Capítulo 9 Capítulo 8
CAPÍTULO 8
Maria Júlia recebeu informações demais naquele momento, e a sua cabeça estava uma verdadeira bagunça! A raiva que estava se acumulando na cabeça dela em banho Maria, por Felipe Lombardi, tomou agora uma grande proporção, e ela queria fazer algo, queria falar todas as coisas que estava sentindo, encontrar com Felipe, e dizer a ele tudo o que estava entalado na sua garganta.
O desespero bateu, e ela começou a se machucar, tentando arrancar aqueles aparelhos que a prendiam naquela cama, um deles ainda ficou preso, e a Aurora tentava adverti-la em vão...
— Ragazza, pare por favor! Bambina, está fazendo errado, você vai se machucar e aquele homem não merece ainda mais sofrimento seu, ele é um nojento... — Aurora falava, mas parecia ser em vão, pois Maria Júlia havia perdido o controle, e nem a Aurora estava mais entendendo que tamanha era a sua dor.
Maria Júlia nem respondia, e levantou rápido demais a sua cabeça, tentando colocar os pés no chão, e quando Davi Miguel entrou no quarto, ela havia acabado de cair no mesmo, terminando de arrancar o aparelho, e saiu um pouco de sangue das agulhas conectadas a suas veias, e a sua cabeça bateu no chão duro de porcelanato fino.
— Me desculpe patrão, ela não me ouviu, estava completamente descontrolada, foram muitas informações e tentei explicar, tentei impedir, mas não consegui, não consegui nem segurar a bambina, me perdoe! — Aurora já estava chorando de desespero, mas não somente por Maria Júlia, que parecia desmaiada no chão, mas por ter falhado na primeira missão do seu novo chefe, e ela tinha muito medo, pois o antigo, a punia muito facilmente, e ela estava muito assustada, com o que Davi Miguel poderia fazer com ela, que mal conhecia a máfia Russa, e quais eram as regras de lá, que começou a se desculpar sem trégua.
— Calma, Aurora! Me ajude com ela! — Ele respondeu a Aurora, já pegando a Maria Júlia com cuidado e a colocando de volta na cama. Ele a olhava com ternura, desejando ter o poder de acalmar o coração dela.
— Venham, coloquem um medicamento para que ela se acalme, e cuidem do seu braço, precisam limpar, aqui! — Ele falou e os enfermeiros começaram a arrumar os fios, soro, medicamentos, tudo no lugar.
— Com licença, chefe! Vou pedir ao médico um medicamento para tranquilizar a jovem! — a enfermeira falou, e ao ver a confirmação de Davi Miguel se retirou.
Ele observava a jovem enquanto eles a ajudavam, e sentia dor por ver que ela estava naquelas condições, e que tudo poderia ter sido muito diferente, talvez se ele a tivesse falado a verdade, e a trazido para a Rússia naquela noite, nada disso teria acontecido, e Felipe Lombardi jamais a teria raptado, e a escondido por tanto tempo, mas agora era demasiadamente tarde para tais constatações.
— Aurora...
— Sim, senhor! — Respondeu a Davi Miguel, prontamente.
— Eu não sei o que tanto viveu naquela casa, e nem os motivos por ter ido para lá, mas eu gostaria de dizer, que eu não sou como aquele infeliz! Não precisa ter medo, aqui você é apenas uma funcionária da casa e uma acompanhante para a Maria Júlia, nada vai acontecer com você! Todo mês terá o seu salário, e será muito bem remunerada! — Falou o capo, para a Aurora, que olhava para ele assustada, morrendo de medo do seu castigo por não ter cuidado do que ele pediu.
— Obrigada, senhor! É que eu não cumpri com o que me pediu, e fiquei assustada, mas eu juro que tentei... — Ela ainda respondeu se explicando, toda receosa.
— Tudo bem! Eu conheço o seu trabalho! Mas, agora eu quero que vá descansar e tomar um banho, não vi você sair desse quarto, eu mesmo vou conversar com a Maria Júlia quando acordar! — Ele falou, e se sentou na poltrona ao lado da cama, mostrando que realmente ficaria ali.
— O senhor tem certeza? Vai cuidar dela? — Perguntou a mulher, um pouco confusa, com a sobrancelha erguida, nunca imaginou que o capo faria algo parecido, nunca viu o Felipe Lombardi fazendo nada pela jovem, e era um pouco estranho.
— Sim, Aurora! Eu mando te chamar quando precisar, pode ir para o seu quarto! — Respondeu Davi Miguel, impressionando a mulher.
A Aurora saiu do quarto e foi enfim cuidar um pouco dela, estava muito cansada, realmente...
Davi Miguel, ficou um tempo ali, provavelmente já haviam passado horas, já tinha decorado todas as marcas do quarto que precisariam ser arrumadas com massa, e depois ele pintaria de uma cor mais bonita do seu gosto. Também já reconhecia muito bem o rosto da sua amada, que parecia tão vulnerável naquela cama.
Maria Júlia abriu os olhos, e o viu. Ele a encarava firme, então ficou em pé, e sem perceber segurou a sua mão, tinha receio que ela sofresse mais e nem era momento de ela ter acordado, pois com o medicamento que colocaram em sua veia deveria manter a moça dormindo por um bom tempo.
— Está melhor? Mais calma? — Perguntou pra ela, que o olhou, e depois olhou para a sua mão, que estava junto da dele.
— Porquê está me ajudando? De onde eu te conheço? — Perguntou ela, ainda confusa, porém um pouco mais calma, agora.
— Não se lembra de mim? — Respondeu com outra pergunta.
Maria Júlia iria responder que “não”, como de costume, mas estranhamente lembranças vieram em sua mente.
— Eu até lembro... — Sussurrou e o coração de Davi Miguel disparou.
— Lembra? O que você lembra? — Perguntou apavorado, “seria possível ela ter lembrado agora?“ Pensou ele, ansioso.
— Eu estou confusa, se sonhei, ou me lembrei de algumas coisas! Mas uma coisa eu tenho quase certeza... Era você na sorveteria, não era? — Ela perguntou precisando de uma confirmação dele sobre as coisas, para tentar identificar o que era real, e o que não era.
O fato dela mencionar a sorveteria, era de grande alegria para Davi Miguel, isso significava que ela logo se lembraria de tudo, e era um grande sinal.
— Não sei ao que realmente você se refere, mas eu tinha uma sorveteria, sim! Mas, faz quatro anos que vendi! — Ele respondeu pouca coisa, queria que ela lembrasse.
— Qual o seu nome, completo? — Perguntou.
— Davi Miguel Moscovick! — Respondeu.
— Miguel... você é o Miguel! Então é real! Você e eu... — Ela falou escondendo o rosto, envergonhada, pois se ele era mesmo o Miguel, então é o seu ex namorado?
— O que você lembrou?
— Que éramos namorados, ou algo do tipo..., mas o que aconteceu? Por que eu fui parar na Itália, e depois na Rússia? — Ela perguntou, confusa.
