Casada com um Mafioso Misterioso

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Capítulo 4 Capítulo 3

CAPÍTULO 3

Felipe Lombardi

Ao acordar pela manhã, antes que Felipe Lombardi fosse trabalhar, Maria Júlia precisava que ele autorizasse a jovem a passar o dia no jardim outra vez, então estranhamente, ele aceitou.

Com o silêncio do quarto, ela começou a prestar atenção em pequenos barulhos que ela ouvia, pareciam vozes femininas, Maria Júlia tinha impressão de que algumas estavam chorando e outras ela não saberia dizer o que eram, ela também ouviu vozes masculinas, essas um pouco mais altas, mas não entendeu o que isso significava, apenas que o barulho vinha daqueles alojamentos que ela tinha visto do lado externo.

Maria Júlia pensou que talvez devesse dar uma espiada lá depois, quando ela fosse para o Jardim seria uma grande oportunidade, mas primeiramente priorizaria a sua conversa com o Davi que ela tanto esperava.

Logo depois que Maria Júlia almoçou logo pediu para Aurora que a levasse ao Jardim. Ela estava ansiosa precisava encontrar o segurança, mas ao encontra-lo, ele não deu respostas, não para todas as suas perguntas.

Os dias foram se passando, quinze dias depois ela já pode tirar a bota preta, a sua perna já estava muito melhor. As vozes que ela ouvia nunca paravam, e isso a incomodava muito.

Hoje o dia amanheceu muito bonito, Maria Júlia já ganhou aprovação do marido para passear no jardim, ela não precisa mais lhe pedir todos os dias, mas ele estabeleceu uma risca... ela não poderia passar das árvores para lá, o local aonde havia os barracões era restrito para ela, e ele deixou isso muito bem claro.

Ela não tem muito o que fazer na casa, então caminhar pelo jardim se tornou a sua tarefa diária, mas quando se aproximou das árvores, ouviu uns gritos altos demais, e ficou muito tentada a descobrir o que era. Aquela voz era feminina, e pelo tom era bem nova.

Maria Júlia olhou para os lados, e apenas Davi estava no portão, ela imaginava que ele não a impediria de ir até lá e ver o que estava acontecendo, e nisto ela foi andando pela lateral da casa, e do seu lado esquerdo estavam os barracões.

Ela foi em passos largos, queria chegar antes que a voz parasse, para identificar de onde vinha. Ela andava distraída e prestando atenção nos sons, quando se surpreendeu a esbarrar em alguém, e ficou muito assustada quando viu quem era.

Maria Júlia ficou muda por alguns segundos, sem saber por onde ela corria dali, e poderia fugir, olhando para o rosto do homem, que só agora ela notou a semelhança com o do pesadelo, lá ele tinha o cabelo raspado, e agora, não, mas era ele! O seu agressor, era ele!

— Que foi? Lembrou de mim? Sente saudades, não é? — Ele foi falando maliciosamente e se aproximando cada vez mais, dela. — Eu sei que você lembra! Felipe te quer só pra ele, ele sempre foi egoísta, mas ultimamente tá batendo o recorde.

Maria Júlia, estava desesperada. Tentou correr, mas a sua perna não estava perfeita ainda, e fui segurada por Marco.

— Sempre correndo de mim, né? Não sei por que tenta, sabe que se não obedecer vou aplicar a droga! — Ele foi falando, e as coisas começaram a se encaixar... Era verdade! Ela havia sido forçada àquela vida, e precisava muito fugir.

Marco Polo não estava se importando muito com a situação! Pra ele, aquela mulher, não passava de mais uma, que ele gostava de comer e de forçar, e como estava puto da cara com o irmão, iria relembrar a mulherzinha de Felipe, que já foi dele e estava conseguindo, chegou a segurar o seu braço, mas...

— Solte-a agora! Tem dois segundos, ou eu vou atirar! — Uma voz autoritária falou e por dois segundos, Marco Polo não acreditou que ele atiraria, mas quando ouviu o barulho da arma sendo engatilhada, ele viu que havia perdido aquela, e começou a soltar.

Maria Júlia não conseguiu verificar quem era que havia a soltado, mas ao sentir aquele nojento a soltando, pode olhar melhor e poderia agradecer ao segurança.

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Davi Miguel

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Para Davi Miguel, está sendo torturante olhar todos os dias para a sua amada, e não poder fazer nada. Ela não se lembra dele, não lembra que o ama, e que ele a ama, e isso é frustrante!

Ele queria poder dizer a ela, gritar, expressar o seu desespero..., mas ele não pode! Se ele fizer isto e ela não se lembrar? Se ela não acreditar nele? Pensar que está mentindo, que está inventando coisas? Nem fotos eles tem juntos, pois ele as apagou quando pensou que ela havia ido embora sem se despedir, quando pensou que ela realmente amava o maldito Felipe Lombardi, que ele tem vontade de torturar aos pouquinhos e depois jogar para os urubus o comerem vivo.

Davi Miguel tem se torturado dia após dia, esperando por um milagre.

No dia em que Maria Júlia voltou do hospital, ele veio disposto a roubar a jovem, assim como o infeliz do Felipe fez, a mais de quatro anos, a levar embora e pronto! Mas ele não era como aquele verme, infeliz, que levou uma de tantas jovens a força, a machucou e a obrigou a ficar na prostituição, sendo uma boneca sexual nas mãos daqueles lixos nojentos! Não... Davi Miguel não era assim! Principalmente depois que a primeira coisa que presenciou quando chegou como funcionário infiltrado, foi a sua doce garota sendo carregada no colo e estar segurando no pescoço do seu abusador.

Ele sabia que ela havia esquecido de tudo e perdido a memória! Mas, mesmo assim, pensava que estava casada com o Lombardi, e ele precisaria esperar... esperar, esperar, ele não estava mais com paciência para isso!

Maria Júlia não estava lembrando, e mesmo percebendo que a moça estava desconfiada, ela nunca tomou uma atitude, e ele tem vontade de surtar, ao imaginar ela na cama com outro, e isso o está deixando maluco.

Ele teve sorte em conhecer o motorista de aplicativo de carros, e descobriu várias coisas com ele, e ainda teve a sorte de poder ajudar, junto com a Aurora, a entregar a carta naquele dia.

Na época em que ele e Maria Júlia eram namorados, ele renunciou a todo o custo o seu cargo de capo na máfia Russa, fingiu nem ser de uma organização, ele só queria viver em paz com a sua garota. Mas, desde que ela desapareceu, o seu ponto de vista começou a mudar, e não tinha mais razão para não entrar no seu treinamento.

Meses depois, ao começar os treinos de confronto, abordagem, tráfico, entre outros, ele começou a suspeitar de que a jovem não teria ido de livre espontânea vontade, como aquele nojento jogou na cara dele no dia anterior, e eles saíram nos socos. Ela teria sido levada!

Davi Miguel começou a investigar, mas foi encontrar pistas, apenas quatro anos depois, e o seu paradeiro, apenas no dia do acidente, mas o destino estava contra ele, e até agora não conseguiu nada, e se denomina um idiota por não ter encontrado a sua amada antes.

Mas depois que descobriu tudo, ele decidiu ficar ali, iria fazer tudo o que o Felipe Lombardi pedisse, apenas para esperar por Maria Júlia se lembrar, e depois que ela aceitasse ir embora com ele, claro que não deixaria barato, e ele mesmo esmagaria a cabeça desse homem desprezível.

— Davi? — Ela pronunciou quase sem voz, e correu para trás do seu segurança.

Davi estava enfurecido, e ela viu que o nojento do MP levaria um tiro ali, e não se atreveu a sair de perto do segurança. Ela estava trêmula demais... as vozes agora se ouviam mais, e ela sabia que acontecia algo de errado ali, mas agora a sua chance de descobrir teria ido para o inferno, e Maria Júlia tinha os seus próprios problemas para enfrentar.

Os olhos do MP eram zombeteiros, mesmo com uma arma apontada para a sua cabeça, ele não tirou o sorriso do rosto, e aquilo era frio demais, pelos pesadelos ela sabia que o odiava do fundo da alma, e agora teve muito mais medo, pois o que tudo isso significava?

— Você é apenas um empregadinho inútil! O que te deu tanta coragem, hein? Pelo visto chegou agora, e não conhece todas as regras aqui! — Zombou Marco Polo, de Davi Miguel.

— Estou pouco me lixando para o que diz! — Mirou melhor a arma em direção às bolas de MP. — Fui contratado apenas para uma função, que é cuidar e proteger a Maria Júlia, e se você for uma ameaça, não hesitarei em atirar, não me subestime! — Falou Davi Miguel, intimidando o abusador, que ele tanto odeia e deseja destruir em breve.

— ESSA DAÍ É UMA VADIA! MEU IRMÃO... — Marco Polo falava, quando foi cortado pelo próprio Felipe Lombardi, que ele nem viu de onde surgiu.

— CALA A BOCA, MARCO! OU QUER QUE EU MESMO ESTOURE OS SEUS MIOLOS? — Felipe Lombardi estava furioso demais, e certamente atiraria no próprio irmão naquele momento se fosse necessário.

— Ei... calma! Também não é pra tanto! — Falou Marco Polo erguendo as mãos, como se não tivesse feito nada, mas Felipe não é burro, e não seria enganado facilmente.

— Davi! Leve a minha esposa para o quarto, e não permita que saia de lá! Vou ter uma conversa com o Marco Polo agora! — Falou o Lombardi, e Maria Júlia estava muito assustada, e ficou em silêncio sem saber o que fazer, e apenas obedeceu, indo com o segurança em direção ao quarto, e não sabia mais dizer, se eram as pernas ou as mãos que tremiam mais.

— Maria Júlia! Nunca mais volte naquele lugar! Não é seguro, aquele infeliz do Marco Polo é que comanda lá, e pelo visto você já percebeu que ele é um canalha! — Falou.

— Eu me lembrei de algumas coisas que sonhei... não é a minha memória, apenas partes de sonhos, mas agora tenho certeza que parte dele são reais! Preciso descobrir mais coisas, a outra carta não chegou? A do motorista de aplicativo? — Perguntou Maria Júlia para o segurança.

— Ainda não lembra de nada? Confia em Felipe Lombardi? — Perguntou ele, pois não entregaria a carta se não estivesse seguro de que a jovem pelo menos desconfiasse do infeliz do Lombardi.

— Não lembro! Apenas as coisas dos sonhos, mas prefiro não falar sobre isso! — Respondeu, apenas.

— Tudo bem! Só te digo que se precisar de ajuda, pode me chamar! — Ele falou, e foi saindo, pois era torturante olhar para a cama que ela dormia e era de Felipe Lombardi, mas se lembrou... — A carta ainda não chegou! — Terminou de falar, e saiu.

Maria Júlia ficou inquieta, estava muito nervosa, e não conseguia se acalmar, demorou muito tempo até que o marido entrasse pela porta do quarto.

Ele estava com o olhar enfurecido, escuro! A olhava furioso, e ela teve medo! Ela sentou na beira da cama, segurou com força o cobre leito que estava esticado na cama, e mal conseguia respirar.

— Porque desobedeceu e cruzou a linha que eu estipulei? — Perguntou com voz severa, e ela percebeu que ele havia bebido, o cheiro que sentiu foi forte, e a sua voz estava diferente também.

— Eu... eu ouvi gritos e...

— Eu já não expliquei o que acontece lá? Não falei para ficar longe? Qual o seu problema, Maria Júlia? Marco Polo cuida de lá, e ele não presta, você não lembra, mas eu lembro! — Falou furioso, e ela sentiu dor, quando ele segurou os seus braços com força.

— Eu já descobri algumas coisas! Era ele, Felipe... O MP era ele! Por que não me contou que me tirou dele, e não de um convento? Mentiu pra mim? — Perguntou ela confusa.

— Me diga o que lembrou! Anda, me diga! — Ele sacudia os braços dela, e certamente ficariam marcas depois.

— Ele me falou algumas coisas, eu associei com os pesadelos, e olhando ele de perto, eu confirmei... Era ele, Felipe! Era ele! Desgraçado, o que tanto ele fazia comigo? Porque não me lembro? Droga! Você precisa me explicar, estou ficando maluca com essas dúvidas! — Maria Júlia se desvencilhou do marido, e levantou enfurecida, cansada de tantas confusões e mentiras.

— Eu não vou contar nada! Cazzo! Isso iria confundir a sua cabeça! Só que agora não poderá mais sair dessa casa, ficará aqui dentro! Não vou correr o risco de Marco Polo te encontrar em algum corredor! Hoje você teve sorte, de o segurança que contratei ser de confiança, mas não vou mais correr esse risco! Entendeu? — Foi falando de maneira rude com ela, a fazendo ficar a cada minuto mais nervosa.

— Eu não vou mais lá, não precisa me privar de sair, aqui dentro é um tédio! E, outra... precisamos denunciar esse nojento, asqueroso... não sabe a raiva que estou sentindo dele! — Ela falou angustiada, agora lembrando melhor das imagens dos pesadelos, e teve náuseas.

— Eu farei isso! Não se preocupe! — Ele falou, e saiu encostando a porta.

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