Desejada pelo Rei da Máfia

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Capítulo 4 Tio Nick

POV do Nicholas

Depois de dispensar o Leo ontem à noite, eu mal dormi. Não consigo parar de pensar na Cherry e no Vincent, incapaz de imaginar a reação deles se soubessem a verdade do que aconteceu.

Minha cabeça só martela uma coisa: eu não posso deixar a Cherry se casar com o Vincent. Ela parece uma garota direita, com uma personalidade que eu, para minha surpresa, acho bastante atraente. Mais importante: ela foi a minha primeira, o que a tornou meio especial para mim.

Tenho certeza de que eu também fui o primeiro dela. Ela é tão jovem, e o corpo dela estava tão apertado, a vagina reagindo de um jeito que só acontece na primeira vez de uma mulher. O Vincent, aquele galinha, só ia acabar com ela. Só de imaginar ela casada com ele, meu estômago embrulha.

Depois de passar a noite inteira rolando na cama, uma solução se forma com clareza na minha mente: por que eu mesmo não me caso com a Cherry? Naquela noite, nós dois estávamos sob o efeito da droga, sem condições de resistir. Mas foi justamente esse começo caótico que me fisgou — eu não posso deixá-la ir. E, apesar da nossa diferença de idade, isso resolve tudo de uma vez. A aliança de negócios continuaria de pé, a Cherry seria poupada dos maus-tratos inevitáveis do Vincent, e eu atenderia à exigência de casamento do meu avô, garantindo a minha parte das propriedades no exterior.

A ideia me assusta por um segundo, mas eu me recomponho rápido. Primeiro, vou vê-la no jantar de hoje à noite, me aproximar como patriarca da família e, então, conduzir as coisas para redirecionar o noivado dela para mim.

Hoje, eu chego de propósito atrasado ao baile. Assim que entro, a multidão se abre automaticamente, e todos os olhares se voltam para mim. Eu já me acostumei com esse peso da atenção. O poder tem a própria gravidade.

Eu avisto a Cherry imediatamente, na mesa de sobremesas, cercada por um grupo de garotas. Diferente de todo mundo, que está desesperado para cruzar olhares e sinalizar respeito — ou medo —, o olhar dela vagueia sem rumo. Essa garota fica mais interessante a cada minuto.

O vestido dela, num tom de vinho, cai ainda melhor do que a roupa de ontem, e minha boca fica seca. Finjo não notar, me ocupando com conversas educadas com vários aspirantes a gente importante, enquanto espero uma oportunidade de pegá-la sozinha.

Quando vejo a Cherry indo em direção aos banheiros, a minha chance chega. Encerrando discretamente a conversa em que estou, eu sigo atrás dela, só para dar de cara com alguém ao virar a esquina.

Eu abaixo o olhar para pedir desculpas, e percebo que é a própria Cherry.

“Desculpa”, ela murmura, então ergue os olhos. O reconhecimento passa pelo rosto dela, e ela dá um passo para trás, assustada, como um cervo acuado.

Eu me aproximo, baixando a voz. “Ué, nem um oi pro seu salvador?”

A Cherry trava e solta, de repente: “Você gostou também.” O choque a atinge na hora; ela tapa a boca, tenta sair correndo, mas eu corto a fuga dela.

Com lentidão calculada, eu me inclino até o ouvido dela. “Eu gostei, sim. Mas você não estava totalmente consciente naquela hora. Talvez a gente devesse tentar de novo agora que sua cabeça está no lugar?” Eu estou testando as reações dela, curioso para saber o que ela sente por mim.

O medo pisca nos olhos dela, junto com outra coisa — uma faísca relutante. “Por favor, tenha respeito, Nick.”

“Tudo bem. Então vamos falar de negócios”, eu mudo o tom. “Eu preciso conversar com você. Me procure lá em cima depois que o baile acabar.” Eu estendo um cartão-chave, que ela recusa na hora.

“Eu não quero nenhum vínculo com você, Nick. Eu rasguei seu cartão. Aquela noite… fica naquela noite. Sem confusão, sem amarras.”

Essa rejeição acende algo primitivo em mim. Em todos esses anos, nenhuma mulher teve a audácia de falar comigo desse jeito.

Eu dou um passo para trás. “Justo. A gente não vai falar do nosso… envolvimento. Mas podemos ser amigos, pelo menos?”

Ela dá uma risada seca. “Com a sua idade, você podia ser meu tio.”

“Então eu vou ser seu tio. Eu prometo que não vou usar aquela noite contra você. Melhor assim?”

Ela acaba concordando, mas insiste que não pode me encontrar depois do baile de gala, alegando que tem assuntos importantes para resolver.

Eu deixo que ela vá. Será que o pai dela não contou por que ela está aqui hoje à noite? Ou talvez ainda não tenha revelado a minha identidade. De qualquer forma, estou ansioso para ver a expressão dela quando eu falar com o pai.

Seguindo a Cherry discretamente, eu a observo sentada sozinha num canto. De repente, o pai dela, Arthur, faz uma entrada triunfal ao lado de uma mulher num vestido Prada decotado nas costas, atraindo a atenção de todo mundo.

Pelo que apurei sobre os Miller, eu sei que aquela não é a esposa dele, e sim sua assistente pessoal.

Cherry fica visivelmente tensa ao vê-los. Arthur a enxerga, e a expressão dele endurece na hora. Ele faz um gesto para a mulher e vai até Cherry com ela.

Cherry se levanta, dura como uma estátua, e os cumprimenta com uma formalidade gelada: “Pai” e “Sra. Sharon”. Em seguida, diz: “A vovó vai ficar furiosa se souber que você trouxe a sua assistente como acompanhante.”

Arthur a repreende com aspereza: “Você não está em posição de criticar as minhas decisões.”

Sharon finge gentileza. “A Cherry ainda é jovem, Arthur. Ela não entende.”

Cherry aponta para o colar de safiras no pescoço de Sharon. “Isso era a joia do dote da minha mãe. Como você ousa dar isso pra ela?”

Arthur ameaça “educá-la” direito quando chegarem em casa. Cherry sai, tomada pela raiva. “Então eu vou me retirar antes que eu fique com ainda mais nojo.”

Arthur chama por ela, mas não adianta. As lágrimas brilham nos olhos de Cherry enquanto ela vai embora.

Sharon tenta acalmar Arthur. “Ela é ingrata, igual à Brittany.” Então insinua um segredo entre os dois: “Se não fosse a sua decisão naquela época, a Jenna e o bebê não teriam…”

Arthur a corta na mesma hora, duro, avisando para ela não tocar nesse assunto em público.

Sem se abalar, Sharon insiste, num tom malicioso: “Tá bom. Mas você prometeu que aquela casa de praia ia ser minha quando a Cherry se casasse.”

Arthur garante que, quando o casamento der certo, ela pode ter o que quiser.

Eu pondero sobre essa conversa. Está claro que Cherry tem pouco valor dentro de casa, e o pai mal liga pra ela. Se nem o próprio pai faz questão… talvez seja meu dever, como o novo “tio” dela, dar a orientação adequada.

Eu saio do meu ponto de observação e me aproximo de Arthur.

Ao me ver, ele assume imediatamente uma expressão bajuladora. “Sr. Salvatore!”

Eu digo, frio, que vim discutir os arranjos do noivado, evitando de propósito mencionar quem seria a noiva.

Depois de vários uísques, Arthur fica visivelmente bêbado e começa a enaltecer as qualidades de Cherry como se estivesse anunciando mercadoria — o que me dá nojo. Ele ainda sugere: “Você pode disciplinar ela do jeito que achar melhor. Eu não vou me meter.”

Eu sorrio, gelado, e demonstro meu desagrado por ele ter trazido uma secretária em vez da esposa. “Na nossa tradição, o lugar da esposa é sagrado e intocável.”

Arthur se atrapalha, sem graça. “Minha esposa… não tem passado bem ultimamente…”

“Então me procure quando ela se recuperar. Trazer uma pessoa de fora pra discutir noivado — o que você estava pensando?”

Arthur concorda sem parar. “Sim, sim, o senhor tem toda razão. Que tal a gente se encontrar de novo daqui a dois dias?”

Eu respondo apenas com um aceno silencioso e me viro para sair, com Leo vindo logo atrás.

“Consiga alguma coisa contra o Arthur e aquela mulher. E arruma pra mim o número de telefone da Cherry.”

Leo resolve na hora. Quando eu volto pro clube, ele já me mandou o número dela.

Eu mando mensagem sem hesitar: [Você tá bem?]

A resposta vem rápido: [Quem é?]

Eu: [Você sabe.]

Quando ela não responde, eu mando outra: [É seu tio.]

A mensagem aparece como bloqueada. Eu não consigo evitar uma risada. Essa garota tem mais coragem do que jeito. Mas eu gosto de conquistar mulheres difíceis…

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