Capítulo 7 Capítulo 7
Capítulo 3 - Parte 2
Ele colocou um filme para eles. Ananda vestiu-se rapidamente, já retraída e envergonhada. Ele foi à cozinha pegar água para ela e voltou dizendo que a irmã estava lá fora no quintal com alguns amigos. Perguntou se Ananda não queria ir, mas ela recusou, começando a pensar em como iria embora sem passar por eles.
Quando o filme acabou, Ananda disse que queria ir para casa. Ele tentou várias vezes se aproximar, mas ela o provocou e negou fogo. Trocaram alguns beijos e carinhos, mas nada muito ousado. Ela disse que estava tarde, levantou-se e pegou suas coisas. Ele perguntou se ela queria mesmo ir embora, e Ananda confirmou. Ele a beijou, em uma última tentativa.
Saíram do quarto, e ele pegou na mão dela. Ananda prendeu o cabelo para soltar a mão dele, mas ele pegou novamente. Passaram pela sala, que estava vazia, e pelo quintal, também sem ninguém. Ananda sentiu-se aliviada. Ele a levou para casa, conversando e cantando, mas ela sentia-se indiferente a ele, como se não quisesse mais seus toques e beijos, como se estivesse enjoada. Gostou da companhia, mas era como se não o quisesse mais, sem motivo aparente. Ele estava todo carinhoso, e Ananda com esses pensamentos negativos, achou até engraçado. Deu-lhe um beijo rápido de despedida, agradeceu o encontro e desceu logo do carro.
Ananda entrou em casa, tomou banho e comeu. Meia hora depois, ele mandou um "boa noite". Ananda pensou: "Que cara mais grudento, credo!", e respondeu: "Boa noite, gato." Ele perguntou se ela tinha gostado da noite deles. Ela disse que sim, e ele respondeu que também havia curtido, já perguntando quando seria a próxima vez. Ananda disse que talvez demorasse, para ele sentir saudades. Ele respondeu:
- Depois do jeito que você me deixou, não vou aguentar esperar muito, precisa terminar o serviço aqui logo.
Ananda riu, sem comentar nada sobre sexo. Todos os dias ele mandava mensagem de bom dia, boa noite. Um dia ou outro, perguntava como ela estava à noite, querendo saber o que ela estava fazendo. Ananda respondia sem puxar muito assunto. Na quinta-feira, ele não mandou nada. "Estou livre, né?", pensou ela. Na sexta-feira, também não mandou nada. "Ordinário, foi atrás de outra vagaba, com certeza, uma mais fácil que eu", pensou, irritada o dia todo. Não fazia sentido, mas ela estava irritada. Escreveu mensagens para ele várias vezes e apagou sem enviar.
Ananda saiu do trabalho injuriada, com uma vontade de fazer algo diferente, sair, ficar com alguém. Estava na seca, queria um "boy" que a tratasse bem, mas sem grudar. Chegou a comentar com uma colega que "homem era tudo assim, se a gente não dá logo de cara, não interessa."
"Beleza, gato, é assim? Ok, que comecem os jogos então", pensou. Ananda sempre foi caseira, festas e noitadas nunca foram para ela, a não ser que tivesse algo especial para aprontar. Chegou do trabalho "virada no giraia", já brigou com a mãe por causa de dinheiro. A mãe adorava jogar tudo o que fazia na cara dela. Ananda ficou sentada por uma hora, com a cabeça fervendo de raiva, roendo todas as unhas. Só queria sair dali e se divertir.
Pegou o celular por impulso e mandou mensagem para todas as pessoas possíveis - amigas solteiras e casais - que poderiam sair para curtir a noite e relaxar um pouco. Ninguém ia sair. Ananda estava quase chorando de raiva quando, inesperadamente, uma das amigas mandou mensagem falando que não estava muito animada, mas que, como Ananda nunca saía, ela e o namorado iriam sim fazer-lhe companhia.
Sua amiga era louca, a mais louca de todas, "a bicha era da pá virada", sempre foi desde criança. Ananda se arrumou rápido, saiu sem falar com a mãe e foi até a casa da amiga. Colocou uma calça jeans branca, um body regata decotado preto, salto alto e um cardigã azul-marinho. Quando chegou na casa da amiga, ela começou a rir, dizendo que Ananda ia para o aniversário da avó.
Começaram a pôr o papo em dia. A amiga abriu o guarda-roupa, escolhendo roupas para Ananda vestir. Havia croppeds mega decotados, minissaias e microssaias de várias cores e modelos. A amiga estava tão animada em arrumá-la que Ananda deixou, até na maquiagem ela mexeu, deixando-a mais forte e marcante. Ananda vestiu uma saia preta franzida na barra, de courino preto, bem curta e justa, e ficou com seu body e salto altíssimo preto. Mal sabiam aonde iam. A amiga estava com um vestido curtíssimo e justinho preto. Ela falou com uns "contatinhos" e acharam lugares bons para ir. Decidiram ir a uma balada nova que tinha um evento marcado há semanas, e todos estavam falando dessa festa.
Chegando lá, havia uma fila enorme para entrar, mas a "bonita" conseguiu um jeito de furarem a fila. Entraram e começaram a beber drinks. No terceiro copo, Ananda quis chorar, bateu a depressão. A amiga disse que era para beber que passava. Depois do quinto copo, Ananda mal lembrava por que estava bebendo. Havia muita gente. Começaram a dançar, e alguns rapazes vieram pedir para ficar com elas. Sua amiga foi beijando, beijando, e Ananda negando, sendo boba, já bêbada.
Veio um rapaz lindo, alto, moreno, "o tipo dela". Ananda não resistiu e o beijou. Se pudesse, iria para os finalmentes ali mesmo. Que pegada boa! Moreno, cheiroso, ficou louca! Mas logo ele saiu andando e sumiu. As duas dançaram muito e curtiram bastante.
Quando era mais de uma hora da manhã, Ananda recebeu um "oi" do Benjamim. A amiga disse para ela não responder, ignorar. Foi o que Ananda fez. Logo ele mandou outra mensagem perguntando o que ela estava fazendo. Ananda não respondeu nada. Sua amiga deu o número para o segurança e, por isso, ganharam pulseira do camarote. Subiram rapidinho. Foram ao banheiro de lá, que tinha menos gente.
Enquanto estava na fila, Ananda sentiu que alguém pegou em seu cabelo e passou a mão em suas costas. "Que saliência toda é essa?", pensou. Quando virou, brava, era o Renato, o "pretinho do poder". Toda bêbada, Ananda abriu um sorrisão para ele e o atacou, beijando-o na boca quando ele veio cumprimentar. Ele a encostou em um cantinho ao lado do banheiro. Trocaram um beijão muito intenso, bem demorado, uma delícia! "Que homennnnn! Que pegada!", pensou Ananda, muito excitada. Cheia de graça, disse que era para "guardar o fogo para depois". Voltou para a fila do banheiro. Ele saiu andando.
Sua amiga disse que, se elas ficassem mais dois minutos grudadas, fariam "as coisas ali mesmo". Ananda foi se ajeitar e retocar a maquiagem. Depois, foram atrás de tomar água, porque ela estava muito louca. A amiga estava de rolo com um cara, ficaram mais de uma vez na noite. Ele estava querendo ir embora e queria que ela fosse junto. Ela disse que, se Ananda quisesse, podia ficar com o Renato. Era só acharem ele para ver se rolava mesmo.
Saíram procurando. Ananda o viu com os amigos dele, e Benjamim estava junto. Ananda foi se aproximando, eles ainda não a estavam vendo. A irmã do Benjamim estava abraçada com o Renato e começaram a se beijar. Estavam "de casal", e ele ficou com ela assim mesmo. Ananda recuou desesperada. Sua amiga ficou chocada, queria ir cumprimentá-los para "afrontar". Ananda estava tão chocada, sentindo-se boba e com raiva. Sua amiga ficou a "fazer sua cabeça" para ela ir lá, para ele ver que ela viu, para intimidá-lo. Ela insistiu muito, disse que iria com Ananda e que ia "acabar com ele". "Acabar como, né?!", pensou Ananda. Vergonha na cara não tinham, nem tinha nada o que fazer mesmo.
Foram ao encontro deles. Quando Renato viu Ananda, ficou sério, com cara de assustado. Ananda chegou simpática, cumprimentando as meninas primeiro, inclusive Belinda, a irmã do Benjamim. Ele estava com cara de quem não tinha feito nada errado, como se não tivesse sumido no fim de semana após grudar nela por dias. Quando Ananda se aproximou para cumprimentá-lo, o safado abriu os braços, sorriu para ela e lhe deu um abraço gostoso. Perguntou como ela estava.
- Estou bem, estou boa, estou ótimaaaa! - respondeu Ananda, bem ousada.
