.
Era para ser uma noite divertida; ele também não queria intimidar a matilha — Alfa ou não —, então ficou com a camisa vermelha, sentindo que ela o deixava com um ar mais brincalhão.
