Contrato Encerrado, Começa a Obsessão

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Capítulo 1

POV da Lena

O brilho fraco do abajur na cabeceira se espalhava pelo quarto na Lakeview Estate, projetando sombras leves nas paredes. O ar trazia um cheiro sutil de cedro, misturado a algo bruto, indomado. Minha respiração travou quando a mão de Rowan deslizou pela minha cintura, o toque lento, calculado, me atravessando como uma corrente elétrica. O calor da pele dele contra a minha era uma tempestade silenciosa, que eu sentia no acelerar do meu pulso.

“Para de pensar demais, Lena”, ele murmurou, a voz baixa e áspera, com os lábios roçando logo abaixo da minha orelha. O calor do hálito dele fez meu pescoço se inclinar de leve, num instinto que eu não consegui conter.

Eu não respondi. Meus dedos se fecharam nos lençóis de seda, o tecido frio sob a minha mão. A outra mão dele pousou no meu quadril, me puxando para perto com uma pressão firme, inflexível. Meu corpo respondeu antes que minha mente conseguisse intervir, e um suspiro baixo escapou quando o peito dele se pressionou contra mim, sólido e sem pedir desculpas.

“Você não consegue esconder”, ele disse, com um traço de sorriso na voz, enquanto os lábios dele deslizavam pela minha clavícula, cada toque uma faísca. O calor ficava, aumentava, mesmo enquanto eu lutava para manter a compostura.

“Quieto”, eu disse, a voz firme, mas fina, quase inaudível. Só que minhas mãos me contrariaram, subindo pelas costas dele, as pontas dos dedos roçando a pele dele só o bastante para arrancar um som grave. Os músculos dele se retesaram sob o meu toque, um reconhecimento silencioso da tensão entre nós.

Ele soltou uma risada escura, a boca encontrando a base da minha garganta. Meu pulso batia forte ali, e eu sabia que ele sentia. A língua dele roçou o ponto, e um som escapou de mim — baixo, involuntário. Minhas pernas se moveram, puxando-o para mais perto, eliminando qualquer distância até sobrar só calor e atrito.

“Sempre tão impaciente”, ele provocou, embora a própria respiração dele já estivesse irregular. A mão dele desceu, roçando por dentro da minha coxa, o toque leve, mas carregado. Meu quadril foi ao encontro dele, uma reação sem palavras, enquanto uma dor lenta se formava fundo dentro de mim.

“Rowan…” Minha voz saiu curta, controlada, mesmo tremendo ao dizer o nome dele. O olhar dele encontrou o meu por um segundo — escuro, indecifrável, pesado com algo que eu não ia nomear. Então os lábios dele vieram aos meus, duros e insistentes, afogando qualquer pensamento. O gosto dele, forte e defumado, era intenso demais, e eu acompanhei a intensidade, minhas mãos se enfiando no cabelo dele.

O aperto dele na minha coxa ficou mais forte, me guiando enquanto ele se movia, cada mudança precisa, empurrando a tensão mais alto. Minha respiração veio mais rápida, rasa, cada uma marcada por um som que eu não conseguia abafar por completo. O nome dele escapou de novo, mais baixo dessa vez, enquanto a pressão se apertava, se enrolava ainda mais.

“De novo”, ele rosnou perto da minha orelha, a voz áspera, cheia de intenção. A mão dele se moveu com propósito, encontrando exatamente onde eu precisava, e eu puxei o ar com força, minhas costas arqueando, saindo do colchão. O ritmo, a intensidade — era implacável.

“Rowan”, eu disse, a voz esticada, tensa, e pareceu que isso mexeu com alguma coisa nele. O ritmo dele acelerou, o jeito dele me segurar ficou firme, como se ele não conseguisse — ou não quisesse — soltar. Tudo se estreitou até virar só este momento, o calor, o atrito, a força silenciosa que puxava nós dois um para o outro.

Meus dedos afundaram nos ombros dele quando a tensão se desfez, e um som agudo escapou de mim — contido, mas real. Meu corpo tremeu de leve, cada nervo em alerta, cada respiração irregular. Ele veio logo depois, um som baixo e áspero vibrando no peito enquanto ele ficava imóvel, o peso dele sendo por um instante uma âncora contra mim antes de se mover.

Por um momento, ficamos ali, em silêncio, o ar pesado com o que tinha acabado de acontecer. A respiração dele desacelerou, acompanhando a minha, mas nenhum de nós falou. Ele se virou de lado, uma mão ficando na ponta do lençol em vez de em mim. Eu encarei o teto, meu peito subindo e descendo num ritmo calculadamente calmo, mesmo com a minha mente em turbilhão.

Fui eu que me sentei primeiro, puxando o lençol ao redor do corpo, a seda fria contra a pele. Meus movimentos foram deliberados, controlados, enquanto eu criava distância. “A gente precisa conversar”, eu disse, com a voz firme, sem entregar nada da correnteza por baixo.

Ele não se mexeu; só me observou com aquele olhar indecifrável, o maxilar travado. “Sobre o quê?”

“O contrato.” Virei um pouco a cabeça, encontrando os olhos dele sem vacilar. “Está quase acabando. Dois anos, como combinado. Eu não vou renovar.”

Um silêncio longo se estendeu entre nós. A expressão dele não mudou, nenhum lampejo de surpresa ou protesto. Só um olhar frio, avaliador, como se eu tivesse comentado sobre o tempo. “Então essa é a sua decisão”, ele disse por fim, num tom plano, distante, como se estivéssemos discutindo uma cláusula de negócio.

“É.” Mantive a voz estável, as mãos dobradas no colo, os dedos imóveis. “Eu já pedi ao meu advogado para preparar os documentos de rescisão. A gente termina quando o prazo acabar.”

Ele assentiu uma vez, quase imperceptível, e também se sentou, o espaço entre nós virando um abismo silencioso. “Tudo bem. Se é isso que você quer.” As palavras dele saíram curtas, sem calor nem discussão, como se o assunto já estivesse encerrado. Ele passou a mão pelo cabelo, a postura casual, mas os olhos não saíram dos meus — atentos, investigativos, apesar da indiferença.

Eu não respondi; não precisava. O ar entre nós ficou mais denso, não de raiva nem de arrependimento, mas de alguma coisa não dita, uma tensão que nenhum dos dois nomearia. Eu me levantei, ainda com o lençol sobre o corpo, os pés descalços tocando o assoalho frio. Cada passo em direção ao banheiro foi medido, as costas retas, o rosto uma máscara de calma.

“Lena”, ele disse, justo quando eu alcancei a porta, a voz baixa, neutra. Eu parei, com a mão no batente, mas não me virei. O que quer que ele fosse dizer em seguida não veio, e o silêncio pesou ainda mais.

Entrei e fechei a porta com um clique suave. Encostada nela por um instante, eu soltei o ar, a respiração firme, as mãos caídas ao lado do corpo. É só um contrato. Nada além disso. O pensamento era um mantra, que eu repetia para mim mesma enquanto encarava meu reflexo no espelho — calma, composta, inabalável. Mas o peso quieto no meu peito, o eco fraco do toque dele, ficou ali, uma contradição que eu não ia admitir.

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