Ele a pegou pela mão, a rodou e respondeu:
- Está boa mesmo, hein? Uma delícia!
Ananda respondeu rindo:
- Pena que você não conseguiu provar!
Ela falou alto. Os meninos ouviram, começaram a zoar ele, dizendo que ele a "largou na mão", que se não estava dando conta era só dividir com os amigos. Todos ficaram rindo. Ele ficou irritado com Ananda e fechou a cara. A irmã dele falou para todo mundo ouvir:
- Porra Ben, ficou uma cota trancado no quarto com essa puta e ainda não comeu? Come logo pra ela vazar daqui, a mina está se oferecendo, que vergonha alheia!
Ananda não era de briga, nunca foi. Ele chamou a atenção da irmã, mandando-a calar a boca. Renato também falou para ela ficar quieta. Ananda deu mais uma voltinha rindo. Sua amiga respondeu à irmã, mandou-a "tomar naquele lugar". A irmã quis ir para cima delas. Benjamim entrou na frente, chamando a atenção dela, pegou Ananda pela cintura e a puxou para longe. O casal que viu Renato abraçado com Ananda no estacionamento ficou só de olho em toda a cena.
Foram saindo para longe deles. A amiga de Ananda com o "boy" dela estavam querendo ir embora e a chamavam. Benjamim disse que ficava com Ananda caso ela não quisesse ir embora. A amiga de Ananda não queria deixá-la bêbada com ele, e com razão. Ananda estava muito mal. Ele comprou água para ela. Ananda só queria beber mais. Sua amiga começou a tentar convencê-la a ir embora. Ananda estava com tanta raiva que não queria deixá-los lá na boa. Também estava com raiva do Benjamim por tê-la "dado perdido".
Ananda deu uma leve melhorada, e sua amiga a deixou com ele. Ela não deveria ter feito isso, pois todos sabemos como os homens são, não é mesmo!? Ananda estava falando bobagens, mas aparentemente lúcida. Renato foi embora com Belinda, e os dois voltaram a ficar com a turma deles. Até então, Ananda e Benjamim não tinham se beijado nem nada. Ananda estava se sentindo melhor, tomou duas doses de tequila. Vinte minutos depois, começou a querer "apagar", sentia que ia desmaiar a qualquer momento. Não conseguia parar em pé, quase perdeu a consciência duas vezes e voltou.
A menina a levou ao banheiro, molhou sua nuca, mas não adiantou. Ananda estava muito mal. Levaram-na para a área de fumantes para tomar um ar. Ela desmaiou, perdeu a consciência nos braços de Benjamim. Ananda via algumas coisas, flashes, só lembra disso. Sentiu que estavam a carregando. Lembra de ouvir a menina falando que ela tinha que ir para o hospital, que tinham que chamar sua amiga para ajudar. Não conseguiram mexer em seu celular, claro, tinha senha. Ananda não estava em condições de fazer nada.
Quando voltou um pouco a consciência, estava em um banheiro, na água gelada, de calcinha e sutiã. A menina estava com ela, e Benjamim também. Ananda disse que estava bem, ficou de pé com ajuda. Logo saiu do banho. A menina ajudou-a a se trocar, deu-lhe uma camiseta de homem e uma samba-canção. Ananda ainda bebeu água e refrigerante. Estavam sentados em uma sala. Ela lembra de partes apenas: havia um casal, Benjamim e mais dois meninos.
Ele a colocou no carro e ia levá-la para casa. Ananda apagou de novo. Ouviu-o chamá-la bem de longe, mas não conseguia acordar de verdade. A última coisa que lembra foi ele a tirando do carro, carregada. Acordou sem saber onde estava ou o que havia acontecido, sentindo-se péssima, com dor de cabeça, enjoo e marcas roxas nos braços. Sua primeira reação foi chorar. Começou a olhar para si, o que estava vestindo. Viu que tinha alguém dormindo ao seu lado, e era quem? Benjamim, só de cueca. Ananda estava sem calcinha, sem sutiã, só com uma camiseta. Morrendo de vergonha para chamá-lo. Começou a procurar suas coisas, achou seu celular sem bateria. Foi uma das piores noites de sua vida, aquela sensação de acordar desorientada. Começou a chorar e não achava sua roupa. Pegou o celular dele, que não tinha senha. Tentou ligar para a amiga, mas ela não atendeu. Teve que chamá-lo. Cutucou-o e disse:
- Benjamim, acorda! Benjamim...
