Capítulo 9
Ponto de vista de Lily
A sala mergulhou em um silêncio atônito enquanto eu erguia meu pulso inchado e vermelho vivo para que todos vissem.
A pulseira de platina havia feito o seu trabalho — minha pele já estava descamando, e a dor percorria meu braço como fogo.
Mas eu mantive meu sorriso doce e perigoso.
O rosto de Elizabeth empalideceu, sua sensação anterior de triunfo desmoronando em algo que beirava o pânico.
Ela abria e fechava a boca como um peixe fora d'água, claramente buscando desesperadamente por qualquer explicação que pudesse salvar sua conspiração cuidadosamente orquestrada.
— O que eu estou admitindo? — ela finalmente falou, com a voz mais aguda que o normal.
Eu ri baixinho, o som cortando a atmosfera tensa como uma lâmina.
— Parece que a Sra. Sterling precisa de provas mais convincentes.
Fiz uma pausa, deixando o suspense se prolongar no ar, e então desferi o golpe fatal.
— Eu gostaria de lhe perguntar: por que a senhora transferiu duzentos mil dólares para a Olivia ontem?
O efeito foi imediato e devastador.
Tanto Elizabeth quanto Olivia paralisaram, seus rostos perdendo a cor em perfeita sincronia.
— Você está falando absurdos! — Olivia gaguejou, sua confiança de antes desmoronando por completo.
— Eu não sei do que você está falando...
— É mesmo? — eu a interrompi, pegando meu celular com a mão ilesa.
Abri a foto que havia salvo mais cedo e a ergui para que todos pudessem ver.
— São informações bancárias bem interessantes, não acham?
A tela exibia a imagem nítida de um comprovante de transferência bancária — a conta de Elizabeth Sterling havia transferido exatamente 200 mil dólares para Olivia Johnson, com a data de ontem à tarde.
Walter se inclinou para frente para examinar a imagem, sua expressão ficando cada vez mais sombria a cada segundo.
— Eu acabei de verificar — continuei, casualmente —, o salário anual padrão para os funcionários da casa aqui é de cerca de trinta mil dólares.
Então, estou curiosa, Sra. Sterling: por que a senhora enviaria à Olivia mais de seis vezes o salário anual dela em um único dia?
"Te peguei", pensei com satisfação. "Eu sabia que uma simples empregada não arriscaria perder o emprego para me incriminar sem uma compensação significativa."
Quando perguntei o nome de Olivia mais cedo, meu primeiro instinto estava certo. Uma breve mensagem para Lucas foi o suficiente para rastrear essa conexão financeira.
A tecnologia é uma coisa maravilhosa quando se sabe como usá-la.
O silêncio na sala era ensurdecedor.
Os penetrantes olhos azul-acinzentados de William alternavam entre a tela do meu celular e o rosto de sua mãe, e eu captei algo novo em sua expressão — não apenas surpresa, mas uma avaliação calculista.
"Ele está se perguntando como consegui essa informação tão rápido", percebi.
"Ótimo. Que continue se perguntando."
Thomas foi o primeiro a quebrar o silêncio, assobiando baixinho.
— Uau, mãe, esse é um bônus e tanto pela ajuda.
Henry e Samuel trocaram olhares significativos, enquanto Michael ficou de queixo caído mais uma vez.
Até mesmo Tyler ficou paralisado perto da porta, claramente pego de surpresa pelos acontecimentos da noite.
A voz de Elizabeth tremeu levemente.
— Não é o que vocês estão pensando! A mãe da Olivia está gravemente doente; eu só estava adiantando o salário dela para ajudar com as despesas médicas. Foi pura coincidência que o incidente com as joias tenha acontecido hoje.
Ergui uma sobrancelha, impressionada a contragosto com seu raciocínio rápido.
— Quanta caridade a sua, Sra. Sterling. Que sorte a Olivia precisar por acaso de exatos duzentos mil dólares no mesmo dia em que decidiu me acusar falsamente de roubo.
— Elizabeth — disse Walter em voz baixa, a decepção em seu tom sendo mais cortante do que qualquer grito poderia ser.
— Quando a Olivia se candidatou a esta vaga, três anos atrás, eu mesmo conduzi a entrevista. Ela me disse que era órfã... que seus pais haviam morrido quando ela tinha dezoito anos.
A última parte da história de Elizabeth virou pó.
Olivia emitiu um som sufocado, o rosto se contorcendo ao perceber que a teia de mentiras havia sido completamente exposta.
A mulher que se mostrara tão confiante ao me acusar agora parecia querer afundar no chão de mármore.
Walter se virou para mim, com a expressão cheia de um arrependimento genuíno e de algo que parecia proteção paternal.
— Lily, peço minhas mais sinceras desculpas. Isso é inaceitável, e vou garantir que você receba um pedido de desculpas adequado e uma compensação pelo que passou.
Sua voz endureceu ao continuar:
— Esse tipo de comportamento não será tolerado na minha casa.
Em seguida, ele olhou para William.
— Leve a Lily ao hospital imediatamente. Essa reação alérgica precisa de atendimento médico urgente.
Assenti, grata pela desculpa para escapar daquele drama familiar cada vez mais desconfortável.
Meu pulso estava latejando agora, e os vergões vermelhos começavam a se espalhar pelo meu braço.
Enquanto William e eu caminhávamos em direção à porta, captei a expressão de Elizabeth: uma mistura de fúria, humilhação e o que se parecia, de forma perturbadora, com uma determinação renovada.
"Isso não acabou", pensei. "Ela vai voltar com algo pior."
Mas esse era um problema para outro dia.
O trajeto até o hospital foi silencioso no início.
Então, de forma inesperada, William falou.
— Me desculpe.
Virei-me para olhar seu perfil, genuinamente surpresa.
— Pelo quê?
Ele manteve os olhos na estrada, mas pude ver a tensão em seu maxilar.
— Pelo comportamento da minha mãe. Pelo que ela fez...
Ele fez uma pausa, buscando as palavras.
"Imperdoável."
"Interessante", pensei. "Ele está realmente assumindo a responsabilidade pelas ações da família dele. Isso é mais do que eu esperava."
"A culpa não é sua", eu disse simplesmente.
As mãos de William se apertaram levemente no volante. Ficamos em um silêncio confortável por alguns minutos antes que eu decidisse provocá-lo um pouco.
Em parte porque eu estava curiosa sobre a sua reação, e em parte porque provocar William havia se tornado um dos meus passatempos favoritos.
"Você deveria estar decepcionado", eu disse casualmente, observando sua reação pelo canto do olho.
"Se o planinho da Elizabeth tivesse funcionado, eu teria sumido da sua frente para sempre. Fim da garota do interior bagunçando a sua vida perfeitamente organizada."
Fiz uma pausa e acrescentei com uma leveza calculada: "Me diga uma coisa, William. Antes de as provas serem reveladas esta noite... você achou que eu tinha roubado as joias?"
William ficou em silêncio por tanto tempo que achei que ele não fosse responder.
Quando ele finalmente falou, sua resposta me surpreendeu.
"Não", ele disse simplesmente. "Você não é tão burra assim."
Não pude deixar de sorrir com a sua avaliação direta. "Que palavras encantadoras."
"Se eu não sou tão burra assim", continuei, com a voz ficando mais séria, "então o que isso diz sobre a pessoa que arquitetou essa armação tão elaborada?"
O silêncio de William durou ainda mais dessa vez, e eu quase conseguia ver as engrenagens girando em sua cabeça.
"Aquelas bugigangas baratas não valem o meu tempo", acrescentei com desdém, olhando para as luzes da cidade que passavam pela janela.
"Meu gosto é melhor do que o da Tiffany & Co."
Esse comentário pareceu deixar William completamente sem palavras.
Olhei de relance e o vi olhando fixamente para a frente, com uma expressão indecifrável, mas de alguma forma mais intensa do que o normal.
"Ele está tentando entender o que estou pensando?", refleti. "Ótimo. Deixe-o adivinhar."
No hospital, o médico do pronto-socorro deu apenas uma olhada no meu pulso inchado e inflamado, e imediatamente começou a preparar o tratamento.
"Mocinha", disse ele, balançando a cabeça enquanto examinava o estrago, "você sabia que era alérgica a platina e, mesmo assim, colocou isso? Foi uma atitude extremamente imprudente."
Ele olhou para William com desaprovação.
"E você, como namorado dela, deveria ter cuidado melhor dela. Mas vocês têm sorte — isso poderia ter sido muito pior. Vou prescrever um medicamento tópico que deve fazer isso sumir em alguns dias."
Segurei o riso diante da suposição do médico sobre o nosso relacionamento.
Os lábios de William se entreabriram levemente, como se ele estivesse prestes a corrigir o mal-entendido, mas então ele pareceu mudar de ideia.
A boca dele se fechou de novo, e ele não disse nada.
"Dá muito trabalho explicar para um estranho", pensei.
Quando o médico saiu para preparar a receita, William foi buscar os remédios enquanto eu esperava na sala de exames.
O cheiro de antisséptico e a iluminação fluorescente me lembraram da última vez em que estive num hospital — quando meu pai estava morrendo.
Afastei essa lembrança rapidamente.
William voltou alguns minutos depois, segurando uma sacolinha de farmácia. Para minha surpresa, ele se sentou na cadeira ao meu lado e começou a abrir o tubo de pomada com cuidado.
"Me dê a mão", ele disse baixinho.
Estendi meu pulso machucado, observando-o colocar um pouco de pomada nos dedos. O toque dele foi surpreendentemente suave quando começou a aplicar o remédio na parte mais inchada.
"Está doendo?", ele perguntou, com a voz mais suave que eu já tinha ouvido.
A pomada gelada ardeu ao tocar a pele esfolada, enviando pequenos e agudos choques de dor pelo meu braço.
Mas me peguei mais concentrada na maneira cuidadosa com que William tratava o meu machucado — a concentração no rosto dele, a suavidade deliberada dos seus movimentos.
"Isso é inesperado", pensei, estudando a expressão dele. "O Sr. Rei do Gelo tem mesmo um lado carinhoso."
"William", eu disse, incapaz de resistir à oportunidade de provocá-lo, "eu nunca imaginaria que alguém tão frio e distante pudesse ser tão atencioso. Acho que estou começando a gostar de você ainda mais."
A mão de William parou por um instante, e o rosto dele ficou cuidadosamente inexpressivo.
Quando ele falou, sua voz havia voltado ao tom controlado de sempre.
"Já te disse antes — não vou me apaixonar por você."
Revirei os olhos de forma dramática. "Que tédio."
"Mas não foi totalmente convincente", acrescentei mentalmente, notando o leve rubor que havia subido pelo pescoço dele.
William podia até achar que era imune à atração, mas sua linguagem corporal sugeria o contrário.
Um homem que diz uma coisa, mas quer dizer outra.
Levantei-me e fui em direção à porta, deixando meus dedos roçarem de propósito no ombro dele ao passar.
"Obrigada pelos cuidados médicos, Dr. Sterling", eu disse com uma doçura fingida. "Mas você ainda precisa de mais prática~"
Atrás de mim, ouvi William puxar o ar com força.
"Missão cumprida", pensei com satisfação.
Enquanto eu caminhava em direção à saída do hospital, pude sentir o olhar de William me acompanhando.
Quando ele estava tratando o meu machucado, havia algo diferente na expressão dele — algo que parecia preocupação.
"Continue dizendo a si mesmo que não se importa, William", refleti. "Vamos ver por quanto tempo você consegue manter essa pose."
