Contrato Encerrado, Começa a Obsessão

Download <Contrato Encerrado, Começa a O...> grátis!

BAIXAR

Capítulo 5

POV de Rowan

O sono não veio. Fiquei sentado na sala às escuras até o amanhecer se insinuar pelas janelas, transformando o lago lá fora de preto em um azul-acinzentado, metálico. As palavras da minha mãe rodavam na minha cabeça como urubus: Covarde. Aterrorizado. Emocionalmente travado.

Você é exatamente o que a gente combinou que você seria.

Ouvi o chuveiro da Lena ligar no andar de cima, ouvi a rotina da manhã começar — os barulhinhos que eu tinha decorado ao longo de dois anos, sem querer. O rangido da porta do closet. O baque suave da caixinha de joias se fechando.

Mais três semanas, e eu nunca mais vou ouvir esses sons.

Era para esse pensamento trazer alívio. Em vez disso, parecia estar na beira de um penhasco, olhando as pedras lá embaixo.

Saí do sofá e fui em direção à cozinha. Café. Café da manhã. Rotinas normais de manhã que talvez me convencessem de que eu tinha tudo sob controle.

Minha mãe já estava sentada à mesa de jantar quando eu entrei; o café de sempre, intocado. A televisão murmurava ao fundo — algum jornal que eu nunca assistia.

— Cedo pra você — eu disse, me servindo.

Ela não respondeu. Estava com os olhos presos na tela, o rosto cuidadosamente neutro daquele jeito que significava que alguma coisa tinha dado muito errado.

Acompanhei o olhar dela.

"—investigadores federais prenderam Marcus Grant, diretor financeiro da Nexus Investment Company, sob acusações de uso de informação privilegiada e fraude no mercado de valores. A prisão ocorre após uma investigação de meses sobre supostos esquemas de propina e relatórios financeiros falsificados. As ações da Nexus Investment despencaram nas negociações antes da abertura do mercado—"

A caneca de café parou no meio do caminho até a minha boca.

Lena.

— Meu Deus — minha mãe soltou, quase num sussurro. — Isso vai acabar com eles.

A tela mudou para imagens do Marcus sendo levado do escritório algemado, o rosto controlado, mas os olhos, arregalados e inquietos. Atrás dele, repórteres gritavam perguntas. As câmeras estouravam como relâmpagos.

"—fontes próximas à investigação sugerem que Marcus pode ter desviado milhões das contas da empresa. Sua esposa, Vivian Bowen, herdeira única da fortuna da família Bowen e criadora da Nexus Investment Company, ainda não se pronunciou—"

— Rowan. — A voz da minha mãe saiu baixa. — A Lena sabe?

Pousei a caneca, e minha cabeça já fazia contas. Impacto no preço das ações. Pânico entre acionistas. A inevitável reunião do conselho em que a Vivian teria de explicar como deixou o marido — aquele desgraçado com quem se casou — destruir a empresa por dentro.

E a Lena, presa no meio de tudo.

A mãe dela vai transformar isso em arma. Vai usar pra manter a Lena presa — ao nosso casamento, às obrigações da família Grant, a tudo do que ela vem tentando escapar.

— Rowan. — A mão da minha mãe tocou meu braço. — Ela vai precisar de—

Passos na escada. Nós dois viramos.

A Lena apareceu no vão da porta, vestida com um suéter simples de cashmere e uma calça de alfaiataria; o cabelo ainda úmido do banho. Ela parecia fresca, composta, comum — até os olhos dela encontrarem a tela da televisão.

Eu vi o rosto dela se transformar. Não de um jeito dramático — esse não era o estilo da Lena. Mas, em dois anos observando-a, eu tinha aprendido a ler as microexpressões dela: o leve dilatar das pupilas, o quase imperceptível tensionar ao redor da boca, o jeito como os dedos se fechavam contra as palmas.

Ela ficou parada, imóvel, por exatos três segundos. Então foi até a mesa, puxou uma cadeira e se sentou com a mesma elegância calculada que ela levava para toda reunião de diretoria.

— Bom dia — ela disse, estendendo a mão para a cafeteira.

Mamãe encarou Lena. — Lena, querida, você…?

— Eu vi. — Lena se serviu de café com a mão firme, colocou creme, mexeu exatamente duas vezes. — Era só questão de tempo, na verdade.

O tom casual não me enganou. Eu via o pulso martelando no pescoço dela, o tremor discreto que ela estava segurando, o jeito como mantinha os olhos presos na xícara para não olhar para a tela.

— Você não precisa fingir — Mamãe disse com suavidade. — Isso é…

— Infeliz. — Lena deu um gole, sem deixar nada transparecer no rosto. — Mas nada surpreendente. O Marcus vem fazendo farra com o dinheiro da empresa há anos.

— Lena. — Mamãe se inclinou para a frente, a voz ainda mais macia. — Querida, escuta. Seja o que for que aconteça com a Nexus Investment — seja o caos que isso causar — você tem a família Reynolds do seu lado. Entendeu? A gente dá conta do estrago. A gente lida com a imprensa. A gente…

— Que gentileza — Lena interrompeu, ainda sem erguer o olhar. — Mas eu dou conta dos desastres da minha própria família.

— Você não devia ter que lidar com isso sozinha. — Os olhos de Mamãe foram para mim, afiados, exigindo. — Não é, Rowan?

Eu encontrei o olhar de Lena do outro lado da mesa. Por um instante, algo tremulou ali — não exatamente vulnerabilidade, não exatamente desespero, mas perto o suficiente dos dois para fazer meu peito apertar.

— Claro — eu me ouvi dizer. — O que você precisar.

— Eu não preciso de nada. — A voz de Lena estava perfeitamente nivelada, perfeitamente controlada. — Mas obrigada pela oferta.

Mentirosa.

Eu já tinha visto aquela atuação antes — a compostura cuidadosamente mantida, a recusa educada, as muralhas subindo tão altas e tão rápido que ninguém conseguiria escalá-las. Era o mesmo rosto que ela usava em depoimentos. O mesmo tom que reservava para clientes difíceis.

A mesma máscara que ela vinha usando desde o momento em que propôs esse maldito contrato.

— Pelo menos deixe a gente… — Mamãe começou.

— Não. — Lena pousou a xícara com um clique suave. — Eu agradeço a preocupação. Dos dois. Mas isso é um assunto da família Grant, e eu vou lidar com isso como deve ser.

Ela se levantou, alisou o suéter, pegou o celular. — Eu preciso fazer algumas ligações. Com licença.

Lena saiu da sala de jantar com o mesmo passo medido com que tinha entrado, a postura impecável, a expressão neutra. O único sinal de aflição era a mão agarrando o celular com os nós dos dedos brancos.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo