Cinco Irmãos, Uma Noiva

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Capítulo 2

Ponto de vista da Lily

Me acomodei no banco do passageiro do Bentley de William Sterling, com o couro macio me envolvendo completamente.

O luxo era inegável, mas mantive uma expressão neutra, como se andasse em carros parecidos com frequência.

Os outros irmãos foram no Mercedes e no Aston Martin.

Dentro do carro, permaneci em silêncio, e William fez o mesmo, provavelmente refletindo sobre as minhas peculiaridades. Afinal, para uma garota do interior, eu sabia até demais.

Fiquei olhando pela janela, com os pensamentos vagando por lembranças que eu costumava manter trancadas no coração.

Minha mãe, Jane Spencer, morreu quando eu era tão nova que mal consigo me lembrar do seu rosto.

Depois disso, fomos só meu pai e eu naquele chalé em Blue Mountain, construindo a melhor vida que podíamos.

Todo mundo na cidade achava que estávamos apenas sobrevivendo com o básico, e nós deixávamos que acreditassem nisso.

A vida simples na cidade pequena era pacífica e serena.

Dois meses atrás, o coração do meu pai finalmente não aguentou.

James Reed, o homem que me ensinou de tudo, desde trocar velas de ignição até a não chamar atenção, havia partido.

Seu último desejo era que eu cumprisse o acordo que ele havia feito com seu velho amigo, Walter Sterling.

— Você precisa se casar com um dos filhos do Walter, Lily — ele disse, com a voz mais fraca que eu já tinha ouvido. — Me prometa.

Eu sabia desse acordo há anos, e lutei contra ele por todo esse tempo.

Que tipo de prática arcaica era um casamento arranjado? Mas, olhando para o rosto pálido do meu pai naquela cama de hospital, não consegui dizer não a ele.

Então, eu concordei, embora secretamente já planejasse o meu próprio jeito de lidar com a situação.

O Bentley desacelerou quando nos aproximamos de portões de ferro ornamentados, que se abriram automaticamente para os dois lados.

Do outro lado, erguia-se uma mansão que não pareceria deslocada em um conto de fadas europeu — toda feita de pedra, com colunas e uma simetria perfeita.

William dirigiu pela entrada circular, parando atrás dos outros dois carros.

— Chegamos — ele disse a contragosto, nas primeiras palavras que pronunciou desde que saímos de Vermont.

Assenti, pegando minha pequena mala antes que ele pudesse oferecer ajuda.

Eu não queria vê-lo franzir a testa enquanto perguntava de má vontade se eu precisava de ajuda.

Os cinco irmãos formaram inconscientemente uma formação em V, me guiando em direção às enormes portas duplas que se abriram automaticamente antes mesmo de chegarmos perto.

O interior era exatamente o que se esperaria de uma família multibilionária.

Pés-direitos altíssimos, pisos de mármore e obras de arte que provavelmente custavam mais do que a casa da maioria das pessoas.

No centro de tudo, em um sofá branco imaculado, estava sentada uma mulher que presumi ser a matriarca da família Sterling, Elizabeth Sterling.

— Finalmente! — Michael resmungou dramaticamente, desabando no sofá ao lado da mãe. — Foram as quatro horas mais longas da minha vida.

Elizabeth Sterling primeiro deu um sorriso amoroso ao filho caçula, acariciando o cabelo dele com afeto materno.

Então, seu olhar se voltou para mim, e sua expressão mudou instantaneamente.

Seu rosto perfeitamente maquiado congelou, e os olhos se arregalaram em um choque evidente.

Continuei firme onde estava, sustentando o olhar dela com calma.

Eu já esperava por essa reação.

Aquela foto antiga que ela havia desenterrado serviu ao seu propósito: criar expectativas baixas.

Agora, ela estava diante da realidade: eu não era mais a adolescente desajeitada e acima do peso daquela foto.

— Bem — ela disse finalmente, com a voz transbordando uma falsa doçura. — Lily Reed, você certamente é... diferente do que eu esperava.

Sorri educadamente.

— É um prazer conhecê-la, Sra. Sterling.

Ela se levantou do sofá, me rodeando como um tubarão que sentiu cheiro de sangue.

— Que transformação. A cirurgia plástica moderna consegue resultados notáveis, não é mesmo? Especialmente quando se tem uma família rica com quem casar.

Os irmãos trocaram olhares; até eles pareciam desconfortáveis com a franqueza da mãe.

— Eu não fiz cirurgia plástica — respondi calmamente. — Eu apenas cresci.

Elizabeth riu.

— Claro, querida. Tenho certeza de que você, por acaso, ficou linda bem antes de conhecer os meus filhos.

Permaneci em silêncio. Afinal, aquele era o meu primeiro encontro com a Sra. Sterling, e eu devia demonstrar um pouco de respeito.

Eu já havia lidado com situações piores do que as provocações infantis de Elizabeth Sterling.

Elizabeth estalou os dedos, e um homem mais velho apareceu imediatamente.

— Tyler Foster, por favor, inspecione a bagagem da Srta. Reed. Certifique-se de que ela não trouxe nada... inapropriado para a nossa casa.

— Sinto muito — eu disse, colocando-me entre o mordomo e minha mala. — Esses são meus pertences pessoais.

A sobrancelha perfeitamente esculpida de Elizabeth se arqueou.

— Esta é a minha casa, e eu tenho o direito de saber o que está sendo trazido para dentro dela.

Mantive minha posição.

— Com todo o respeito, Sra. Sterling, estas são minhas coisas, e ninguém toca nelas a não ser eu.

Seus olhos se estreitaram.

Ela olhou de relance para Tyler e fez um leve aceno com a cabeça.

A mensagem era clara: pegar a mala custe o que custar.

— Senhora — enfatizei novamente —, estes são meus pertences!

Nenhum dos cinco irmãos Sterling interveio.

Eles assistiam a esse impasse com expressões variadas — William frio, Thomas divertido, Samuel calculista, Henry desconfortável e Michael se deliciando abertamente com o drama.

Quando Tyler deu mais um passo na direção da minha bagagem, agarrei a alça e disse para Elizabeth:

— Eu disse que não. Não tente me provocar — você pode não aguentar as consequências.

O rosto de Elizabeth ficou vermelho de raiva, e ela gritou asperamente:

— Seguranças!

Dois homens de terno preto apareceram tão rapidamente que deviam estar esperando por perto.

— Por favor, ajudem Ang a cuidar da bagagem da Srta. Reed. Ela está se recusando a cooperar.

Os irmãos Sterling finalmente se mexeram, deixando os celulares de lado e se ajeitando em seus lugares.

Eles claramente esperavam que eu recuasse agora que estava diante dos seguranças, então se prepararam para assistir ao espetáculo.

Eles só não esperavam que eu permanecesse completamente calma, já calculando quais itens decorativos próximos poderiam servir como armas improvisadas, se necessário.

Já que ela não queria ser civilizada, então vamos fazer um escândalo!

Justo quando a tensão chegou ao ápice, a porta se abriu novamente.

— Que diabos está acontecendo aqui?

Walter Sterling correu para o meu lado, com o rosto vermelho de raiva.

Ele era mais velho do que nas fotos que eu tinha visto, com mais fios grisalhos do que escuros no cabelo, mas sua presença me trouxe uma sensação imediata de segurança.

— Lily, sinto muito — ele disse, colocando uma mão gentil no meu ombro. — Você está bem?

— Estou bem, Sr. Sterling — respondi.

Ele se virou para a esposa, com fogo brilhando nos olhos.

— Elizabeth, o que pensa que está fazendo?

— Protegendo a nossa família — ela disse com rispidez. — Alguém tem que checar o que ela está trazendo para dentro da nossa casa. Vai saber se não tem drogas aí.

— Ela não está trazendo coisas para a nossa casa — Walter esbravejou. — Ela está vindo morar na casa dela. Lily é da família agora.

O rosto de Elizabeth se contorceu de fúria.

— Ela não é da família! Ela é só uma zé-ninguém do interior que quer ser...

— Chega! — A voz de Walter silenciou a sala.

— Vá lá para cima, Elizabeth. Agora.

Por um momento, achei que ela fosse recusar.

Em vez disso, ela me lançou um olhar de pura maldade e marchou pisando duro em direção à grande escadaria.

— Isso não acabou — ela murmurou, num tom alto o suficiente apenas para eu ouvir.

Depois que ela desapareceu, Walter se voltou para mim novamente.

— Lily, peço desculpas pelo comportamento da minha esposa. Aquilo foi inaceitável.

— Tudo bem — eu disse, embora nós dois soubéssemos que não estava. — Eu entendo que isso é difícil para todos.

Especialmente para mim, acrescentei em pensamento.

Walter se virou para os funcionários.

— Ouçam com atenção. Lily Reed mora aqui agora. Vocês a tratarão com o mesmo respeito que demonstram a qualquer membro desta família. Entendido?

Os seguranças e Tyler assentiram rapidamente.

Então Walter se virou para seus cinco filhos, que de repente acharam o chão extremamente interessante de se encarar.

— E vocês cinco — não vão atormentar a Lily, nem ficar de braços cruzados deixando que outros façam isso. Ela está sob a minha proteção. Fui claro?

Eles murmuraram com relutância:

— Sim, pai.

Observei os cinco irmãos, notando suas expressões. Eles estavam claramente confusos com a atitude do pai em relação a mim.

Se eles soubessem de toda a história, não ficariam surpresos.

— Obrigada, Sr. Sterling — eu disse suavemente.

— Por favor, me chame de Walter — ele insistiu. — Você está em casa agora — sua casa para sempre.

Casa? Quase ri dessa palavra.

Esta mansão nunca seria minha casa, assim como eu nunca me tornaria verdadeiramente parte da família Sterling.

Mas tudo bem.

Eu não estava aqui para pertencer.

Eu estava aqui para realizar os desejos do meu pai — do meu próprio jeito.

Observando os cinco irmãos Sterling me encararem com expressões que misturavam curiosidade, confusão e um certo ressentimento, não pude deixar de achar graça.

Eles não tinham ideia do que estava por vir.

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