Desta Vez Ele Me Persegue Com Tudo

Download <Desta Vez Ele Me Persegue Com ...> grátis!

BAIXAR

Capítulo 7

Eu a reconheci na hora pelas páginas de perfil corporativo. Victoria Garrison. A filha mais nova da primeira esposa.

Eu já tinha visto um bocado das encrencas do Julian em Cleveland, mas ali era Boston. Ali era política de família acontecendo na frente dos funcionários.

Modo crise.

Levantei, peguei um tablet pra parecer profissional e a interceptei antes que ela chegasse ao lounge.

— Srta. Garrison — eu disse, baixando a voz e mantendo a calma, forçando-a a focar em mim. — O sr. Garrison está terminando uma ligação. Se a senhora puder entrar na sala de reunião reservada, eu aviso a ele que a senhora chegou.

Ela estreitou os olhos, me avaliando de cima a baixo como se eu fosse algo que ela tivesse raspado da sola do sapato.

— Eu não vou esperar em porra nenhuma de sala de reunião. Julian! Vem aqui!

Os dois analistas no lounge travaram, arregalando os olhos.

— Pessoal, levem o material de preparação pra Sala B — ordenei, num tom que não dava margem pra discussão. Eles saíram num pulo.

Voltei a entrar no campo de visão da Victoria, gesticulando com naturalidade na direção da sala de reuniões de vidro fosco.

— Srta. Garrison, vamos manter isso em particular. A imagem—

— Eu não tô nem aí pra imagem! — ela rosnou, invadindo meu espaço. — Julian! Você acha que pode simplesmente voltar pra Boston e agir como se mandasse aqui? Como se merecesse estar aqui?

Eu não recuei; só continuei conduzindo-a na direção da porta da sala, usando meu corpo como uma barreira educada, mas firme, pra mantê-la longe da área principal de trabalho.

— Você não passa de um bastardo! — ela gritou, sem se importar com quem ouvisse. — Um maldito bastardo que deu sorte porque meu irmão teve um probleminha! Mas você não pertence a este lugar! Nunca vai pertencer!

Meu estômago despencou.

Ah. Ah, não.

Uma coisa eram os boatos; outra era ouvir aquele veneno de perto — sufocava. Thomas Garrison tinha chamado Julian de volta pra cobrir o “incidente” misterioso do queridinho, e os filhos da primeira esposa claramente estavam com sangue nos olhos.

A porta do escritório do Julian se abriu.

Ele saiu, com uma expressão gelada. Reparou no lounge vazio e então me viu segurando a linha. Um lampejo de alguma coisa — aprovação, talvez — passou pelo rosto dele antes de ele encarar a meia-irmã.

— Entra no meu escritório, Victoria — ele disse, baixo.

— Eu vou falar aqui mesmo. — Ela cruzou os braços, com um sorrisinho de desprezo. — Você é patético. Voltou correndo no segundo em que o papai assoviou. O quê você é, o cachorro dele?

A mandíbula do Julian se contraiu.

— Victoria—

— Au, au. — Ela riu, cruel e cortante. — É isso que você é. Um bastardinho adestrado que vem quando chamam.

Julian não discutiu. Não gritou. Apenas puxou o celular e discou.

Dois segundos depois, o celular de Victoria vibrou dentro da bolsa de grife. Ela pegou o aparelho, lançou um olhar para a tela e o sorrisinho debochado sumiu.

Ela atendeu, e a voz ficou tensa de repente. “Oi, pai.”

Eu não conseguia ouvir o que Thomas Garrison estava dizendo, mas o rosto de Victoria perdeu a cor.

“Mas—”

Mais falação do outro lado da linha.

“Tá bom.” Ela desligou e lançou um olhar venenoso para Julian. “Isso não acabou.”

“Acabou, sim”, disse Julian, frio.

Ela virou nos calcanhares e voltou furiosa para o elevador, socando o botão até as portas se abrirem e engolirem ela.

Soltei um ar que eu nem sabia que estava prendendo, com a adrenalina finalmente começando a baixar.

Julian ficou parado por um instante. Olhou para mim. Abriu a boca, como se fosse dizer alguma coisa.

Depois fechou. O olhar dele foi para o outro assistente, que estava pairando, nervoso, perto das impressoras.

“Separe a proposta revisada”, Julian disse para ele, com a voz completamente sem emoção. “Nós vamos para a Sterling Global.”

Sterling Global.

A empresa do Adam.

Meu peito apertou.

Ele ia me pedir pra ir?

Por que mudou de ideia?

Tanto faz. Não adiantava tentar entender o que chefe estava pensando.

Além disso, eu nem queria ir à Sterling Global. Esbarrar no Adam de novo? Tô fora.


Mais tarde, naquela tarde, o assistente que tinha ido com Julian voltou com cara de exausto.

“E aí, como foi?” eu perguntei.

Ele se jogou na cadeira com um gemido. “Horrível. A gente ficou esperando na sala de reunião quinze minutos. O Julian apresentou a proposta—passou pelo menos dez minutos explicando cada detalhe. E sabe o que o Adam Sterling fez?”

Mantive o rosto neutro. “O quê?”

“Nem olhou. Só levantou e saiu. Não disse uma palavra.”

Meu estômago se revirou.

Bem a cara dele.

“O Julian parecia que ia tacar alguma coisa”, ele continuou. “Mas só juntou as coisas e foi embora.”

Eu assenti devagar. “Que merda.”

“É. Não sei qual é a do Sterling, mas ele é um babaca.”


Na manhã seguinte, Julian me chamou no escritório dele.

Ele me entregou uma pasta. “Leva isso pra Sterling Global. Pro escritório do Adam Sterling.”

Eu encarei a pasta. “Mas você não mandou a proposta ontem?”

A mandíbula de Julian se contraiu. “Eles disseram que tinha algumas coisas que precisavam de ajustes. Essa é a versão atualizada.”

“Não dá pra outra pessoa levar?”

Os olhos dele se estreitaram. “Você está se recusando?”

“Não, eu só—”

“Então vai.”

Eu engoli em seco. “Sim, senhor.”

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo