Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'Angelo

Download <Contrato de Casamento - O Segr...> grátis!

BAIXAR

Capítulo 8 8

Heitor

— Olha ele aí! — Tadeu, meu assessor pessoal diz, entrando em meu escritório. E essa sua alegria espontânea demais me faz revirar os olhos, pois eu sei que aguarda boas notícias da minha última reunião em família.

Nascer no berço de ouro da família D’Angelo traz algumas coisas muito, muito boas: o sucesso e o dinheiro são algumas delas. Tem também as mulheres gostosas e a extravagância das festas. Embora tenha o seu lado todo ruim também. As mulheres sempre me olham como se você fosse um enorme pote de ouro no final do arco-íris. Além disso, não tenho a liberdade de ir e vir. E tem todo o peso de um império sobre os seus ombros.

— E então? Como foi lá? Está mais milionário do que ontem, ou…

Rio com sarcasmo.

— Você não vai acreditar, mas a minha mamãezinha deixou uma exigência no seu testamento. Acredita que ela exigiu um casamento com amor e todas aquelas frescuras possíveis?

— Puta merda! — resmunga, puxando uma cadeira para se sentar.  — No que ela estava pensando?

— Ela quer me castigar. Simplesmente impor a sua vontade sobre mim. Coisa que não conseguiu ao longo desses anos enquanto estava viva.

— E agora?

Dou de ombros.

— A maldita herança ficará guardada em um cofre até que eu apresente a porra de uma certidão de casamento.

— Bom, você tem um relacionamento legal com a Ellen. Será que com uma conversa e a imposição de alguns termos…

— Nem pensar! — O corto bruscamente. — Ellen está esperando por isso há meses e você sabe o que ela sente por mim. Preciso de alguém improvável. Alguém que aceite os meus termos e que não me conteste. Conversarei com os meus advogados e pedirei alguns termos que lhe dê apenas o que eu propor e pronto.

— Você sabe que isso é uma grande merda, não é? Heitor, não existe uma mulher que não tenha interesse em pôr a mão no seu bolso. E ficar presa a um homem egocêntrico como você, custará muito caro.

— Então oferecerei o irrecusável. Um valor que lhe dê uma estabilidade financeira por alguns bons anos.

— Você é maluco, sabia? Se quiser eu posso fazer uma lista para você.

— Não. Eu quero uma mulher que realmente esteja no limite. Alguém realmente com a corda no pescoço. Assim ela aceitará qualquer condição sem pestanejar.

Ele arqueia as sobrancelhas.

— E onde pretende encontrar essa garota desesperada?

— Eu não faço ideia. Mas sei que encontrarei uma.

— Senhor D’Angelo, a Senhorita Montréal está aqui para vê-lo. — Minha secretária avisa através do ramal e no mesmo instante rolo os olhos, ouvindo o som dá risada debochada do meu assessor.

— Então, deixarei os dois a sós. Eu tenho muito o que fazer. — O homem ralha, levantando-se da cadeira e caminha para a porta.

— Encontre a garota e me avise quando achar a pessoa certa para este trabalho.

— Você que sabe. Eu colocaria a Ellen na ponta da agulha. Você já a come mesmo.

— Olha essa boca, Tadeu! — ralho. Ele dá mais gargalhadas e sai.

A porta volta a se abrir e Ellen Montréal passa por ela. Observo o vestido apertado demais, desenhando cada detalhe do corpo esguio, cada curva exageradamente gostosa e uma fenda fatal, que revela a deliciosa coxa esquerda. Os cabelos negros estão soltos e descansam em um dos ombros, dando-lhe um chame especial, exuberante e sexy. Ela desce os dois degraus e sorrir para mim, revelando o sorriso branco em contraste com o batom extremamente vermelho nos seus lábios.

Como um bom anfitrião, levanto-me da cadeira executiva, ajeito o meu terno de três riscas e caminho ao seu encontro.

— Heitor, querido. — Ela sussurra, aproximando-se para um beijo lento e demorado. Que eu não retribuo.

— O que faz aqui. Ellen? — rosno, ignorando o seu gesto carinhoso.

— Eu vim visitá-lo, não posso?

— Sabe o que eu penso sobre isso, não é?

— Ora vamos, querido. Estamos tendo encontros esporádicos há meses, e…

— Isso porque você resolveu pegar no meu pé.  — A corto.

— Não seja um imbecil, querido! Assim você me faz pensar que sou uma garota volúvel. E você sabe que eu te amo!

Sinto até uma coceira na pele só de ouvir essa última frase sair da sua boca.

O fato é que estou por um fio com Ellen Montréal. Desde que a conheci através de sua irmã Anna Montréal, ela simplesmente grudou em mim. E a coisa piorou ainda mais quando Anna foi sequestrada a pouco mais de dois meses e consequentemente assassinada devido um resgate malsucedido. Enfim, coisas da ganância pelo dinheiro. Todos sempre querem um pouco mais dele, não importa a forma. Depois dessa tragédia, não soube como me livrar das suas malditas garras femininas. Ellen sabe que não sou um homem de sentimentos fracos. Amor, romance, flores, jantares, essas palavras simplesmente não existem no meu vocabulário. Fiz questão de riscá-las quando descobri que esse sentimento não existe de verdade. Que tudo não passa de uma fachada e apenas deram um nome bonito para a promiscuidade e o interesse descarado das mulheres.

Ellen Montréal é uma bela dama da alta sociedade, mas ela não foge aos padrões da classe feminina.

Machismo da minha parte?

Não, isso se chama realismo.

— O que você quer? — indago rude e lhe dou as costas para ir à minha mesa.

— Almoçar com você.

— Não!

— Heitor!

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo