Capítulo 11
Adeline
Usei até a última gota de energia que ainda restava em mim, gritando com toda a força dos meus pulmões para o Alfa Jaxon.
A verdade era que eu o odiava, odiava por tudo o que ele tinha feito comigo, com a minha família e com a minha alcateia.
Quem ele pensava que era para me usar do jeito que usou esta noite? Era isso que ele fazia sempre que a sua “Luna perfeita” se recusava a dar para ele? Foda-se ela e foda-se ele, eu quase fui estuprada por causa deles.
Eles nunca seriam o meu casal Alfa.
Um casal Alfa deveria proteger e zelar por sua alcateia, não usá-la para o próprio entretenimento e trancá-la em jaulas.
Nem mesmo a Deusa da Lua achava que o Alfa Jaxon era digno de uma companheira.
Eu estava despejando nele todas as emoções que tinha dentro de mim, enquanto tudo o que ele fazia era me segurar, com os braços firmemente presos à minha cintura.
Admito que o toque dele estava acalmando a minha loba, mas isso só me deixava ainda mais irritada e ressentida, como se ele nem estivesse realmente me ouvindo desde o começo.
Quando eu disparei: “Eu quase fui estuprada e espancada por causa de VOCÊ E DA SUA LUNA DE MERDA”, notei um brilho vermelho pelo canto da visão.
Eu estava tão ocupada canalizando minha energia para despedaçar o Alfa que nem sequer a ouvi entrar nas celas.
A mulher que me forçou a vir para cá desde o início me encarava friamente, sem dúvida sentindo pena de mim e da minha loba.
— Hum, é isso mesmo que você pensa, sua lobinha vadia? — os olhos de gelo dela cravados em mim.
Em qualquer outro momento, eu teria abaixado o olhar em submissão no mesmo instante, mas eu sentia poder irradiando de mim.
Atribuí aquele poder recém-descoberto à raiva correndo nas minhas veias; eu preferia que ela me matasse a me submeter a uma Luna que atormentava os próprios lobos.
Sustentei o olhar, sabendo muito bem que isso a estava irritando.
Antes que eu pudesse retrucar por ela ter me chamado de vadia e de pequena, o Alfa ordenou:
— Beverly. Chega.
A voz dele carregava pura dominância.
Beverly enrolou uma mecha de cabelo no dedo e, com um sorriso brincalhão, respondeu:
— Jax, sua coroação como Alfa da Silver Shadow é daqui a três dias, e depois teremos a nossa cerimônia de acasalamento. Querido, precisamos liderar lado a lado. Vamos voltar para a casa da alcateia, nós dois, e conversar sobre isso, sim? Eu amo você, meu lobo grande e mau.
— Beverly, chega. Não me faça repetir de novo. O que aconteceu aqui esta noite foi inaceitável e não será tolerado na minha alcateia — provocou o Alfa Jaxon; parecia que ele tinha perdido algum tipo de sentimento por ela — era respeito? Era amor? Era paciência?
Senti meu coração começar a acelerar; a presença dela tão perto do Alfa Jaxon estava me deixando inquieta.
Eu me senti idiota por saber que ela estava prestes a se tornar a companheira dele e, portanto, tinha direito sobre ele.
Ela veio rodopiando até mais perto, tocando o bíceps dele enquanto ele mantinha uma pegada firme no meu corpo.
— Você tem razão, Alfa.
Meus olhos se arregalaram quando percebi que ela se dirigia a ele formalmente.
— Acho que está na hora de usarmos a nossa voz da razão e pensarmos no que é melhor para o nosso filhote da matilha. Que tal darmos uma volta e você me contar como está se sentindo de verdade? Tenho certeza de que eu posso fazer você se sentir melhor.
— Sim, Beverly, era exatamente isso que eu estava pensando. Está na hora de conversar. — Eu não tinha certeza a que ele estava se referindo, mas sabia que não seria coisa boa.
Havia sarcasmo demais no tom dele, e sarcasmo era a minha língua materna.
Eu não sabia se ela tinha percebido o sarcasmo, porém; uma expressão de satisfação estava estampada no rosto dela.
— E-e-eu posso ir para casa? — fiz uma careta ao encarar o Alfa Jaxon.
Com um suspiro profundo, ele soltou um resmungo e disse:
— Hoje à noite não, Adeline. Já está muito tarde. Mas você vai para a casa da matilha, onde eu posso garantir a sua segurança.
As palavras dele me deixaram completamente enfeitiçada, e a esperança cresceu dentro do meu peito.
Por mais que eu o odiasse, não existia sensação mais satisfatória do que ver a expressão de Beverly naquele momento.
— De jeito nenhum eu vou permitir uma vagabunda na minha casa da matilha, Jax — Beverly rebateu, com força.
Imaginei que o momento de submissão dela ao Alfa tinha acabado.
— Felizmente, aquela não é a sua casa da matilha e você ainda não é a Luna. Não se esqueça do seu lugar, Beverly — os olhos dele escureceram ainda mais a cada palavra que saía de seus lábios.
Senti o amargor dela aumentar, como se ela pudesse retrucar a qualquer segundo, mas, em vez disso, apenas baixou a cabeça e ficou encarando o chão.
O beta Don finalmente deu um passo à frente.
— Alfa, eu posso conduzir a senhorita Adeline até o quarto dela, senhor.
— Não, Don. Eu mesmo vou levá-la. Você pode levar a Beverly de volta, no entanto; me parece que ela talvez precise de um tempo para repensar as atitudes dela nesta noite — ele rosnou, com os dentes cerrados.
Quando afrouxou o aperto, ele começou a desabotoar lentamente a camisa social vermelha que usava, grudada nele como se fizesse parte do próprio corpo.
Ele colocou a camisa sobre meus ombros — claramente três tamanhos maior — e me deu um meio sorriso.
Com um canto dos lábios se curvando num sorriso, ele assentiu e disse:
— Muito melhor. Tenho certeza de que você está com fome, Adeline. A cozinheira ainda deve estar na casa da matilha.
Ele passou uma mão pela minha cintura e me conduziu para fora das celas — eu ainda estava furiosa com aquela besta diante de mim, mas, de um jeito estranho, ele também tinha parecido o meu herói.
