Casamenteira de Bebês

Download <Casamenteira de Bebês> grátis!

BAIXAR

Capítulo 7 Mirage Fashion

"O que anda acontecendo com a Mirage Fashion hoje em dia? Os vestidos nem servem direito mais, e o tecido parece tão vagabundo."

"Exatamente", concordou a companheira, com a voz carregada de desprezo. "Não tem nada a ver com a qualidade de anos atrás. Estão usando material inferior e mantendo preço de grife. E esses estilistas que estão contratando agora... semana passada eu vi uma costureira que não conseguia nem fazer uma bainha básica direito!"

Duas mulheres bem-vestidas, carregando capas personalizadas de vestido, cochichavam entre si enquanto passavam.

Emily cerrou os punhos, as unhas cravando fundo nas palmas.

Clara! Quem mais além de Clara teria reduzido o trabalho de uma vida da Scarlett a esse estado lamentável? Aquela filha ilegítima cujo único propósito parecia ser apagar qualquer vestígio da existência de Scarlett.

Emily permaneceu imóvel por um bom tempo, o olhar passeando pelos showrooms e pelos armários de tecidos, sentindo uma mistura turbulenta de emoções.

Por fim, a recepcionista ergueu os olhos do celular, a expressão azedando para a impaciência. "O que você está fazendo aqui? Se não veio mandar fazer roupa, não fica aí parada atrapalhando a passagem!"

Emily levantou o olhar e viu o rosto da mulher marcado por desprezo.

Hoje, Emily usava um vestido simples — uma peça que Emma tinha feito numa aula de trabalhos domésticos no jardim de infância. Embora a roupa não tivesse etiqueta de estilista, estava cheia do amor da Emma.

"Eu só estou olhando", respondeu Emily.

"Olhando? Você veio fazer um sob medida ou só passear? Não faz a gente perder tempo se você não pode pagar. A gente está ocupada aqui. E, sinceramente, eu duvido que você consiga pagar a taxa da consultoria." A recepcionista deu uma risadinha.

Uma onda de cansaço profundo tomou Emily. A Mirage Fashion tinha mesmo decaído a ponto de empregar gente sem o mínimo de etiqueta profissional?

Quando Emily abriu a boca para responder, uma voz enjoativamente doce soou atrás dela.

"Emily? É você? O que você está fazendo aqui?"

Emily se virou e encontrou Clara, coberta de marcas de luxo e de braço dado com Celeste, parada ali perto com um sorriso falso grudado no rosto.

Clara claramente não esperava dar de cara com Emily ali. Um lampejo de surpresa passou pelos olhos dela, rapidamente substituído por presunção.

"E por que eu não estaria aqui?", retrucou Emily, fria.

Celeste também a reconheceu, e suas feições escureceram na hora. "Ora, se não é a nossa Emily 'perdida'. O que você veio fazer aqui? Não conseguiu se virar lá fora e voltou pra pedir migalhas?"

Os olhares ao redor se voltaram para elas, curiosos e inquisidores.

Clara deu um tapinha de leve na mão de Celeste, numa falsa tentativa de contê-la. "Mãe, por favor. A volta da Emily é uma bênção."

Ela se virou para Emily, com aquele sorriso doce demais. "Emily, onde você esteve todos esses anos? Papai e eu ficamos doentes de preocupação. Até o Roy perguntou por você recentemente. Ele mencionou aquele incidente de antigamente..."

Ao ouvir o nome de Roy, o estômago de Emily se revirou.

Clara percebeu a reação, os olhos brilhando de triunfo. Ela fez questão de elevar a voz para que os curiosos escutassem. "Emily, já que você voltou, por que não vai pra casa comigo? O pai ia ficar tão feliz em te ver."

Casa? Voltar para aquela "casa" onde ela tinha sido vendida como mercadoria?

Ela voltaria um dia, mas não agora.

Ainda não estava preparada para encarar Simon — aquele homem desprezível que tinha vendido a própria filha por interesse. Quando chegasse a hora certa, ela o enfrentaria.

Embora, até lá, se a família Johnson ainda iria querer vê-la, já era outra história.

— Não tenho o menor interesse em vê-lo — declarou Emily, com a decisão firme.

Ela tinha acabado de voltar ao país e não estava preparada. Ir agora para a mansão dos Johnson… quem garantia que aqueles monstros não tentariam vendê-la de novo?

Ela precisava estar pronta antes de encarar aquela guerra!

Emily se virou para ir embora, mas Clara foi rápida e deu um passo à frente, bloqueando o caminho.

— Você está me evitando, Emily? — Clara se aproximou, baixando a voz para que só Emily ouvisse. — Está com medo? Morrendo de pavor de eu expor sua “aventurinha” no Hotel Azure Palace? A respeitável segunda filha da família Johnson, numa transa de uma noite, bêbada, com um completo desconhecido… não pega bem, né? Talvez, se você me implorar, eu até concorde em manter isso em segredo.

— Você sabe muito bem quem aquele homem era — rebateu Emily, sem vacilar.

— Claro que sei. Era um mendigo que eu tirei da sarjeta. E aí, como foi dormir com um lixo daqueles? Aliás — Clara deu um passo para trás de repente, cobrindo o nariz e a boca — você não saiu de Emerald City pra se tratar, saiu? Já ouvi dizer que esse tipo de doença é difícil de curar.

— Você parece entender muito do assunto — respondeu Emily, com um sorriso gelado. — É por experiência própria?

— Emily! Como você se atreve! — Clara arfou.

— O que foi? Você pode inventar acusações, mas eu não posso fazer uma simples observação? Continue, Clara. Vamos ver de quem a reputação é mais frágil à luz do dia.

Clara não esperava que a Emily, antes tão submissa, ficasse tão confrontadora.

Mesmo sem conseguir desestabilizá-la, Clara tinha conseguido a informação que queria: Emily não sabia quem era o homem naquela noite, nem o que tinha acontecido depois que ela foi embora.

Isso facilitava as coisas.

Naquela época, Emily tinha escapado das garras de Roy, o que o deixara furioso. Como punição, ele obrigara Clara a passar a noite com ele. Só de lembrar da presença repugnante de Roy, ela ainda sentia ânsia.

Quem diria que aquela vadia da Emily acabaria na cama do Charles?

Por sorte, Emily tinha fugido de Emerald City, dando a Clara a oportunidade de tomar o lugar dela.

Desde então, Charles tinha virado o poderoso aliado de Clara.

O que quer que Clara pedisse, Charles providenciava.

Mas, apesar de todos os esforços ao longo dos anos, Charles nunca mais dormiu com ela. Clara continuava sendo a acompanhante não oficial dele — a mulher que ele mantinha nas sombras, nunca destinada a ser a verdadeira Sra. Windsor.

E agora, aquela vadia da Emily tinha voltado.

Será que Emily estava investigando alguma coisa?

Não. Ela não podia permitir que ninguém virasse uma ameaça!

A melhor solução, agora, era levar Emily de volta pra casa e deixar os pais dela lidarem com ela.

Afinal, Clara estava destinada a se tornar a Sra. Windsor — ela não podia correr o risco de ter nem a menor mancha na reputação!

— Emily, não abuse da sorte! — Vendo que Emily não cedia, o sorriso falso de Clara desapareceu por completo. Ela estendeu a mão para agarrar o braço de Emily.

Emily sacudiu a mão dela com tanta força que Clara cambaleou para trás. — Eu já encerrei qualquer relação com a família Johnson. Me deixe em paz.

Ao ver isso, Celeste avançou na mesma hora, apontando o dedo na cara de Emily. — Como você ousa! Uma pária desonrada como você não tem direito de fazer escândalo aqui. Se for preciso, a gente te arrasta de volta pra você pedir desculpas ao seu pai!

O clima na loja ficou tenso na hora.

Os poucos clientes que ainda estavam ali assistiam, fascinados.

Clara, tremendo de raiva e humilhação, se mexeu para agarrar Emily de novo quando uma voz firme e autoritária cortou a tensão.

— Com licença por interromper, mas a Srta. Johnson está disponível?

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo