Cinco Irmãos, Uma Noiva

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Capítulo 8

Ponto de vista da Lily

A tensão na sala era sufocante enquanto todos esperávamos que Tyler voltasse do meu quarto.

Eu podia sentir cada par de olhos me encarando, observando minha reação, esperando que eu cedesse sob a pressão.

"Isso vai ser interessante", pensei, mantendo minha postura calma enquanto Elizabeth se remexia com uma empolgação mal contida.

A governanta que havia me acusado estava parada nervosamente perto da porta, torcendo as mãos. Quando perguntei o nome dela mais cedo, ela gaguejou a resposta.

"Olivia Johnson", ela havia dito, com a voz tremendo levemente.

"Interessante. Ela parece nervosa demais para alguém que supostamente está apenas dizendo a verdade", observei, guardando esse detalhe para usar mais tarde.

Passos pesados ecoaram na escadaria de mármore quando Tyler apareceu no topo da escada, com uma expressão sombria.

Ele carregava um saco plástico preto nas mãos que parecia pesar mais do que deveria.

Meus batimentos cardíacos não aceleraram.

Eu estava genuinamente curiosa para ver como aquilo iria se desenrolar.

"Senhor, senhora", Tyler anunciou, com a voz ecoando claramente pela sala silenciosa.

"Encontramos estes itens no closet da Srta. Reed, na gaveta de baixo do guarda-roupa."

Ele abriu o saco plástico preto, revelando seu conteúdo: uma requintada pulseira de jade, um colar ornamentado e uma pulseira combinando que brilhava sob as luzes.

Exatamente as joias que Elizabeth alegou que estavam desaparecidas.

"Ora, ora", pensei, observando as várias reações pela sala.

"Alguém andou muito ocupado."

Um suspiro de espanto coletivo surgiu entre os presentes. Até a expressão cuidadosamente controlada de William mudou de leve, com um lampejo de algo — decepção? surpresa? — cruzando suas feições.

O queixo de Michael caiu.

"Puta merda, elas estavam mesmo no seu quarto?"

O rosto de Elizabeth se iluminou com um triunfo vingativo. "Walter!"

Ela gritou, com a voz afiada de satisfação.

"O que você tem a dizer agora? Olhe o tipo de mulher que você escolheu para os nossos filhos! Já não basta ela vir de uma cidadezinha do interior, agora sabemos que é uma ladra qualquer!"

O rosto de Walter havia empalidecido, mas ele ainda escolhia acreditar em Lily.

"Deve haver uma explicação. A Lily nunca faria uma coisa dessas."

A confiança dele em mim era tocante, mesmo diante daquelas circunstâncias condenatórias.

Fiona, que havia permanecido sentada em silêncio durante toda a provação, finalmente se pronunciou.

Sua voz soou suave e doce, cheia de uma falsa preocupação.

"Talvez haja algum mal-entendido?", ela sugeriu, mordendo o lábio inferior em uma imitação perfeita de inocência preocupada.

"Talvez outra pessoa as tenha colocado lá?"

"Ah, você é boa", pensei, apreciando a atuação. "Fingindo estar preocupada enquanto garante que todos saibam que me acha culpada."

O confronto continuou, com Walter me defendendo firmemente enquanto Elizabeth tremia de raiva da atitude dele.

Foi então que William surpreendeu a todos ao dar um passo à frente.

"Pai, mãe", disse ele, com a voz cortando o caos com uma autoridade calma. "Vamos pedir ao tio Jordan para examinar as impressões digitais."

Todos os olhares se voltaram para ele. Sua sugestão era lógica e justa.

Se eu tivesse roubado as joias, minhas impressões digitais estariam nelas.

Se não, essa seria a maneira mais rápida de provar minha inocência.

Percebi que William não estava fazendo isso para me proteger.

Ele genuinamente não queria uma ladra morando na casa.

Mas, ironicamente, sua abordagem pragmática era exatamente do que eu precisava.

Walter ponderou sobre isso e, em seguida, assentiu.

"Você tem razão. Acredito que definitivamente não foi a Lily. Vou ligar para Jordan Gray, da delegacia de polícia."

Elizabeth aproveitou a oportunidade, com uma satisfação maliciosa brilhando nos olhos.

"Muito bem", disse ela, cruzando os braços. "Mas se esses itens foram realmente roubados por ela, ela deve romper o noivado e ir embora da família Sterling imediatamente."

O ultimato pairou no ar como uma espada.

Walter hesitou, claramente dividido entre a promessa que fez ao meu pai e as evidências à sua frente.

Para a surpresa de todos, eu me pronunciei: "Eu concordo com esses termos."

Minha aceitação calma pareceu chocar a todos na sala.

As sobrancelhas de Elizabeth se ergueram, enquanto Walter me olhava com preocupação e confusão.

"Vamos ver no que isso vai dar", pensei, já estando várias jogadas à frente naquele jogo de xadrez.

A análise das impressões digitais levaria algum tempo, então decidimos jantar enquanto esperávamos pelos resultados.

Enquanto nos sentávamos ao redor da enorme mesa de jantar, notei que Elizabeth e Walter ainda estavam ausentes, provavelmente discutindo a situação em particular.

Foi então que Michael, encorajado pelas aparentes evidências contra mim, decidiu atacar.

"Srta. Reed", disse ele com um sorriso de escárnio malicioso, "esta pode ser sua última refeição luxuosa. Aproveite enquanto pode."

Olhei para ele achando graça e, em seguida, respondi docemente: "Aproveite você também, Michael. Porque se eu ainda estiver na Mansão Sterling amanhã, vou garantir que o seu pai expulse você imediatamente."

— Você está sonhando! — Michael retrucou, mas eu conseguia ver a incerteza em seus olhos.

— Ele não está agindo com a mesma confiança com que fala — observei. — Ele sabe perfeitamente o quanto Walter me favorece, e está com medo.

No fundo, Michael sabia que, se as joias não tivessem sido roubadas por mim, o instinto protetor de Walter em relação a mim poderia, de fato, resultar em consequências para ele. Essa possibilidade claramente o aterrorizava.

Após o jantar, Jordan retornou com os resultados da análise das impressões digitais. A sala ficou em silêncio quando ele entrou, com uma expressão profissional, porém grave.

— Concluí a análise — anunciou ele. — Todas as joias da Tiffany & Co. de fato têm as impressões digitais da Lily.

As palavras me atingiram como um golpe físico. Até eu senti um momento de surpresa, não por ser culpada, mas porque alguém havia ido tão longe para me armar uma cilada.

O rosto de Walter desmoronou de descrença e decepção.

— Isso não pode estar certo. Deve haver algum erro.

Mas as provas estavam ali, inegáveis e condenatórias. Elizabeth soltou uma risada fria, com sua vitória completa.

— Aí está, Lily. Pega em flagrante. Suponho que não haja mais nada a dizer, não é? Tyler, arrume as coisas dessa ladra e ponha-a para fora.

Levantei-me lentamente, atraindo a atenção de todos.

— Esperem — eu disse, com minha voz cortando a comemoração de Elizabeth. — Eu não roubei essas peças. Preciso ir ao meu quarto primeiro.

A risada de Elizabeth se tornou ainda mais maldosa.

— Vá em frente — disse ela, claramente querendo me ver lutar em vão. — Nada que você faça agora poderá mudar os fatos.

Ela não fez qualquer tentativa de me impedir, provavelmente saboreando a ideia de me ver desmoronar por completo. Subi as escadas em direção ao meu quarto, ciente de que vários pares de olhos acompanhavam meus movimentos.

Ao chegar à porta, passei os dedos cuidadosamente pela maçaneta, sentindo sua superfície.

— Exatamente como eu pensei — percebi, com minha suspeita confirmada.

Ontem, eu havia notado uma película fina e quase invisível cobrindo a maçaneta. Eu a examinei brevemente na hora, mas não dei muita importância. Agora, essa película havia sumido.

— Espertos — pensei, juntando as peças do quebra-cabeça. — Usaram aquela película para transferir minhas digitais para as joias. Que armação elaborada.

A descoberta foi, ao mesmo tempo, impressionante e enfurecedora. Alguém havia orquestrado todo esse esquema elaborado especificamente para se livrar de mim, fazendo de tudo para garantir que desse certo.

Voltei à sala de jantar onde todos aguardavam, com Elizabeth ainda ostentando aquela expressão presunçosa de vitória.

— E então? — ela provocou. — Inventou alguma desculpa criativa? As provas estão bem ali para todos verem.

Dei um sorriso, uma expressão fria que fez várias pessoas se remexerem desconfortáveis.

— Muito bem, Sra. Sterling — eu disse, com a voz perigosamente suave. — Este foi, de fato, um plano muito bem elaborado. Pena que a senhora não pensou em tudo.

Elizabeth franziu a testa, claramente sem esperar por essa reação.

— Do que você está falando?

Em vez de responder imediatamente, estendi a mão para pegar uma das pulseiras da Tiffany & Co. sobre a mesa. Walter tentou intervir.

— Lily, não...

Mas eu já havia prendido a pulseira de platina em meu pulso. Quase imediatamente, sob as luzes fortes da sala de jantar, meu pulso, antes pálido, começou a ficar vermelho e inchar. A reação foi rápida e dramática.

Uma pontada de dor percorreu meu braço assim que a reação alérgica começou, mas mantive minha expressão calma, até mesmo sorrindo.

— Sra. Sterling — eu disse em um tom amável, erguendo meu pulso que inchava rapidamente para que todos vissem —, a Tiffany & Co. certamente faz joias de luxo deslumbrantes. Infelizmente, sou severamente alérgica a platina. Até mesmo o ouro branco desencadeia a mesma reação. Da próxima vez que a senhora quiser incriminar alguém, precisará escolher materiais diferentes. Assim, talvez até consiga.

A sala mergulhou em um silêncio sepulcral. O rosto de Walter se encheu de preocupação e pavor.

— Menina, se você sabia que era alérgica, por que a colocou? Tire isso depressa!

Meu pulso já havia inchado bastante, e a pele começava a descamar. Os dedos com os quais toquei a pulseira também estavam se enchendo de vergões vermelhos e inflamados. Tirei a pulseira e dei um sorriso doce para Elizabeth.

— Esses sintomas não vão desaparecer por pelo menos três dias. Então, como a senhora pode ver, seria impossível que eu tivesse roubado as joias.

Elizabeth tentou desesperadamente sustentar sua narrativa, arriscando uma última e desesperada cartada.

— Talvez você estivesse usando luvas quando as roubou!

Eu ri, erguendo minha mão machucada.

— Se eu estivesse de luvas, como minhas digitais teriam ido parar nas joias?

Elizabeth abriu e fechou a boca, incapaz de formular uma resposta. A lógica era irrefutável, e todos na sala podiam perceber isso. Sorri para ela, com a voz doce como mel.

— Parece que a Sra. Sterling está admitindo alguma coisa.

A armadilha havia sido exposta, e o caçador havia se tornado a caça.

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