Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'Angelo

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Capítulo 3 3

Isadora

Sobre esses apelidos malucos, meu irmão me chama de feijãozinho desde que ele não parou de crescer. Eu não tenho uma estatura baixa, mas ele é exageradamente alto. Tão alto que me sinto minúscula perto dele. Daí esse apelido idiota. E eu o chamo de ET por ser o único diferente da família Dixon. John é ambicioso. Ele tem uma visão além das suas expectativas e tem um jeito completamente diferente de conquistar seus objetivos. Enquanto ele pensa em crescer financeiramente sem qualquer planejamento, eu insisto que ele precisa de perspectivas e de um objetivo mais sério.

Isso é bobagem! Ele resmunga sempre que toco no assunto. Enfim, ele é mesmo um ET.

— Estarei lá, pode me esperar.

— Ótimo! Encontre uma roupa Black Tie, porque você não tem como fugir dessa.

— E nem quero, maninha linda. — Logo ele envolve o meu ombro com seu braço e eu abraço a sua cintura para sairmos da garagem.

— Oh, meus bebês vocês chegaram!

Essa é a Dona Sara Dixon babando nas suas crias bem na entrada da nossa casa. E como se ela fosse uma galinha amparando seus filhotinhos, nos envolve com seus braços como se não nos visse há anos. E deliberadamente começamos um ataque de beijos em suas bochechas macias, arrancando-lhe muitas risadas.

— Onde está o papai? — John procura saber assim que a brincadeira termina.

— No escritório, querido.

— Perfeito. Eu preciso falar com ele.

— Mas não demore, o jantar logo será servido.

— Pode deixar, mamãe. — Assim que John desaparece dentro de um corredor que leva ao escritório. Sara volta o seu olhar para mim, mantendo o seu sorriso amplo, mas é o brilho em seus olhos que me deixa em expectativas.

— Temos uma surpresa para você, filha. — Ela diz, fazendo mistério.

— Para mim? O que é?

— É o seu presente de formatura. — Sorrio amplamente. — Mas, só direi o que é durante o jantar. Agora suba, se livre dessa bolsa pesada, tome um banho e desça.

— Entendi, a Senhora vai me matar de curiosidade até a hora do jantar — retruco com fingida indignação.

— Pode apostar que sim, querida. Faremos isso em família.

— Sabe que eu amo surpresas, mas, odeio ter que esperar por elas — confesso com humor, lançando lhe um olhar divertido. Contudo, subo a escadaria com pressa, largo a minha bolsa em cima da minha cama e vou direto para o banheiro. Me livro da minha roupa e tomo um banho relaxante em seguida.


Na hora do jantar já estou ansiosa pela tal surpresa. Entretanto, o clima me parece meio estranho. John que antes tinha um sorriso alegre, agora está sério e não tira os olhos do seu prato intocado. Papai também está silencioso e o seu garfo se ocupa em espalhar a comida de um lado para o outro do seu prato e mamãe… bom, não vejo o seu sorriso habitual, nem mesmo o brilho que tanto amo nos seus olhos. Essa família é ridiculamente falante na mesa, mas o silêncio dessa noite está me deixando preocupada.

Desperto dos meus pensamentos com um arrastar inesperado de uma cadeira e papai fica de pé de repente.

— Eu preciso sair. — Ele anuncia deixando a minha mamãe agitada. Ela larga os talheres dentro do prato e vai atrás dele na sala. Encaro o meu irmão que mantém os seus olhos no seu prato.

—O que está acontecendo? — O questiono, mas ele solta um suspiro teatral e me encara com um certo desdém.

— Não foi nada, Isa.

Isa? Desde quando ele me chama assim?

— São só dramas da família Dixon. Você já conhece bem.

Drama, mas do que ele está falando?

— Você já devia ter se acostumado com isso.

— E você vai ficar aí sentado? — retruco irritada, porém, John parece não se abalar com nada. Irritada, largo o guardanapo em cima da mesa e vou atrás dos meus pais na sala.

Me pergunto desde quando a família Dixon é gramática. Quer dizer, sempre fomos unidos e sempre tivemos o pé no chão. Drama com certeza não faz parte do nosso cotidiano.

— Mamãe? Papai? — Chamo quando encontro a sala vazia. No entanto, a porta está entreaberta e decido ir para fora de casa, a tempo de ver o carro do meu pai sair da propriedade. — Para onde ele está indo? — pergunto. Em resposta, escuto uma respiração profunda da minha mãe e percebo-a secar o canto dos seus olhos. E só então ela se vira para olhar nos meus olhos.

— Vai ficar tudo bem, filha. — Sara força um sorriso.

Bufo contrariada.

O que eles pensam que eu sou, uma criança? Eu sei que tem algo acontecendo aqui, mas o quê?

Sem ter muito o que fazer volto para o meu quarto, porque apetite que é bom, já não tenho mais. E assim que entro no cômodo, me livro das minhas roupas e ponho algo mais confortável, deixando-me cair no colchão macio e encaro o teto.

Juro que pensei que esse dia seria perfeito, mas foi bem bizarro. Viro-me de lado e fecho os olhos, vencida pelo cansaço em segundos.


Horas mais tarde…         

Os sons abusivos de sirenes me despertam, me fazendo soltar alguns resmungos de desgosto, e agitada, me mexo na cama. Meus olhos correm preguiçosos e cansados para o relógio em cima do criado mudo e eu solto um gemido frustrado ao perceber que dormi um pouco mais de uma hora. Respiro fundo e me forço a dormir outra vez. Contudo, sou despertada pelo barulho de um carro e penso que ele finalmente voltou para casa. Ansiosa, salto para fora da cama e corro para uma janela. Entretanto, franzo a testa quando vejo um carro da polícia estacionado. Nervosa, me afasto da janela, visto um sobretudo de ceda e desço as escadas com pressa. O choro de desespero de Sara me angustia e eu vou imediatamente ao seu encontro.

— Mãe, o que foi? — pergunto, quando as suas forças se acabam e eu a seguro do jeito que posso. Encaro os policiais. — O que está acontecendo.

— Aconteceu um acidente, Senhorita Dixon. — Meu coração dispara.

— O meu, ele está bem? — Procuro saber. Um gesto no olhar sério e piedoso me faz estremecer por dentro.

— Eu sinto! — Ele sibila.

— Não! — sussurro, a abraçando mais forte. — Por favor não! — rogo baixinho, ajoelhando-me no chão para melhor apoiá-la. Contudo, não seguro as lágrimas de dor.

Os próximos minutos não são nada fáceis para mim. O meu mundo perfeito está desabando com tudo e eu não tenho forças para mantê-lo de pé. Sara não está nada bem e o John…

Mas que droga, onde está o John?

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