Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'Angelo

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Capítulo 10 10

Heitor

No dia seguinte…

— Senhor D’Angelo, o Senhor Tadeu está aqui para vê-lo.

— Ok, mande-o entrar. — Assim que a porta se abre encaro o meu assessor babaca e arqueio as sobrancelhas sugestivamente para ele. — Que palhaçada foi essa agora? — indago para o malandro, mas ele simplesmente dá de ombros e se acomoda em uma cadeira de frente para a minha mesa.

— Sempre quis ouvir a gostosa da sua secretária anunciar meu nome — confessa de uma forma natural.

O idiota rir e ajeita a gravata impecável no pescoço.

— Deu para sentir algum tesão pelo menos? — ralho irônico, mas ele parece não se importar com isso.

— Por que mandou me chamar?

— Preciso que descubra quem é ela e o que faz. — Lanço um envelope na sua direção. Tadeu abre curioso e começa a ler em silêncio. — Eu quero saber de tudo sobre essa garota — rosno, quando ele tira os olhos de cima do currículo para me encarar.

— Acha ela uma candidata provável?  — indaga, olhando a foto da morena. Encosto-me na cadeira e fito o homem de pele negra, que me lança um olhar especulativo.

— Eu não faço ideia. Mas algo nela me chamou a atenção.

— Tudo bem. Contratarei um detetive e em menos de vinte e quatro horas darei todas as respostas de que precisa.

— Não. Eu quero que você faça isso pessoalmente.

Tadeu rola os olhos para mim.

— Qual é, Heitor?! Você sabe que eu sou um homem muito ocupado e que isso não faz parte do meu trabalho!

— Não fazia! — rebato um tanto rude. — Comece aqui mesmo na empresa — seus olhos se arregalam para mim e sua boca se abre em um O. No entanto, levantando-me e vou até o vidro transparente para observar a cidade.

— Puta merda, ela trabalha aqui?

— Talvez. Eu nunca a vi por aqui até ontem.

— Essa será fácil. — Ele comemora. — Diva do RH pode me dar uma boa direção.

— Viu? Falei que você era o homem para este trabalho. — Volto a encará-lo.

— Não falou não. Mas farei em nome da nossa amizade.

— Ou do dinheiro, seu puto — resmungo com humor e escuto o som da sua gargalhada sonora, enquanto ele se dirige para a saída do escritório.

— Você mais do que ninguém sabe que essa é a engrenagem que movimenta o mundo, meu amigo.

Reviro os olhos para o seu comentário, e a porta finalmente se fecha, trazendo o silêncio de volta.


Horas mais tarde…

Aprendi muito cedo a ter responsabilidades e nunca me aproveitei da boa vida que o meu pai me oferecia. Então ser chamado de filhinho de papai nunca esteve nos meus planos. Ainda mais depois que tudo aconteceu. Assino o último documento do dia, largando a caneta em cima dos papéis e giro a cadeira para encarar o céu estrelado atrás de mim. Fico preso à bela imagem, até que o meu computador faz um sinal de mensagem e eu solto o ar com força para ver do que se trata.

É uma mensagem de Tadeu. Constato e a abro imediatamente, encontrando a melhor notícia do meu dia inteiro.

Sorrio e solto o ar com força, pegando o meu celular para ligar para o meu advogado.

— D’Angelo? Boa noite!

— Max, preciso que redija um documento de confidencialidade e um contrato para mim.

— Tipo, agora? — Ele indaga. — É que eu já estava saindo do escritório.

— Preciso desses documentos para ontem, Max — retruco e escuto o som da sua respiração consternada.

— Tudo bem. O que quer que ponha nele?

Passo para ele as devidas instruções e assim que encerro a ligação ligo para Beatrice, a mulher que garante a minha diversão noturna.

— Bonne nuit Seigneur D’Angelo! — Ela sibila um francês perfeito. — Qual será o pedido para essa noite? — A mulher cantarola com sensualidade do outro lado da linha, fazendo-me soltar um suspiro apreciativo.

— Mande duas das suas melhores garotas.

— Hum, alguma comemoração especial?

— Espero que sim.

— E qual será a preferência dessa vez?

— Não sei. Que tal se você me surpreendesse, mademoiselle Beatrice?

— Ah, você não faz ideia do quanto amo o ouvir sibilar um francês para os meus delicados ouvidos! — Ela solta uma respiração audível e manhosa. — Me pergunto quando teremos um momento a sós? Sabe que te pegaria de jeito, não é?

Abro um sorriso safado para a sua tentativa.

— É, eu sei. Mas temos um acordo e um envolvimento não seria bom para os negócios.

— Você é um chato, pretensioso e cheio de regras!

O som da minha risada preenche o meu escritório.

— Eu sei e você gosta disso.

— Pior que gosto. Mesmo horário de sempre?

— Sim. Aguardarei ansioso pela minha surpresa.

Sua risada ecoa do outro lado e eu encerro a ligação

Conheci Beatrice Rossi nos tempos de faculdade mais propriamente em uma danceteria. A garota afrodescendente de cabelos curtos e encaracolados fazia shows de esquentar os corações solitários e tinha a capacidade de fazer os mortos ressuscitarem. Se é que entendem o que quero dizer. E o fato de ela ter muitas amigas no ramo me fez lançar lhe uma proposta, que ela aceitou sem pensar duas vezes. Eu nunca quis um compromisso, nem mesmo uma relação duradoura ou um sentimento, onde seria obrigado a entregar o meu coração para uma mulher. O trabalho de Beatrice é enviar-me as melhores e mais exuberantes mulheres para a minha cama e ela receberia a melhor gratificação que jamais receberia naquela boate.

Como CEO de uma das maiores empresas de administração direito e contabilidade preciso estar muito bem acompanhado em alguns eventos, então é a Beatrice que recorro nessas horas e em outras também.

— Senhor D’Angelo, precisa de mais alguma coisa? — Lena pergunta, surgindo na minha sala e quebrando os meus pensamentos. Olho para o meu relógio de pulso e meneio a cabeça de forma negativa.

— Não, Lena. Já pode ir. Também já estou de saída.

A loira abre um sorriso profissional, assente e sibila um boa noite, saindo em seguida.

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