Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'Angelo

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Capítulo 1 1

Isadora

Alguns meses antes…

— Vira! Vira! Vira! — A galera começa a gritar em um coro animado, quando Alicia e eu começamos a virar uma fileira de shots de tequila, em uma concorrência acirrada. E já no terceiro copo, a minha cabeça dá um leve giro. — Éeeee!!!! — Eles vibram quando viro o meu último shot e em comemoração, pulo nos braços do meu melhor amigo, David.

— É isso aí, garota! — Ele diz com empolgação.

Meu nome é Isadora Dixon e essa pequena farrinha é uma comemoração com os meus amigos mais chegados da faculdade de contabilidade. Quer dizer, falta apenas uma prova para a minha formatura, mas comemoração nunca é demais, certo? Enfim, essa sou eu, uma garota extrovertida, apaixonada pela vida e que sonha com um mundo através dos números. Mas não se enganem, eu sou bem determinada e opiniosa quando quero.

— Que tal uma dança? — David pergunta se afastando um pouco. Mas a verdade, é que estou tonta demais para fazer isso agora. Portanto, ergo um dedo e sorrio para ele.

— Eu preciso me sentar um pouco.

Enfim, eu nasci no seio de uma família com veias italianas e acredito que é daí que vem a minha determinação. Ah sim, eu tenho poucos amigos no momento – alguns da faculdade mesmo – e não pense que é por timidez, porque se tem uma coisa que eu não sou, é tímida. O fato é que desde que ingressei a faculdade os meus amigos de infância seguiram seus rumos e por isso tive que começar do zero. Contudo, nada complicado de se fazer.

Namorados?

No momento não tenho, pois tive que focar no meu curso de contabilidade que é a minha maior paixão e isso exigiu um pouco mais do meu potencial.

Filhos?

É, talvez eu me case um dia. E talvez eu tenha pelo menos uns cinco… ou seis.

Brincadeirinha!

Família? Ah, eu amo a minha família!

O meu pai Andrew Dixon é um dos maiores empresários que já conheci na vida e foi com ele que tudo que sei sobre finanças, cobranças, taxas de adesão e muito mais. Mas principalmente sobre o senso de responsabilidade e de seriedade em tudo que se faz. Fora do seu escritório, Andrew é um homem alegre, apaixonado por sua esposa e por seus filhos. Vale lembrar que ele que fez de mim o que sou hoje e sinto muito orgulho da pessoa que me tornei.

— Você está bem? — escuto alguém dizer para Alicia, que tem um semblante verde e a galera não se segura quando ela começa a pôr tudo para fora.

— Oh nossa! — Paul retruca, se afastando da namora.

Idiota! Resmungo mentalmente.

— Vem, eu vou te ajudar! — digo, ajudando-a a ficar de pé e vamos para o outro lado do salão, direto para o banheiro feminino.

Ainda sobre a minha família, Sara Dixon, minha mãe tem uma alegria ímpar e acredito que herdei esse lado dela. Ela é uma mulher forte, formidável e uma boa ouvinte também. Ah, e tem o John. Ok, John Dixon é meu irmão mais velho e ele foge um pouco as regras da nossa família pacata e feliz. Entretanto, eu o amo mesmo assim. Enfim, como podem ver, eu tenho uma vida maravilhosa e se melhorar mais que isso, estraga.

— Chegamos, Senhorita.

O taxista avisa, me despertando dos meus devaneios e atordoada, encaro os portões prateados da mansão Dixon. É, você ouviu mansão mesmo. E porque uma garota como eu, que mora em uma mansão está andando de Táxi? A resposta é: bebida e direção não se casam e eu acabei de chegar de uma balada que perdurou a noite inteira.

— Obrigada, Senhor!

sibilo para o homem com uma boina preta na cabeça e lhe estendo o valor pela corrida, saindo do carro em seguida. Na calçada, me espreguiço e após ajeitar a bolsa a tira colo no meu ombro, caminho para dentro da propriedade, carregando os meus saltos altos na mão. É segunda-feira e o dia está radiante e ensolarado, e mesmo não tendo dormido um só minuto, eu tenho planos para esse dia. Primeiro, tomar um banho demorado e relaxante. Depois, um café da manhã bem reforçado e por fim, ir para a faculdade mergulhar de cabeça nos números.  Eu sei. Eu sei. É loucura e eu deveria dormir um pouco, mas festejar o final do curso a noite toda tem o seu preço e eu realmente não posso faltar a minha última prova, certo? Portanto, entro na mansão, encontrando-a quieta e silenciosa, pois ainda é muito cedo e provavelmente os habitantes dessa casa ainda estão em suas camas dormindo o sono dos justos.

Menos o John claro. Esse provavelmente ainda deve estar na rua inventando mais uma maneira de fazer dinheiro fácil.

É incrível como somos diferentes!

— Oh céus, que delícia! — resmungo quando a água morna cai sobre o meu corpo, fazendo cada músculo relaxar no processo.

— Filha, por que não se senta para comer? — Mamãe questiona quando pego apenas uma fruta na fruteira.

— Não dá, mãe, estou atrasada. — Beijo rapidamente a sua bochecha e faço o mesmo com o meu pai, para sair apressada do cômodo.

— Tenha uma boa prova, querida!

— Obrigada, papai! Eu amo vocês!

Em uma fração de segundos estou dentro do meu carro e enquanto dirijo, escuto a minha própria voz nos meus fones de ouvidos. É meio louco, mas tenho o hábito de gravar enquanto estudo para algum exame. Isso me ajuda a relembrar a matéria durante o meu trajeto, já que não posso enfiar a cara nos livros. É, eu sei, pareço maluca, obcecada com tudo isso, mas acredite, isso funciona para mim.

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