Cuidando do Filho da Máfia

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Capítulo 1

“Case-se comigo... ou sua família paga.”

Essas foram as últimas palavras que eu esperava ouvir hoje.

Eu estava no escritório apertado do meu pai, com o coração martelando no peito, quando meu olhar encontrou o homem alto e imponente à minha frente.

Vestido de forma impecável, seus olhos escuros pareciam atravessar direto a minha alma. O cabelo estava perfeitamente penteado, e sua presença — forte, intimidadora — me fez ficar paralisada. Dois homens o ladeavam, silenciosos e perigosos.

“Rachel, querida, eu posso explicar”, disse meu pai, dando um passo em minha direção, com pânico na voz.

“O quê...?”, murmurei, com a confusão e a incredulidade se retorcendo dentro do meu peito.

“Seu pai me deve dinheiro — muito dinheiro”, disse o homem, calmamente. “E eu não faço piada com o meu dinheiro.”

Antes que eu pudesse reagir, ele puxou uma arma do bolso. Eu me encolhi, prendendo a respiração. Meu pai também congelou.

“Então aqui está o acordo”, ele continuou, dando um passo lento à frente. “Você se casa comigo. Seu pai vive. Recuse... e eu não me responsabilizo pelo que acontecer com ele.”

Fiquei boquiaberta, com raiva e medo atravessando meu corpo. Minha mão foi direto ao telefone. “Vou chamar a polícia! Você não pode ameaçar a minha família, seu lunático!”

O rosto do homem escureceu. Ele se aproximou mais, e eu recuei cambaleando até bater as costas na parede. Um dos homens dele pressionou uma arma contra a têmpora do meu pai. Meu sangue gelou.

“Eu sou Damien Montrel”, ele disse, em uma voz baixa, suave e mortal. “E isto não é um pedido.”

Meus olhos se arregalaram. Damien?

O nome que eu só tinha ouvido em avisos sussurrados, o homem cujo nome sozinho fazia até criminosos endurecidos tremerem... ele estava aqui. No escritório do meu pai. Meu telefone escorregou das minhas mãos trêmulas.

Olhei para meu pai. O rosto dele estava sem cor, e a vergonha e o medo substituíam imediatamente a leve confiança que ele costumava carregar. Ele tinha me arrastado para isso.

“Pai... o que foi que você fez?!” Minha voz tremia.

A expressão de Damien se fechou ainda mais. “Você não escuta, escuta? Você vai se dirigir a mim. Estou sendo generoso. Normalmente, eu simplesmente pegaria os órgãos do seu pai, mas estou lhe oferecendo uma barganha.”

Franzi a testa, assustada, mas com raiva. “Eu não sou um objeto para ser comprado!”

“Ah, mas é”, Damien cuspiu. “No momento em que seu pai decidiu pegar milhões emprestados comigo... por anos... esta é a consequência.”

Afundei no chão, com as lágrimas ardendo nos olhos. Confusão, medo e raiva giravam dentro de mim. Eu tinha acabado de voltar de uma noite de estudos até tarde com meus amigos... e agora isso.

O olhar de Damien não vacilou. “Você tem até amanhã de manhã para me dar sua resposta”, disse ele, com a voz calma, mas perigosa. “Pense com cuidado. Se contar a qualquer pessoa que estive aqui... seu pai, seu irmão, todos que você ama... todos vão pagar.”

Congelei. Meu irmão... ele estava em outra cidade, sempre trabalhando. Se ele soubesse... se ele viesse... O pensamento provocou uma nova onda de pânico no meu peito.

Damien deu um passo para trás, me dando espaço, mas sem jamais quebrar o contato visual. “Não desperdice minha generosidade me recusando de imediato”, advertiu. “Amanhã, você faz a sua escolha. E lembre-se... eu posso descobrir tudo. Nem os seus pensamentos estão seguros.”

Com isso, Damien se virou e saiu, com seus dois homens o seguindo em silêncio. A porta se fechou com um clique. O escritório pareceu subitamente sufocante.

Meu pai cambaleou até mim, caindo de joelhos. As mãos dele tremiam ao segurar meus braços. “Amanhã de manhã...”, sussurrei. “Como eu vou escolher?”

“Rachel, eu-eu sinto muito”, ele gaguejou. “Eu não sabia que ele arrastaria você para isso.”

Olhei para ele, com o peito doendo demais para sentir raiva. “Por que você estava pegando dinheiro emprestado com alguém como ele?”

Ele desviou o olhar, com a vergonha nublando seu rosto. “Isso não importa agora. Rachel, escute — ligue para Marcus. Diga a ele para reservar uma passagem para você sair do país.”

“Pai, é o Damien!”, gritei, frustrada, enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. “Ele vai me encontrar! Não existe lugar para onde eu possa fugir!”

“Eu posso me oferecer a ele”, disse meu pai, fracamente, com a voz falhando. “Vou dar a ele o que ele quer — meus órgãos, minha vida — só não você. Por favor, Rachel, não deixe que ele fique com você.”

Meu coração se retorceu de dor. “Mas você vai morrer. Eu não posso perder você”, sussurrei.

Ele sorriu de leve, com o coração partido estampado no rosto. “Sim... mas você ainda tem Marcus.”

Uma risada trêmula escapou de mim. “Marcus mal atende minhas ligações, pai”, tentei brincar, mas minha voz falhou. “Eu só... eu só quero você vivo.”

Ele colocou uma mão trêmula na minha bochecha. “Você é a única coisa que eu já fiz direito, Rachel.”

Aquelas palavras me destruíram.

Passei os braços em volta dele, enterrando o rosto em seu ombro, tremendo enquanto o peso de tudo desabava sobre mim.

Porque amanhã de manhã, eu teria que escolher entre a vida do meu pai e a minha própria liberdade.

——

Os primeiros raios de sol mal tocavam a cidade quando ouvi uma batida forte na porta. Meu coração disparou. Eu conhecia aquele som.

Eu mal tinha dormido, assombrada pelo pesadelo da noite anterior. Damien Montrel tinha voltado. E tão cedo.

Antes que eu pudesse reagir, a porta foi escancarada. A figura escura e imponente preencheu a entrada, o terno impecável, os olhos frios e afiados. Dois homens vieram atrás dele em silêncio; só a presença deles já fazia o ar parecer pesado e perigoso.

“O tempo acabou”, Damien disse, a voz suave, baixa e mortal. “Qual é a sua escolha?”

Fiquei de pé imediatamente, tensa, com o pulso acelerado ao sustentar o olhar dele. Seu rosto estava duro — sério, perigoso —, mas também percebi outra coisa: expectativa. O leve tensionar de sua mandíbula me disse que ele estava esperando minha resposta e, por um breve segundo, quase pareceu que ele se importava.

Antes que eu pudesse falar, meu pai invadiu a sala, com a voz afiada e trêmula.

“Ela não vai se casar com você”, ele disse com firmeza, colocando-se entre nós apesar do medo em suas mãos trêmulas.

O cenho de Damien se fechou ainda mais. “Eu não ouvi essas palavras da boca dela.”

“Não precisa”, meu pai retrucou. “Como você pode ver, ela está parada. O silêncio dela quer dizer não.”

A mandíbula de Damien se contraiu. Seu olhar escureceu, e um lampejo de decepção atravessou seu rosto antes de ele voltar a ficar frio. Sem dizer uma palavra, fez um gesto para seus homens. “Então levem ele.”

Fiquei paralisada. Os homens avançaram, as botas batendo pesadamente no chão. Meu pai tropeçou para trás, ainda encarando Damien com a rebeldia ardendo nos olhos.

“Rachel...”, ele chamou, com a voz se partindo. “Ligue para o seu irmão... e vá morar com ele.”

Meu peito se apertou. Os homens o agarraram com brutalidade, arrastando-o em direção à porta. Damien permaneceu imóvel, observando a cena se desenrolar com calma precisão, como um juiz proferindo sentença.

“Pai!”, gritei, correndo para a frente, mas um dos homens de Damien ergueu a arma no mesmo instante, me fazendo parar no meio do passo.

“Fique para trás”, Damien disse baixinho, em um tom tão firme que me gelou.

Os joelhos do meu pai cederam enquanto o puxavam. Ele tentou lutar, mas eles eram mais fortes e mais cruéis. Seu rosto ficou pálido, o suor brilhando em sua testa. As lágrimas embaçaram minha visão enquanto eu o via sendo arrastado — impotente, humilhado e apavorado.

Eu sentia o olhar de Damien sobre mim, observando, analisando minha reação. Seus braços estavam cruzados com calma, a expressão indecifrável. Ele estava me estudando — medindo até onde podia me pressionar antes que eu quebrasse.

Tentei ficar imóvel. Meu pai tinha razão — não era justo que eu estivesse envolvida nisso. Mas eu não aguentava mais. Cada grito, cada baque dos sapatos do meu pai contra o chão, rasgava meu peito como vidro.

“Pare!”, eu gritei.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu cambaleava para a frente. “Eu... eu faço isso”, sussurrei, com a voz falhando. “Eu me caso com você.”

Por um segundo, o silêncio tomou conta do cômodo. Até os homens pararam.

Os olhos de Damien se ergueram, me examinando com um olhar frio e calculista. Por um breve instante, achei ter visto alguma coisa — aprovação? Satisfação? — antes que sua expressão se endurecesse de novo.

“Escolha sensata”, ele disse, saindo do caminho.

Os homens soltaram meu pai, e ele caiu no chão com um gemido.

“Rachel... não”, ele arfou, estendendo a mão para mim, com a dor estampada no rosto.

Balancei a cabeça, as lágrimas caindo sem parar. “Eu preciso”, sussurrei. “Preciso manter você vivo.”

Damien se virou para seus homens, com a voz calma outra vez. “Deixem tudo pronto. Ela é minha agora.”

A voz do meu pai se partiu atrás de mim, mas eu não consegui olhar para ele. O mundo ficou borrado enquanto Damien passava por mim, seu perfume forte e sufocante, sua presença engolindo cada fio de luz que ainda restava no cômodo.

Naquele momento, eu soube que minha vida não me pertencia mais.

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