Contrato Encerrado, Começa a Obsessão

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Capítulo 3

POV da Lena

O carro deslizou pelo trânsito da noite em Silverton rumo ao The Oak Club, com as mãos do Rowan firmes no volante. Entre nós havia aquele tipo de silêncio que tinha virado rotina — não era hostil, só vazio. Como o espaço entre desconhecidos obrigados a dividir um elevador.

“Duração?” A voz dele cortou o silêncio.

“Três horas, no mínimo”, respondi, conferindo o celular. “Coquetel às sete, jantar às oito, dança às nove e meia.”

“Os Hartford?”

“Confirmado. Eles vão querer falar da fusão.” Rolei minhas anotações.

A entrada do The Oak Club surgiu à vista — colunas georgianas e uma pose de dinheiro velho. Os manobristas correram para a gente. Os flashes estouraram na área reservada para a imprensa. Endireitei a postura no automático, memória muscular de dois anos de treino.

“Pronta?”, perguntou Rowan, com a mão na maçaneta.

Não. “Sim.”

Ele contornou o carro e abriu a minha porta com a coreografia precisa que a gente tinha aperfeiçoado. A mão dele encontrou a minha quando eu desci, quente e firme e sem significado. Enlacei meu braço no dele; senti o bíceps tensionar de leve quando ele me puxou para mais perto.

Para as câmeras, nós éramos impecáveis — a advogada poderosa e o marido ainda mais poderoso, unidos e intocáveis.

Mais três semanas.


O salão brilhava com lustres de cristal e vestidos de grife. A mão de Rowan pousou na minha lombar — possessiva, ensaiada. A gente atravessou a multidão como peças num tabuleiro de xadrez, parando em cada grupinho da elite de Silverton para trocar as mesmas gentilezas ocas.

“Lena! Rowan!” Margaret Hartford, nossa parceira de negócios, veio direto até nós, taça de champanhe erguida. “Vocês dois estão radiantes. Claramente o casamento fez bem a vocês.”

“Estamos muito felizes”, eu disse, com as palavras lisas como seda. O polegar de Rowan desenhou um pequeno círculo nas minhas costas — parte do teatro, nada mais.

“Um casal tão lindo”, arrulhou Eleanor, uma parente distante do Reynolds. “E quando vocês vão dar uma boa notícia pra gente? A cidade inteira está esperando os herdeirinhos Reynolds.”

Meu sorriso não vacilou, mas minhas costas endureceram. A mão de Rowan pressionou um pouco mais forte a minha lombar.

“Essas coisas levam tempo”, ele disse, num tom com a dose exata de corte para encerrar o assunto.

Colin Summers, amigo do Rowan, se materializou ao nosso lado, com aquele sorriso de canto de sempre. “Ah, qual é — vocês estão casados há quanto tempo, dois anos? Essa suspense está matando todo mundo.” Ele piscou para mim. “Ou vocês estão esperando o momento perfeito?”

“A gente não vai discutir planejamento familiar num baile beneficente”, eu disse, leve, dando um gole no champanhe para evitar qualquer explicação.

“Reservada como sempre.” Colin se virou para Rowan. “Você é um homem de sorte, sabia?”

“Eu sei.” A voz de Rowan veio com aquela ponta de algo mais sombrio. O olhar dele deslizou até mim e demorou um segundo a mais do que devia. “Embora sorte não tenha nada a ver com isso.”

Transação. Contrato. Data de validade.

“Se vocês me dão licença”, eu disse, já me movendo na direção das portas da varanda. A multidão sufocava — sorrisos demais, suposições demais, mentiras demais pairando no ar como perfume caro.


A orquestra começou a tocar, anunciando o início da parte das danças. Rowan apareceu ao meu lado, estendendo a mão com a mesma expressão neutra de sempre.

“Vamos?”

Recusar chamaria atenção. Coloquei minha mão na dele e deixei que ele me conduzisse até a pista. A outra mão dele encontrou a minha cintura, puxando-me para a posição. Perto o bastante para nossos corpos se encostarem, longe o bastante para ainda sobrar um centímetro de decoro.

Nos movíamos em perfeita sincronia — outra habilidade que a necessidade nos obrigou a dominar. O perfume dele encheu meus pulmões, familiar e estranho ao mesmo tempo. Mantive o olhar em algum ponto por cima do ombro dele, observando outros casais rodopiarem, cada um no seu próprio teatro ensaiado.

— Seu sorriso tá estranho a noite toda — Rowan murmurou, o hálito quente junto da minha orelha. — Pensando no contrato?

A franqueza me pegou de surpresa. Encarei os olhos dele — cinza-aço, indecifráveis.

— Isso importa?

— Você que me diz. — A mão dele se moveu de leve na minha cintura. — Você é quem tá contando os dias.

— E você não? — As palavras saíram mais cortantes do que eu queria. Eu amaciei o tom. — A gente sempre soube o que era isso. Não finge que não.

— Eu não tô fingindo nada. — O maxilar dele se contraiu. — Mas é você quem mal consegue olhar pra mim.

Porque olhar dói. Porque toda vez que eu olho, eu lembro do que me convenci a ignorar.

— Você tá cansado — eu disse em vez disso, com a voz lisa. — Nós dois estamos. De interpretar esses papéis.

A música cresceu ao redor da gente. Os dedos dele apertaram, quase imperceptíveis, antes de afrouxar.

— Talvez você tenha razão.

Terminamos a dança em silêncio, os dois olhando além um do outro, para o nada.


Depois da dança, escapei para o terraço, precisando de um ar que não fosse pesado de espumante e julgamento. A noite de novembro mordeu meus ombros nus, mas eu aceitei o frio. Ele clareava minha cabeça, afiava as bordas que dois anos de encenação tinham deixado rombas.

Passos ecoaram atrás de mim. Claro que ele tinha vindo.

Rowan se apoiou no parapeito de pedra ao meu lado, tirando um charuto do paletó. A chama do isqueiro dele lançou sombras no rosto — ângulos duros e indiferença calculada. Ele puxou devagar, soltou uma fumaça que sumiu no escuro.

— Mais um mês — ele disse por fim, num tom que carregava algo que podia ser deboche. — Aí essa encenação toda acaba. Você deve estar aliviada.

Eu me virei para encará-lo de frente.

— Você tá tentando me provocar?

— Só puxando assunto. — Outra tragada. — Mas eu fico pensando… você vai sentir falta? Dos eventos, das aparições, do casamento perfeito que todo mundo inveja?

— Eu não vou sentir falta das mentiras.

— Mentiras. — Ele riu, um som amargo. — É assim que você chama agora?

— E você chamaria de quê? — Eu sustentei o olhar dele, me recusando a desviar. — A gente assinou um contrato, cumpriu as obrigações e agora acabou. Isso não é mentira, é concluir uma transação.

— Certo. Uma transação. — Ele girou o charuto entre os dedos, observando a brasa acender e apagar. — E quanto a…

— Quanto a o quê? — interrompi, com a voz dura. — A gente combinou. Dois anos, dissolução limpa, sem complicações. Você quer renegociar agora?

Os olhos dele se estreitaram.

— Você alguma vez se permite sentir alguma coisa, ou pra você tudo é negociação?

A pergunta acertou como um tapa. Meus dedos se fecharam no parapeito, as unhas cravando na pedra.

— Eu sinto muita coisa — eu disse baixo. — Eu só não confundo acordo comercial com o que ele não é.

— E eu sou o quê, Lena? — Ele deu um passo mais perto, perto o suficiente para eu ver meu reflexo nos olhos dele. — Mais um item pra você riscar da sua lista?

O mais importante. O que quase me quebrou.

— Você é exatamente o que a gente concordou que você seria — eu disse. — Nem mais, nem menos.

Ele me encarou por um longo momento, alguma coisa tremulando por trás da máscara cuidadosamente mantida. Então ele se endireitou, sacudindo a cinza para a escuridão.

— Justo. — A voz dele voltou a ficar fria. — Não ia querer complicar as coisas.

Rowan voltou para dentro sem dizer mais nada, me deixando sozinha com o vento de novembro e o peso de tudo o que eu não conseguia dizer.

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