Cinco Irmãos, Uma Noiva

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Capítulo 5

Ponto de vista de Lily

A viagem de volta para a mansão dos Sterling foi silenciosa.

O olhar de William permaneceu fixo na estrada à frente, enquanto minha mente se enchia de perguntas que eu não tinha coragem de fazer.

Quando finalmente chegamos à mansão, soltei uma respiração que nem percebi que estava segurando.

Enquanto nos aproximávamos da porta da frente, a voz de Elizabeth ecoou da sala de estar, seu tom pingando com aquele veneno especial que ela parecia reservar apenas para mim.

"Apenas o segundo dia dela em Nova York e já está na rua até essa hora farreando," ela dizia a Walter.

"Deus sabe com quem ela andou se envolvendo. Esse é mesmo o tipo de mulher adequada para os nossos filhos?"

A testa de Walter se franziu com preocupação. "Eu confio que a Lily está bem. Talvez eu devesse ter ligado..."

Foi quando William e eu entramos. Os olhos de Elizabeth se arregalaram brevemente, e depois se estreitaram em fendas.

"Ah," ela disse, com uma falsa surpresa colorindo sua voz. "Então a Lily estava com o William. William nunca chegou em casa tão tarde antes."

A insinuação era clara: minha chegada era a causa da primeira vez que William chegava tarde em casa.

Eu olhei para ela sem palavras. Que truque patético.

William não confirmou nem negou isso, apenas ficou ali com sua habitual expressão impassível.

Walter, no entanto, parecia genuinamente aliviado.

"Lily," ele disse, com seu sorriso caloroso e sincero.

"Sobre o acordo de casamento, estou pensando em fazer você passar um tempo com cada um dos meus cinco filhos individualmente, e então você pode decidir quem parece ser o certo para você. Isso é aceitável?"

Eu balancei a cabeça em concordância, não querendo me rebaixar ao nível de Elizabeth, mantendo uma expressão calma pelo bem de Walter.

"Parece ótimo."

Os lábios de Elizabeth se apertaram em uma linha fina, claramente descontente, mas sábia o suficiente para não desafiar diretamente a decisão de Walter.

Em vez disso, ela me lançou um olhar que poderia congelar o inferno.

Eu sustentei seu olhar sem piscar. Duas pessoas podiam jogar esse jogo, e eu o jogava há mais tempo do que ela imaginava.

Na manhã seguinte.

Batidas fortes me tiraram do sono.

Eu gemi e rolei na cama para ver a hora: 6:30 da manhã.

Quem diabos estava batendo na porta a essa hora?

Fui tropeçando em direção à porta, com o cabelo despenteado, os olhos mal abertos, pronta para despedaçar quem quer que tivesse perturbado meu sono.

Quando abri a porta de supetão, William Sterling estava lá, vestido com um terno cinza-chumbo perfeitamente ajustado, parecendo irritantemente alerta e impecável.

"Prepare-se," ele disse sem preâmbulos. "Você vai para a empresa comigo."

Eu pisquei para ele, meu cérebro confuso pelo sono levando um momento para processar essa informação.

Certo. O plano de "se conhecerem" de Walter estava começando hoje.

Aparentemente, William era o primeiro.

"Me dê trinta minutos," murmurei, me preparando para fechar a porta.

A mão dele disparou, segurando a porta.

"Quinze minutos, no máximo," ele rebateu, com uma voz que não admitia discussões.

Mas eu ainda assim levei o tempo que quis.

Banho, cabelo, maquiagem, escolha da roupa — fiz questão de que cada passo fosse feito com cuidado. Quando finalmente saí do meu quarto, trinta e cinco minutos haviam se passado.

William estava encostado na parede do lado de fora da minha porta, checando o relógio com uma irritação mal contida.

"Você está atrasada," ele disse enquanto caminhávamos em direção ao carro dele.

"Sério? Não percebi," eu disse, fingindo não ver a expressão atônita de William.

Assim que pegamos a estrada, William pensou por um momento antes de falar.

"Lily," ele disse, com os olhos sem nunca deixar a estrada, "só estou concordando em passar um tempo com você por causa do meu pai. Vou cuidar de você na empresa, mas não vou gostar de você, e você não precisa tentar me entender."

Eu estudei seu perfil — aquele maxilar marcado, a intensidade naqueles olhos azul-acinzentados e o controle preciso com que ele dirigia o carro elegante.

Apesar de sua postura fria, havia um magnetismo inegável em William Sterling.

Um leve sorriso brincou no canto da minha boca. "É mesmo? Mas depois de observar nestes últimos dois dias, você é aquele em quem estou mais interessada. O que eu deveria fazer sobre isso?"

Seu maxilar se contraiu quase imperceptivelmente.

— Eu aconselharia você a não perder seu tempo.

— Tarde demais — eu disse, apreciando o lampejo de irritação que cruzou o rosto dele. — Já decidi que você é o mais interessante dos irmãos, e eu gosto de coisas interessantes.

As mãos de William apertaram o volante com mais força, e eu reprimi um sorriso. Para alguém tão controlado, ele era surpreendentemente fácil de provocar.

Quando saímos do carro de William e entramos na sede do Grupo Sterling, todos os olhos se voltaram para nós. As conversas pararam no meio das frases, e o burburinho habitual do escritório diminuiu para um sussurro.

— É ela — a garota do interior que Walter arranjou para os filhos.

— Meu Deus, olha essas pernas. Completamente diferente do que eu imaginava que alguém do interior seria.

— E daí que ela é bonita? Continua sendo só uma caipira. O que ela poderia entender sobre o nosso mundo?

Mantive minha expressão neutra, fingindo não ouvir os comentários nada sutis. Anos de experiência me escondendo à vista de todos me ensinaram como me tornar invisível quando necessário e hipervisível quando útil.

William entregou as chaves do carro a um segurança, e eu paralisei.

O homem uniformizado não era ninguém menos que Leonard Peterson — um bilionário com uma fortuna de dezenas de bilhões, agora aparentemente trabalhando como segurança em meio período no Grupo Sterling.

Provavelmente estava só entediado e procurando algo para fazer.

— Lily! — O rosto de Leonard se iluminou com uma alegria genuína. — Que surpresa!

William olhou de um para o outro, com a confusão claramente visível em seu rosto normalmente inexpressivo.

— Vocês se conhecem? — ele perguntou, com um tom curioso.

— Velhos amigos — eu disse rapidamente. — William, pode ir subindo. Leonard e eu vamos estacionar o carro.

Sem esperar pela resposta dele, pulei para o banco do passageiro enquanto Leonard assumia o volante. A última coisa que vi antes de arrancarmos foi a expressão chocada de William, claramente desacostumado a ser dispensado com tanta casualidade.

Leonard e eu passamos a manhã na sala dos seguranças. Ele me atualizou sobre seus últimos investimentos em tecnologia, enquanto eu evitava cuidadosamente revelar muito sobre a minha situação atual com a família Sterling.

— Então — ele disse, com os olhos brilhando de diversão —, a grande Lily Reed está escolhendo um homem da família Sterling? Nunca achei que veria esse dia.

Dei de ombros.

— Uma promessa é uma promessa. Meu pai me pediu para honrar esse acordo.

— Esse é o único motivo? — ele ergueu uma sobrancelha cética.

— Que outro motivo poderia haver?

Ele apenas riu, sem acreditar na minha falsa inocência por um segundo sequer.

Quando o turno de Leonard terminou, ao meio-dia, fomos a um pequeno restaurante italiano na esquina.

Eu mal tinha me sentado quando meu celular tocou exibindo um número desconhecido.

— Venha almoçar no meu escritório — disse uma voz fria e familiar, sem nenhum cumprimento.

— William? — perguntei, embora soubesse exatamente quem era.

— Quem mais seria? Décimo quinto andar, escritório da esquina.

Olhei para Leonard, que estudava o cardápio com um interesse exagerado.

— Obrigada, mas já estou almoçando com o Leonard.

O que se seguiu foi uma pausa tão longa que achei que ele tivesse desligado.

— Você está me recusando? — William finalmente perguntou, com uma descrença óbvia no tom.

— Sim. Bom almoço, William.

Desliguei, reprimindo um sorriso ao imaginar William Sterling, o CEO, processando o fato de que alguém — especialmente uma "garota do interior" — acabara de recusá-lo. E por um homem idoso, ainda por cima.

Leonard abaixou o cardápio, com os olhos brilhando de malícia.

— Era o William? Ele pareceu um pouco contrariado, não?

— Aparentemente, eu deveria largar tudo e correr para o escritório dele quando sou chamada. Como uma boa cachorrinha.

Leonard riu.

— Os homens da família Sterling não estão acostumados a ouvir a palavra "não". Especialmente o William.

Ele me analisou por um momento.

— Você está se divertindo com isso, não está?

Sorri inocentemente.

— Não sei do que você está falando.

Mas, é claro, eu sabia exatamente o que estava fazendo. O que poderia ser mais interessante do que ver um homem frio e distante como William ficar desconcertado?

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