Contrato Encerrado, Começa a Obsessão

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Capítulo 7

POV da Lena

— Eu não vou mais fazer isso — continuei, cada palavra medida, deliberada. — Não vou renovar o contrato. Não vou pedir ajuda ao Rowen. E não vou fingir que esse casamento é qualquer coisa além do que sempre foi — um acordo de negócios que já passou da validade.

— Sua ingrata… — Ela se conteve, mas não rápido o bastante. A raiva por baixo, anos de ressentimento, tudo vindo à tona. — Eu criei você. Eu te dei tudo. E é assim que você me paga? Abandonando a família quando a gente mais precisa de você?

— Você não me criou. — As palavras saíram baixas, objetivas. — Você me treinou. Me moldou. Me transformou exatamente no que você precisava — uma filha perfeita, uma esposa perfeita, uma ferramenta perfeita para manter a imagem da família. Mas eu não sou uma ferramenta, mãe. E eu cansei de fingir que sou.

Você vai se arrepender disso. — A voz dela tremia agora, uma mistura de fúria e medo virando algo tóxico. — Quando a empresa quebrar. Quando o nosso nome for arrastado na imprensa. Quando você estiver em cima das ruínas de tudo o que o seu avô construiu, você vai desejar…

— Eu preciso ir. — Cortei antes que ela terminasse, os dedos já indo para encerrar a ligação. — Tenho trabalho pra fazer.

Lena—

Desliguei.

Por um longo momento, eu só fiquei ali, com o celular na mão, olhando a tela apagar. Então abri as configurações, encontrei o contato da minha mãe e toquei em “Não Perturbe”.

Três semanas. Só mais três semanas disso. Aí acaba.

Voltei para a estrada, mãos firmes no volante, olhos fixos no asfalto à frente. Atrás de mim, a propriedade dos Reynolds sumiu na névoa. À frente, as torres de Silverton surgiam mais nítidas, mais afiadas — inevitáveis.

Meu peito estava apertado. Minha garganta doía. Mas minhas mãos não tremiam, e minha voz — quando eu tinha falado — tinha saído perfeitamente estável.

Você passou a vida inteira atuando. O que são mais três semanas?

Só que não era mais atuação. Ou talvez sempre tivesse sido real, e eu só tivesse sido bem treinada demais para perceber a diferença.

Dirigi em direção à Madison & Partners, em direção a depoimentos, ligações de clientes e aos ritmos conhecidos do trabalho — que faziam sentido de um jeito que família nunca fez. A cidade me engoliu — vidro e aço e uma manhã clara, impessoal.

Se esta é a primeira vez que eu realmente escolho por mim mesma, pensei, entrando no trânsito do centro, então que comece agora.


O prédio da Madison & Partners se erguia trinta andares acima do distrito financeiro de Silverton, todo em vidro e aço e naquele tipo de riqueza discreta que não precisava se anunciar. Entrei na garagem subterrânea, desliguei o motor e fiquei um instante no silêncio.

A ligação com a minha mãe ainda ecoava nos meus ouvidos. A voz dela — fúria controlada mal escondendo o pânico. A exigência de que eu ligasse para o Rowen. A insistência de que lealdade à família significava me sacrificar no altar de uma empresa que o Marcus já tinha destruído por dentro.

Eu não liguei para o Rowen. E não ia ligar.

Três semanas. O contrato venceria em três semanas. O que quer que acontecesse com a Grant Investment depois disso não era minha obrigação consertar continuando casada.

Peguei minha pasta e fui em direção ao elevador, os saltos estalando no concreto. Armadura profissional. Foi assim que a Emily chamou uma vez — os ternos, a maquiagem perfeitamente neutra, o jeito como eu me movia pelo mundo como se estivesse sempre prestes a entrar numa tomada de depoimento.

Talvez ela tivesse razão.

O elevador me deixou no vigésimo oitavo andar. A Madison & Partners ocupava os três últimos andares — um lembrete visível da nossa posição na hierarquia jurídica de Silverton. A recepção era toda de madeira escura e iluminação suave, pensada para fazer clientes ricos se sentirem ao mesmo tempo poderosos e protegidos.

— Bom dia, doutora Grant — disse a recepcionista, com um sorriso ensaiado e agradável. — O doutor Madison pediu para falar com a senhora assim que chegasse. Sala de reuniões B.

Meu estômago se contraiu. Richard Madison não costumava chamar associados logo de manhã. Não a menos que algo importante estivesse acontecendo.

— Obrigada. — Mantive a voz firme, profissional. — Vou para lá agora.

A sala de reuniões B era de tamanho médio — grande o bastante para reuniões sérias, pequena o bastante para parecer íntima quando necessário. Richard já estava lá quando eu cheguei, junto com outros três sócios que eu reconheci: Sarah Chen, do contencioso empresarial; David Kim, que cuidava de transações internacionais; e Patricia Alvarez, da nossa equipe de fusões e aquisições.

— Lena. — Richard se levantou, indicando uma cadeira vazia. — Bom dia. Obrigado por vir.

Pousei a pasta, percebendo o jeito como todos me observavam. Atentos demais. Cuidadosos demais.

Com certeza tinha algo acontecendo.

— Claro. — Sentei, cruzei as pernas e ajeitei a expressão num interesse educado. — Em que posso ajudar?

Richard trocou um olhar com os outros sócios. Então sorriu — caloroso, entusiasmado, a expressão que ele usava quando estava prestes a colocar alguém num caso grande.

— A Reynolds Industries nos procurou — começou ele. — Eles estão planejando uma expansão importante na Europa. Aquisição de uma fabricante alemã, abertura de uma subsidiária de fintech na França e, possivelmente, operações adicionais no Reino Unido, dependendo da aprovação regulatória.

Minha caneta, a meio caminho do bloco, parou.

Reynolds Industries.

Claro.

— Eles precisam de suporte jurídico completo — continuou Richard. — Due diligence, revisão de conformidade, elaboração de contratos, navegação regulatória em várias jurisdições. Vai ser um dos nossos maiores trabalhos este ano.

Mantive o rosto neutro, mas minha mente já estava acelerando. A expansão do Rowen para a Europa. O projeto que ele mencionara meses atrás num jantar beneficente ao qual eu tinha ido ao lado dele, sorrindo e concordando enquanto ele falava em aproveitar o sucesso doméstico da Reynolds Industries para entrar em mercados internacionais.

— Parece complexo — eu disse, com cuidado. — Quem vai liderar?

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