Curvas Perigosas

Download <Curvas Perigosas> grátis!

BAIXAR

Capítulo 2 O Despertar dos Sentidos

O ano novo começava a dar seus primeiros passos na pequena e distante cidade lá embaixo, enquanto no topo daquela montanha isolada, o tempo parecia ter congelado. 

Eu e aquela mulher misteriosa compartilhávamos um momento de intimidade tão profundo que nenhuma de nós duas jamais ousara imaginar em nossas vidas.

Acordei sob o manto silencioso da madrugada. O silêncio que abraçava a montanha era absoluto, denso e quase sagrado, quebrado apenas pela sinfonia mansa das nossas respirações compassadas. 

O vento uivava baixo do lado de fora, chocando-se contra as chapas de alumínio do Motorhome, mas ali dentro o clima era puro aconchego. 

Eu ainda estava lá, completamente aninhada ao corpo quente dela, sentindo uma paz de espírito e um relaxamento muscular que nunca havia experimentado antes em toda a minha existência. 

Pela primeira vez em anos, o peso esmagador do mundo e as cobranças sociais pareciam não ter forças para me alcançar.

Abri os olhos bem devagar, piscando contra a penumbra, e a vi. Para a minha surpresa, ela não estava dormindo. 

Seus olhos estavam bem abertos, fixos em mim, brilhando com um reflexo faceiro e uma felicidade tão genuína e pura que me fez corar instantaneamente, mesmo sob a proteção da escuridão do quarto compactado. 

Senti meu corpo reagir de imediato àquela proximidade. Mesmo exausta pela intensidade avassaladora de tudo o que havíamos vivido horas antes na esteira dos fogos de artifício, o desejo despertou novamente, vibrando quente logo abaixo da minha pele nua.

Enquanto recebia o carinho suave dos seus dedos que desenhavam linhas invisíveis pelos meus ombros, uma ideia repentina atravessou a minha mente, fazendo-me soltar uma risadinha travessa que ecoou baixinho no espaço. 

Lembrei-me perfeitamente de uma pequena caixa trancada e escondida bem no fundo do armário embutido do Motorhome... 

Itens ousados que eu havia comprado em um impulso de libertação, pensando em uma vida e em um casamento que eu acabara de deixar para trás após aquela terrível descoberta.

— O que foi? — ela sussurrou contra o meu ouvido, a voz arrastada e visivelmente curiosa com o som do meu riso contido.

— Lembrei de uma coisa... — respondi, levantando-me devagar e sentindo o impacto imediato do ar frio da noite em contraste direto com o calor aconchegante do nosso abraço. 

— Eu ia usar isso com outra pessoa, em uma outra existência que já não me pertence mais. Mas acho que o destino, com toda a sua ironia, queria que o momento fosse compartilhado com você.

Ignorei o pensamento intrusivo de que eu poderia estar ficando completamente louca por confiar tanto em alguém que acabara de conhecer. 

Eu queria descobrir novos horizontes, queria experimentar o que me fora privado.

Senti que não havia ninguém melhor no mundo para inaugurar aqueles "acessórios" picantes do que a mulher misteriosa que me salvara da solidão e do desespero no alto daquela estrada sinuosa.

Caminhei até o armário, tateei a madeira e puxei o objeto. Voltei e parei diante dela segurando a pequena maleta, com o coração disparado contra as costelas. Ela se ergueu um pouco, apoiando-se nos cotovelos. 

Olhou curiosa para os objetos que retirei dali, depois fixou o olhar em mim e soltou uma risada deliciosa, repleta de malícia, provocação e surpresa.

— Vejo que você ainda não os utilizou... — ela comentou com a voz impregnada de sensualidade, passando a mão livre pelo cabelo lindamente desalinhado. — Mas parece que vamos brincar com eles agora mesmo, certo?

— Isso mesmo — respondi sem hesitar, sentindo minhas bochechas queimarem de vergonha e excitação ao mesmo tempo. — Você topa o desafio? Tenho a leve impressão de que vamos adorar descobrir a utilidade de cada um deles... ou você prefere não arriscar?

Eu já estava psicologicamente preparada para receber um "não" ou um recuo devido ao cansaço, mas, para a minha absoluta sorte, ela apenas sorriu. 

Aquele sorriso ladino e aberto que tinha o poder magnético de desarmar todas as minhas defesas e convicções. 

Sem dizer mais nada, ela esticou os braços e me puxou com firmeza para perto de si.

Fomos imensamente felizes ali, naquele espaço reduzido, navegando entre novas descobertas sensoriais, toques ousados e um prazer físico tão avassalador que eu nunca imaginei ser capaz de experimentar. 

O sono e a exaustão finalmente nos venceram depois de uma longa sequência de carícias e risos abafados. Dormimos profundamente entrelaçadas, com os corpos colados e seladas por um último beijo demorado e gostoso.

A madrugada aos poucos se esvaiu, levando consigo as sombras e os fantasmas da noite anterior, e trouxe um sol de primeiro de janeiro excepcionalmente lindo, claro e calmo. 

O calor matinal começou a invadir lentamente o Motorhome, desenhando linhas douradas de luz através das frestas da cortina sobre o lençol completamente bagunçado.

Espreguicei meu corpo aos poucos, sentindo cada músculo do meu pescoço e das costas reclamar, de um jeito bom, daquela maratona deliciosa de amor. 

Sorri, um pouco sem jeito e com o coração aquecido, ao notar os brinquedos ainda espalhados pelo tapete do chão, servindo de testemunhas mudas da nossa loucura na noite de réveillon.

— Bom dia... — sussurrou ela ao meu lado, movendo-se entre as cobertas com a voz ainda mais rouca e arrastada do que o normal. — Eu ia dizer que tudo isso foi apenas um sonho da virada, mas acho que nem o meu melhor desejo teria sido tão... criativo e surpreendente.

Ela aproximou o rosto do meu, estendendo a mão para acariciar a minha bochecha com a ponta dos dedos.

— Sabe o que é mais louco e fascinante em tudo isso? — continuou ela, estreitando o olhar com carinho. 

— Eu passei a noite inteira protegida nos braços da mulher que me salvou de mim mesma, e ainda não sei como chamar você quando quiser te pedir um beijo de bom dia. 

— Eu sou a Maya. E você, dona deste Motorhome incrível e da melhor madrugada da minha vida... quem é você?

Sorri abertamente ao ouvir o nome dela pronunciado daquela forma, sentindo que aquela palavra agora carregava um peso especial e muito íntimo em minha mente.

— Stella — respondi, saboreando cada sílaba da palavra enquanto a pronunciava. — Meu nome é Stella.

— Um nome lindo e luminoso para a mulher que me deu a melhor virada de ano de toda a minha vida — ela retribuiu, depositando um beijo terno na ponta do meu nariz.

Eu me levantei da cama, ainda totalmente nua e sem qualquer pudor diante dela, e caminhei a passos lentos até a pequena cozinha integrada do motorhome. 

O chão de linóleo estava consideravelmente frio sob os meus pés descalços, mas eu nem me importava com o desconforto térmico. 

Eu me sentia estranhamente inteira, completa e, por incrível que pareça, perdidamente encantada por aquela linda desconhecida que o destino jogara nos meus braços.

XXX

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo