Casando com a Filha da Máfia

Download <Casando com a Filha da Máfia> grátis!

BAIXAR

Capítulo 4

LAKE

Droga. Ela é linda pra caralho. A foto do perfil dela não fazia jus. Ela até parecia mais nova do que a idade.

O choque no rosto dela e aqueles olhos de raposa verde-oliva, lindos e expressivos, saltavam à vista. Ela chegou a empalidecer. A essa altura, ela já tinha entendido que não ia se casar com o meu pai, e sim comigo. Ela achou que estava prestes a vender a alma ao diabo ao virar esposa do Wallace.

Eu senti o desespero na voz dela quando ligou pro Owen. Eu estava ali ouvindo, e ela manteve uma voz confiante e decidida quando pediu dinheiro — não exatamente agora.

Eu fui com calma, analisando o rosto dela, em formato de coração. Os olhos dela se arregalaram ainda mais.

Ela passou uma maquiagem no rosto bonito e um batom clarinho nos lábios carnudos. O nariz era delicado, com um formato quase celestial. A Maverick não era tão alta quanto a mulher com quem eu tinha dormido, mas, entre todas elas, parecia a mais autêntica.

— Maverick — eu chamei o nome dela, esperando com paciência a resposta.

— Você me enganou. — O rosto dela ficou branco; ela se encolheu, percebendo que o erro tinha sido tarde demais pra voltar atrás.

— Como é?

— Eu achei que—

Meu coração disparou na mesma hora quando vi ela passar a língua nos lábios. — Eu deixei os documentos em branco. Quando o Owen me disse que você achava que ia se casar com o Wallace Winston, eu falei pra ele não te corrigir.

— Por quê?

— Eu achei que ia ser divertido.

— Divertido?

O silêncio se esticou entre nós, e o olhar dela também.

— Senhor Winston e senhorita Bates?

— Somos nós. — Eu estendi a mão enquanto me levantava, ajeitando o terno com a outra.

— Eu não consigo fazer isso. — Ela balançou a cabeça, os olhos brilhando de emoção antes de ela piscar e engolir aquilo. — Eu não posso me casar com você.

— Dá um minuto pra gente — eu disse aos funcionários, sentando de novo. — Maverick, você não pode me humilhar aqui. As pessoas me conhecem, e eu estou contando com esse casamento.

— Por quê? — Ela sustentou meu olhar. Parecia apavorada, com uma raiva ardendo por baixo.

— Eu vou assumir o cargo de CEO no lugar do meu pai. Essa é a verdade. Eu ignorei por meses a condição dele de eu arrumar uma noiva e, agora, ele só me deu três semanas pra cumprir a exigência, ou eu perco o cargo.

— Você tem namorada. Por que eu? Porque eu preciso de dinheiro? Porque eu tô desesperada e sou uma fracassada?

— Eu não tenho namorada. Eu não tive nenhum relacionamento desde a faculdade. A gente pode falar disso depois?

— Eu vou devolver o seu—

— O senhor pode marcar outro horário, senhor Winston — disse um funcionário, nos interrompendo.

— Cinco segundos. — Eu levantei o dedo, mais como aviso. — Se você casar comigo hoje, eu te dou uma casa. Você escolhe.

Com esperança, ela me encarou por um segundo, depois desviou o olhar para as pessoas esperando por nós e voltou pra mim. Então ela pegou a bolsa e tirou algo de dentro. Era o anel de noivado que eu tinha comprado pra ela.

Quando ela finalmente colocou o anel, eu soltei um suspiro trêmulo de alívio. Eu também estava desesperado, e eu tinha a sensação de que esse casamento por contrato ia ser uma montanha-russa por doze meses.

No instante em que ficamos diante do celebrante, o Owen, minha testemunha, estava com as alianças, enquanto o meu outro segurança, Homer Huxley, ficou ao lado da Maverick.

— Estamos reunidos aqui, na presença de testemunhas, com o propósito de unir em matrimônio Lake e Maverick — disse o celebrante, provavelmente repetindo aquelas palavras pela milionésima vez. — O contrato de casamento é um compromisso solene e não deve ser assumido levianamente, mas com reflexão e seriedade quanto às obrigações e responsabilidades.

— Repitam comigo. Eu, digam seu nome.

Eu segurei as mãos trêmulas dela enquanto nos encaramos e, na mesma hora, senti a maciez, o calor e uma descarga elétrica correndo por mim. — Eu, Lake Archer Colter Talon Braddson Winston, aceito Augustine Maverick Morgan Bates II. — Então eu deslizei o anel no dedo dela.

Maverick fez o mesmo. — Com esta aliança, eu me caso com você.

— Vocês se uniram em solene matrimônio. Eu declaro, pela autoridade a mim conferida pelo Estado de Nova York, como Comissário Adjunto de Casamentos, que vocês agora são marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Owen e Huxley aplaudiram, e eu não consegui evitar um sorriso, enquanto a Maverick não relaxou nem um pouco, mas conseguiu esboçar um sorrisinho nos lábios. Eu apertei a mão dela, me inclinei e baixei a cabeça para beijá-la na boca.

Foi um selinho rápido, mal encostando, um beijo direto e suave, porque eu não esperava um beijo apaixonado como o de um casal apaixonado. Mesmo assim, eu senti toda a maciez, a elasticidade e o gosto úmido dos lábios dela, e o pequeno suspiro que escapou, o suficiente pra me fazer flutuar e esquecer que eu mal a conhecia havia cinco minutos.

Eu já tinha beijado muitas mulheres, mas não senti nem de longe aquele entusiasmo, aquela animação, aquela ânsia por mais um beijo — até Owen e Huxley nos interromperem com uma salva de palmas barulhenta e o flash de uma câmera, que nos fez nos separar.

— Parabéns, senhor e senhora Winston — disse Owen, abrindo um sorriso de idiota enquanto devolvia o buquê para a Maverick. — Só mais uma pose.

Eu queria revirar os olhos, mas tinha gente olhando e, afinal, era o meu dia de casamento. Então coloquei a mão na cintura dela, puxei-a para mais perto e sorri enquanto Owen e Huxley tiravam fotos nossas.

— Tá bom. Chega. A gente pode fazer isso lá fora. Tem outro casal esperando pra casar. — Era eu mesmo, me desculpando. Meu coração ainda batia forte, mesmo depois de o beijo ter acabado fazia minutos.

Quando saímos da sede da prefeitura, a Maverick se calou e ficou tensa, enquanto Huxley foi buscar o carro.

— Eu te levo pra almoçar.

— Tô bem. — Foi só isso que ela disse.

— A gente vai morar debaixo do mesmo teto. Eu sei que vai ser uma mudança enorme pros dois, mas a gente tem que fazer dar certo. Você vai ter que ser flexível pra ficar comigo.

— Eu sei. Eu sei no que eu me meti, mas o Owen devia ter me contado antes de eu assinar tudo. — Ela desviou o olhar, respirando fundo. — Mas também é culpa minha. Eu devia ter te conhecido primeiro e não ter dependido do pessoal de vocês... mas agora já foi.

— Então você preferia casar com um velho?

Os olhos dela me fuzilaram.

— Na minha cabeça. Eu preparei a minha mente e eu mesma pra ter um marido mais velho.

— Desculpa estourar sua bolha, Maverick, mas meu pai não acredita mais em casamento. E ele não é o homem que você sempre vê na tela. Acredita em mim: você ia agradecer por estar casada comigo e não com Wallace Winston.

— Dá pra deixar o almoço pra outra hora?

— Por quê? Tem algum lugar onde você preferia estar?

— Hum, sim. Na verdade, depois disso eu vou estar livre. Me diz onde você quer que eu esteja. Eu vou.

Eu soltei uma risadinha, balançando a cabeça.

— Você é inacreditável.

— Eu imagino que lua de mel não tá incluída no pacote, então deixa eu adivinhar: eu vou ficar no meu apartamento—

— Maverick, você é minha esposa agora. A partir de hoje, você vai ficar no meu apartamento na cobertura. — Eu fiz um gesto com o queixo na direção do Owen.

— Aqui está seu cartão de acesso, senhora Winston.

Ela hesitou antes de pegar o cartão da mão do Owen.

— Pega, ou você vai ter que ficar esperando do lado de fora do prédio.

— Obrigada.

— De nada. Lá tem tudo o que você precisa. Não precisa levar nada do seu apartamento. E a gente tem muita coisa pra conversar em casa. — Meu celular vibrou. Provavelmente era minha assistente, Venus, me lembrando das reuniões.

— O Owen te leva aonde você quiser.

— Não. Eu não preciso dele. Meu carro tá estacionado ali. — Ela apontou por cima do ombro, sem jeito.

— Deixa eu levar minha esposa até o carro dela — eu disse ao Owen. Eu conhecia o carro que ela dirigia. Era velho, mas ainda rodava. Até a palavra esposa ainda soava estranha nos meus ouvidos, mas a Maverick parecia o tipo de mulher que obedecia e valorizava lealdade ao parceiro.

O Huxley acabou de estacionar o meu carro e ficou esperando enquanto eu caminhava com a Maverick até onde ela tinha parado.

Ela destrancou a porta e murmurou:

— Obrigada.

— Se precisar de alguma coisa, me liga.

— Eu não tenho seu número — ela resmungou, com a voz trêmula.

— Verdade. Me dá seu celular.

O celular dela era um modelo antigo, e isso mexeu com alguma coisa bem no fundo de mim enquanto eu salvava meu número. Eu devolvi o aparelho.

— Por que você não usou o vestido?

— Ele é bonito demais pra uma cerimônia tão curta.

Eu sorri, entregando o celular de volta.

— Mesmo assim você tá deslumbrante. — E estava. Ela podia ter aparecido de pijama que isso não mudaria o fato de que a beleza dela me deixava sem chão.

— Obrigada. — As bochechas dela coraram.

— Te vejo na cobertura. — Eu fui até o carro assim que ela saiu dirigindo.

— Quer que eu vá atrás dela? — perguntou Owen.

— Não, OB. Vamos pro escritório. — Eu liguei para a Venus.

— Senhor Winston, quer que eu cancele sua reunião?

— Não. Tô a caminho. Compra um iPhone novo com 1TB e põe na minha conta pessoal. Vê uma concessionária perto do escritório.

Quando eu desliguei, Owen estava me olhando pelo retrovisor.

— O quê?

— Você vai comprar um carro pra sua esposa?

— E desde quando isso é da sua conta?

— Não é, mas eu vou falar mesmo assim, você querendo ou não. Leva ela com você. Deixa ela participar da decisão. Ela vai gostar.

— Entendi. Agora cala a boca.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo