Capítulo 2 2
Isadora
— Isadora, o professor de matemática precisa falar com urgência na sala dele. — Geórgia, a secretária me avisa assim que entro no hall da universidade.
— Ok, Georgia, obrigada!
E falando em Franklin Aragon – meu professor de matemática, ele é um dos melhores professores dessa universidade. Sério, o homem dorme e acorda com os números e se brincar, ele bebe, come e respira algarismos também. No entanto, desde que estamos chegando as etapas finais tenho notado os seus olhares em cima de mim.
Não é de todo ruim.
A final, Franklin é um gato e tem uma presença que chamar a atenção da mulherada. Entretanto, pode ter certeza de que eu faço até ideia do que ele tem para falar comigo.
— Eu vou procurá-lo logo após a prova — falo e vou para um dos corredores.
Uma hora e meia depois…
Exaustivo, entediante e sôfrego.
Esses foram os adjetivos que escutei pelos corredores após longos minutos encarando uma prova de cálculos. Isso me faz perguntar se sou realmente normal, pois eu simplesmente amei o exercício e tirei de letra cada fração contábil.
— A galera está combinado de ir para Stop Food. Você vem? — David pergunta, me alcançando dentro do longo corredor.
— Não dá. Preciso ir à sala do professor Franklin.
— Franklin? O que ele quer? — Dou de ombros.
— Vai saber — grunho com desdém.
— Ok, eu te ligo para saber como foi. — Meu amigo fala quando paramos na frente da sala do professor. Apenas aceno para ele e antes de abrir a porta, deixou duas batidinhas na madeira.
— Entre! — Uma voz grossa e firme ordena e eu entro logo em seguida.
Franklin entra no meu campo de visão. Ele está sentado atrás da sua mesa retangular de madeira escura, corrigindo algumas provas. O observo concentrado no seu trabalho por alguns instantes e isso me dá a chance de apreciar a sua beleza masculina. Cabelos cheios, de um castanho claro e algumas mechas caindo em sua testa lhe dão um charme a parte. Uma barba rala e bem desenhada emoldura o seu rosto quadrado.
Mordo o lábio inferior. Contudo, fecho a porta cuidadosamente e antes de dar alguns passos para perto da sua mesa, limpo a minha garganta para chamar a sua atenção.
— Ah, Isadora. — Ele ralha, largando a caneta em cima dos papéis e fica de pé.
— Queria falar comigo, professor? — Ele meneia a cabeça, fazendo um sim e me aponta uma cadeira, que educadamente me acomodo.
— Antes de tudo, gostaria que soubesse que acabei de corrigir a sua prova.
— Ah? — Petulante, arqueio as sobrancelhas, pois sei exatamente qual é o resultado dela.
— Você é mesmo incrível, menina! — Abro um sorriso presunçoso.
— Obrigada, professor!
— Enfim, não era sobre isso que eu gostaria de falar.
— Sobre o quê então?
— É que… estou de olho em você já faz algum tempo, Isadora — declara, me deixando meio inquieta. — E como já estamos no final do curso, eu gostaria de te chamar para sair.
Ok, engoli em seco agora.
Quer dizer, ele é realmente muito lindo, sexy e atraente também. Só tem um probleminha nessa equação. Após o foco desse curso, o meu segundo foco será entrar para uma das maiores empresas de contabilidade de Seattle – a D’Angelo Corporation – e para isso terei que dar outro mergulho profundo no país dos números, mas esse mergulho precisa ser bem mais profundo mesmo. Precisarei de um tempo para me dedicar e estudar para uma prova de seleção e depois para uma entrevista, e assim poderei chegar ao topo, e finalmente relaxar.
— Entenda, não estou querendo um compromisso sério ou algo do tipo por agora, Isa. — Ele continua. — É mais para nos conhecermos melhor mesmo.
Transar, professor, por que não vai direto ao ponto? Penso entediada.
— Gostaria de saber se você gostaria de sair para jantar comigo?
Jantar? Nada de dançar ou de tomar uma cerveja gelada?
Ok, eu sei que estou sendo um tanto exigente e talvez um tanto incompreensiva, mas não tenho tempo para essas coisas fúteis. Não agora.
— Sinto-me lisonjeada com o seu convite, professor, sério. Mas, eu tenho outros compromissos nesse momento. Fica para uma próxima vez? Agora ele arqueia as sobrancelhas grossas para mim. Parece não acreditar na minha recusa. Eu até entendo. Bonitinho do jeito que é, provavelmente nunca recebeu um não como resposta na vida. Contudo, se eu aceitar não serei eu realmente.
Eu posso explicar essa parte.
Isadora Dixon namora sério, ela não tem ficantes. Sim, eu sou mais do tipo sonhadora, que acredita na família, no casamento com amor e tal. Vejo isso nos meus pais e quero isso para mim também. No entanto, a longo prazo. Não agora. Contudo, isso não quer dizer que eu tenha que ir para a cama com gatos e cachorros, certo? O que não é o caso do meu professor aqui, mas é como eu disse; agora não dá.
— Era só isso? — pergunto quando ele não me diz nada.
— Ah… sim… era só isso. — É, ele parece meio sem jeito.
Será que eu fui grosseira?
Ah, é tão chato ter que dizer não para um rosto tão bonito. Ainda mais quando ele fica aturdido desse jeito.
— Nesse caso, tenha um ótimo dia, professor! — digo, me levantando da cadeira para sair da sala.
No meio do caminho o cansaço já quer tomar conta do meu corpo e eu não vejo a hora de estar em casa e de cair na minha cama. Não demora muito e estaciono o carro na garagem no mesmo instante que o meu irmão estaciona o carro dele ao lado do meu. Saímos dos veículos quase que com movimentos sincronizados e ao mesmo tempo.
— Feijãozinho? — John fala, abrindo os seus braços para me receber. — Como o seu dia no país dos números? — indaga com a sua alegria esfuziante de sempre, enquanto me aperta no seu abraço.
— Finalmente conclui a minha última prova e nesse final de semana teremos uma festa de formatura. Vê se não esquece, hein, seu ET! — ralho, apertando as suas bochechas.
