Cuidando do Filho da Máfia

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Capítulo 5

Ponto de vista de Rachel

— Jantar em família? — repeti, encarando o Sr. Vance da porta do meu quarto.

Ele assentiu. — Sim, Sra. Montrel. O jovem mestre Leo pediu especialmente. Ele quer que a senhora esteja lá.

Pisquei. Leo nunca pedia algo assim. Normalmente, comíamos em silêncio no quarto dele, só nós dois.

— O... Damien também vai estar lá? — perguntei com cuidado.

O Sr. Vance suspirou. — Leo espera que sim. Mas a senhora sabe como o chefe é. Está sempre ocupado.

Soltei um suspiro discreto de alívio. — Tudo bem. Vou descer em breve.


O salão de jantar me deixou atônita no instante em que entrei.

Velas brilhavam suavemente sobre uma mesa longa, lindamente posta. O ar estava impregnado de comida quente, especiarias e um leve aroma de pão fresco.

Leo foi o primeiro a me ver.

— Mamãe! Senta aqui! — ele riu, batendo na cadeira ao lado dele.

Sorri e me sentei. — Você preparou tudo isso?

Leo estufou o peito, orgulhoso. — Sim! Eu fiz tudo!

O Sr. Vance revirou os olhos de leve. Definitivamente não era verdade.

Leo se inclinou na minha direção, sussurrando alto:

— Agora só falta o papai... Espero que ele venha.

Dei um pequeno sorriso, secretamente torcendo para que não.

E então—

A sala inteira ficou imóvel.

O ar mudou antes mesmo de eu ouvir passos.

Virei e congelei.

Damien entrou como uma sombra engolindo a luz.

Alto. Ombros largos.

A gola alta preta se ajustava ao corpo dele, acentuando as linhas duras do peito e dos ombros. O cabelo escuro estava penteado para trás com perfeição, revelando o contorno afiado da mandíbula. E os olhos — frios, escuros, indecifráveis — percorreram o ambiente com uma dominância silenciosa.

Ele não precisava falar para impor presença. Só sua presença já mudava o ar.

De início, não reconheceu ninguém. Apenas lançou um olhar para o relógio com um movimento entediado e impaciente do pulso, como se estivesse se perguntando se aparecer ali era uma perda de tempo.

Antes que eu pudesse respirar, Leo se lançou pela sala.

— Papai!

A expressão de Damien mudou no mesmo instante.

Uma rara suavidade atravessou seu rosto quando ele segurou Leo com facilidade, erguendo-o no ar. Leo soltou uma gargalhada aguda, e Damien — Damien realmente devolveu com uma risada baixa e contida.

Por um batimento de coração, ele pareceu humano. Como um pai.

Então os olhos dele encontraram os meus.

O calor desapareceu.

Ele abaixou Leo com gentileza, colocando-o de volta no chão. — Espero que a mamãe Rachel tenha sido atenciosa — disse Damien, a voz suave, mas cortante sob a superfície.

Leo assentiu com entusiasmo. — Ela desenhou comigo! E me ensinou sobre flores!

Damien murmurou em aprovação, bagunçando o cabelo dele antes de seguir até a cabeceira da mesa.

Baixei o olhar. Leo voltou para o meu lado, sorrindo de orelha a orelha.

— Você não devia chamar para o jantar assim, do nada, Leo — disse Damien, enquanto se servia. — Seu pai está muito ocupado.

— Ocupado é chato — Leo resmungou, mostrando a língua.

Tentei comer em silêncio, mas sentia o olhar de Damien passando por mim de novo e de novo — pesado, avaliador.

— Leo está falando com você — disse Damien de repente.

Eu me assustei e ergui os olhos. Leo me encarava inocentemente.

— D-desculpa, querido. Eu estava pensando.

— Tudo bem, mamãe — Leo respondeu, radiante.

Damien soltou o ar com força.

— Leo planejou este jantar. Preste atenção. Pare de viver no mundo da lua.

O tom dele me feriu mais fundo do que eu esperava. Meus dedos se apertaram em volta do garfo.

— Traga — Damien ordenou.

Sr. Vance deu um passo à frente, carregando uma caixinha. Fiquei olhando para ela, inquieta.

— Abre! — Leo disse, empolgado.

Ergui a tampa devagar.

Dentro havia um colar com uma joia vermelho-rubi. A cor me lembrava sangue. Desta casa.

— Isso marca você como alguém sob minha proteção — disse Damien. — Use-o, e ninguém vai ousar tocar em você. Eu não gosto que toquem no que me pertence... ou ao Leo.

O calor subiu pelo meu rosto — não por lisonja, mas por humilhação.

— Coloque — Damien acrescentou. Não era um pedido. Era uma ordem.

Engolindo em seco, fechei o colar no pescoço. Estava gelado, como uma marca de gelo sobre a minha pele.

— Você está linda, mamãe — disse Leo, com alegria pura.

Sorri de leve.

— Obrigada, meu amor.

— Nunca tire isso — disse Damien, ríspido. — Se tirar, haverá consequências.

Alguma coisa dentro de mim finalmente se rompeu.

— Pare de falar comigo desse jeito! — gritei.

A sala inteira congelou. Um arquejo cortou o ar. Os talheres pararam no meio do movimento. Até as velas pareceram tremeluzir mais fraco.

Damien franziu a testa.

— O quê?

— Você me trata como se eu não fosse uma pessoa! — exclamei, levantando-me. — Faz semanas que eu não vou às minhas aulas! Meus amigos acham que eu desapareci — olha! — Ergui o celular, com mensagens inundando a tela. — Eles estão mortos de preocupação!

Os olhos de Damien endureceram.

— Eu lhe dou uma vida confortável e você acha que isso lhe dá o direito de me responder?

— A minha vida não acaba porque você decidiu!

— Você fez essa escolha quando assinou seu nome ao lado do meu — ele disse friamente. — Comporte-se... ou eu vou tirar alguns dos seus privilégios. Como esse celular.

Meu peito se apertou dolorosamente.

— Eu concordei para salvar a vida do meu pai — sussurrei. — Não para viver como uma prisioneira.

Damien se levantou devagar.

Ele não gritou. Não se apressou. Mas o ar ficou mais denso, pesado de autoridade e perigo.

— Cuidado com o tom, Sra. Montrel.

O garfo de Leo escapou da mão dele. O pequeno tilintar ecoou como um grito.

— Ou então o quê? — sussurrei, com a garganta apertada.

Damien deu um passo para mais perto. Sem me tocar. Sem sequer estender a mão. Mas a presença dele já era suficiente para esmagar o ar para fora dos meus pulmões.

— Ou eu te lembro o que acontece com pessoas que me desafiam.

As palavras dele caíram no cômodo como uma lâmina — frias, incontestáveis.

O corpinho de Leo ficou rígido, a comida esquecida. Os olhos dele se arregalaram, a confusão se torcendo em medo. Ele só alternava o olhar entre nós, como se tentasse entender como a família dele podia se despedaçar tão facilmente.

Um sussurro pequeno e quebrado escapou dele:

— Mamãe?

Eu não conseguia respirar. Não conseguia ficar.

— Aproveite o jantar — eu disse baixo, a voz tremendo, mas firme. — Perdi o apetite.

Meus passos ecoaram cortantes sobre o mármore quando me virei e saí, deixando para trás o silêncio — e o aviso de Damien.

Ponto de vista de Damien

Eu a vi ir embora, a irritação queimando como ácido nas minhas veias.

Sair no meio do jantar de Leo? Da minha presença?

Dei um passo à frente, pronto para segui-la, para corrigi-la—

Uma mãozinha puxou a manga do meu paletó.

Leo. Os olhos dele estavam marejados, incertos.

— Papai... a gente fez alguma coisa errada?

Eu me obriguei a me ajoelhar, suavizando o rosto apesar do aperto no peito.

— Não — eu disse baixo. — Você não fez.

Leo hesitou.

— Então por que a mamãe parece triste o tempo todo?

A pergunta acertou mais forte do que qualquer bala.

Engoli em seco, empurrando para baixo a emoção que arranhava minhas costelas.

— Não é assim — eu disse. — O mundo lá fora é perigoso. Eu só estou protegendo ela.

Leo me abraçou com força, os bracinhos quentes e desesperados.

Eu o ergui com facilidade e me virei para o Sr. Vance.

— O jantar acabou — eu disse friamente. — E, a partir de agora, vamos monitorar toda a comunicação dela.

A carranca do Sr. Vance era dura, e os olhos dele estavam cheios de uma decepção profunda — mas eu saí antes que ele pudesse falar.

No corredor, Leo apoiou a cabeça no meu ombro, cansado.

— Eu também quero amigos... — ele sussurrou, quase sem voz. — Como a mamãe tem.

Meus passos vacilaram. Alguma coisa no meu peito — alguma coisa que eu não queria nomear — puxou, dolorida.

— Você tem a mim — eu disse baixo, encarando adiante. — E a mamãe. E os guardas.

Leo não respondeu. Apenas suspirou de leve — um som solitário que pareceu familiar demais.

Quando chegamos ao quarto dele, ele já estava dormindo no meu ombro. Eu o deitei com cuidado na cama, puxando o cobertor sobre ele.

A inocência no rosto dele apertou alguma coisa no meu peito e, em seguida, endureceu de novo.

Esta devia ter sido uma noite tranquila.

Mas ela estragou tudo.

Endireitei o corpo, e minha expressão esfriou. — Walker. Nolan — chamei em voz baixa.

Dois homens armados avançaram imediatamente. — Sigam-me.

Eles trocaram um olhar antes de me acompanhar. Meu maxilar se contraiu enquanto caminhávamos pelo longo corredor da ala oeste — a ala dela.

A cada passo, minha irritação aumentava. A voz dela. A insolência. A audácia de me constranger na frente do meu filho.

Quando cheguei à porta do quarto dela, não bati. Eu nunca batia.

Empurrei a porta e entrei.

Rachel se sobressaltou na cama, sentando-se ereta, os olhos arregalados, a respiração falhando como se soubesse que aquilo não terminaria com calma. Os seguranças entraram atrás de mim, em silêncio, esperando.

Fechei a porta com um clique suave.

— Levante-se.

Minha voz não estava alta — apenas firme o bastante para fazer o ar ficar tenso.

Os dedos dela se agarraram ao cobertor. — Damien, eu... estou cansada. Isso não pode esperar...?

— Em pé.

Aquelas duas palavras cortaram o quarto.

Ela se levantou devagar, cautelosa.

Dei um passo à frente, estendendo a mão. — Me dê o telefone.

Ela congelou. — Não.

A recusa foi pequena, mas ainda assim era uma recusa.

— Agora.

Ela recuou um passo, balançando a cabeça. — Ele é meu. Eu preciso dele... meus amigos... minhas aulas...

Arranquei o aparelho da mão dela antes que pudesse terminar.

A respiração dela falhou. — Damien, por favor, não...

Virei o telefone na mão, sem alterar a expressão. — Você sai do jantar do meu filho, levanta a voz para mim, se comporta como uma vira-lata indisciplinada... e acha que pode ficar com isso?

Ela tremia. — Você não pode simplesmente tirar tudo de mim.

Encarei-a de cima, sem piscar. — Posso.

Guardei o telefone no bolso. O silêncio encheu o quarto, espesso e sufocante.

— Você não vai sair deste quarto, a menos que Leo peça por você pessoalmente — falei com calma. — Não vai pôr os pés no corredor. Não vai falar com os funcionários. Não vai tocar em uma única porta sem permissão.

Ela engoliu em seco, a voz falhando. — Você vai me trancar aqui?

— Vou impedir que você faça escolhas estúpidas.

Os olhos dela brilharam com raiva e medo. — Você não é meu dono.

Inclinei levemente a cabeça. — Você assinou seu nome ao lado do meu. Posse fazia parte do acordo.

Ela estremeceu.

Desferi o golpe final, frio e intencional. — Se tentar alguma estupidez, vou presumir que você não se importa mais com a segurança do seu pai.

Os joelhos dela quase cederam. Um suspiro baixo escapou de seus lábios.

Dei um passo para trás. — Walker. Nolan. Do lado de fora da porta. Ninguém entra. Ninguém sai.

— Sim, senhor — meus homens responderam imediatamente.

Não olhei para ela de novo. Simplesmente me virei e saí, fechando a porta atrás de mim.

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