Capítulo 10 Capítulo 9
CAPÍTULO 9
Davi Miguel
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— Eu não quero te contar, prefiro que você se lembre! Fico feliz que começou a se lembrar, e isso é um bom sinal, mas eu vim aqui para conversar, e te fazer uma proposta! Está disposta a ouvir? — Perguntou ele.
— Proposta... eu posso pensar depois que me propor? — Perguntou receosa.
— Claro! Eu acredito que você vá gostar, mas tem o tempo que quiser para se decidir! — Respondeu.
— Tudo bem, então... pode falar!
— Ótimo...
— Eu imagino que você não esteja satisfeita, com tudo o que descobriu sobre Felipe Lombardi, não é? — Perguntou Davi Miguel.
— Não, nem um pouco! — Respondeu a jovem.
— Participe do meu treinamento aqui na máfia Russa, e quando estiver preparada, venha junto comigo se vingar de Felipe Lombardi! Eu também tenho uma dívida pendente com ele! — Falou Davi Miguel.
Maria Júlia o observava e a sua cabeça ia para longe, quais seriam as verdadeiras intenções desse homem na sua frente? Ele estava diferente das suas lembranças e dos seus sonhos, os anos haviam passado um pouco, o cabelo parecia mais moderno, mas estranhamente ela confiava nele, lhe passava uma paz, algo bom... ele era tão bonito e muito mais jovem, aparentemente que o Lombardi, olhos verdes, alto e forte.
— Porquê você precisaria de mim? Ainda não entendi as suas intenções! Não estou no meu melhor momento, e isso posso te garantir sem nem mesmo me lembrar, acabei de perder um bebê, descobri coisas horríveis...
— Eu sei, eu entendo! — Cortou a jovem. — Não precisa responder agora, descanse, durma um pouco... só te peço que não faça nenhuma besteira! Felipe Lombardi não merece nenhuma lágrima sua, posso te garantir! — Completou ele, a olhando de forma profunda, e ela sentiu melhor o calor da mão do rapaz na sua, e estranhamente gostou de receber um toque de carinho, realmente parecia com os de antes, pois agora ela se lembrava como eram, bom... pelo menos partes deles...
— Você ainda não respondeu a minha pergunta... — Falou ela, ainda olhando para os movimentos reconfortantes das mãos dele, fazendo massagem na parte de cima da sua mão direita.
— Você ainda pergunta, Maria Júlia? Eu faço isso, porquê me importo com você! Porquê também tenho uma dívida com Felipe Lombardi, e... — Respirou fundo olhando para o teto, buscando as palavras corretas. — Também tenho uma promessa a cumprir, mas falaremos disso depois!
— Eu poderia ficar um pouco sozinha? Preciso colocar os pensamentos em ordem, não vou mais surtar, eu sei que deve estar achando que posso... bem! Não farei nada! Estou com uma dor de cabeça terrível! — Ela falou, e foi surpreendida com um beijo na testa, suave e delicado, e até fechou os olhos quando o sentiu.
— Eu vou estar no quarto ao lado, se precisar me chame, ou aperte esse botão que chegarei rápido! — Ele falou se retirando.
Maria Júlia o observou até que saísse e fechasse a porta, e depois deixou a sua cabeça encostar suavemente no travesseiro outra vez, e começou a tentar se lembrar das coisas por ordem.
Ela lembrou dos beijos, dos abraços, das visitas a sorveteria, e quando deu por si...
— Eu tenho família!!! Aonde está a minha família? Meu Deus, o Luan? A minha mãe, o meu pai... eu me lembro deles! — Ela falou em voz audível, não acreditava que isso também foi outra mentira de Felipe Lombardi, pois ela nunca foi uma órfã, e ela tinha pessoas que a amavam, aquilo era frustrante, triste demais!
Ela começou a pensar, no que teria acontecido com o irmão, e os pais, e isso estava a matando, teriam sido raptados também? Eram tantas perguntas sem respostas, que rondavam a mente da jovem, e a sua dor de cabeça era cada vez maior.
Maria Júlia lembrou do sonho em que Felipe Lombardi a levava a força e ela chamava por Miguel, mas ele não ouvia, e então foi tomada por lembranças terríveis, de como as coisas realmente aconteceram, e lembrou que estava em uma cozinha tomando água, e sentiu alguém a prendendo por trás e uma dor no braço de uma agulha que foi aplicada, e então ela o viu...
Era Felipe Lombardi tapando a sua boca, e foi ele quem deu uma pancada na cabeça dela, para que desmaiasse, era ele...
— Maldito, Felipe Lombardi! — Falou para si mesma, com raiva.
Ela começou a ver muitas imagens como num filme, e agora ela estava dentro de um filme de terror, aonde via a sua vida destruída nas mãos de um mafioso filho da puta, que ela odiava! As cenas de alguns dos pesadelos foram lembradas, e algumas não eram sonhos, aconteceram de verdade, e agora ela via o rosto de Felipe Lombardi ali, ele a maltratou tanto...
Cada cena horrível que ela lembrava, justificava um pouco dos pesadelos que tinha constantemente, e claro que iria mesmo ter, seria até impossível não tê-los, a sua vida nos últimos quatro anos foi baseada naquilo, em tristeza, dor, tentativas fracassadas de fuga... nossa, quantas vezes ela tentou fugir daquele lugar, quantas vezes apanhou de Felipe, Marco Polo, Morcego... dormia nua, e molhada, e ele a jogava água de hora em hora para que não fechasse os olhos, como forma de tortura, e vivia com aquele canivete, ameaçando escrever palavras feias no seu corpo todo.
Ela não conseguia acreditar que aquele homem nojento, foi capaz de enganar ela outra vez! Mentiu que era a sua esposa, e com intuito de que? Aquele homem era louco! E depois simplesmente num dia, dizer que ela agora era a mulher dele? E ela deveria sorrir, e ficar feliz por isso? Aquilo era patético, pensava Maria Júlia, e as lágrimas inundaram o seu rosto.
Maria Júlia não sabia quanto tempo havia passado, e nem que horas eram, mas ela precisava ver o Davi Miguel, então apertou aquele botão vermelho, ao lado da sua cama.
Não demorou nada, e o jovem apareceu na porta do seu quarto, assustado e a olhou procurando por algo errado.
Ela já havia se decidido! As coisas entre ela e Davi Miguel não estavam tão claras ainda, e os seus sentimentos estavam mortos, mas de uma coisa ela tinha certeza... queria torturar Felipe Lombardi até a morte...
— Está tudo bem, Maria Júlia? Por que está chorando tanto? O que aconteceu? — Perguntou o Davi Miguel, se aproximando um pouco.
— Eu me lembrei de muita coisa, Davi Miguel! E, você tem razão! Aquele verme precisa pagar por tudo isso, ele e também os outros, principalmente MP! Aceito a sua proposta, quero destruí-los! — Falou ela, aos prantos, para o rapaz.
Davi Miguel deveria ter ficado muito feliz, mas naquele momento se questionou se faria mesmo bem para a moça enfrentar tudo isso, e se não era esse um problema para ele e os seus soldados resolverem, e deixar ela fora disso.
Ele percebeu que a amava mais do que se lembrava, e ela era tudo que ele tinha de mais importante, e então naquele momento ele apenas foi ao seu encontro, e a abraçou.
Foi o abraço que ele queria ter dado assim que a encontrou, mas não pôde, ele queria tanto poder fazer coisas por ela, gostaria de apagar as imagens ruins da cabeça dela, queria fazer ela se lembrar o quanto se amaram, queria tantas coisas!
— Eu juro que acabaremos com a vida dele! — Falou Davi Miguel, a olhando nos olhos vermelhos e inchados por lágrimas.
— Obrigada! Eu também quero libertar as meninas de lá! Me lembrei delas... nossa, Davi! Algumas morreram! Aqueles infelizes as deixaram morrer! — Falou chorando no seu ombro.
— Calma, tá? A gente vai conseguir! Agora olha pra mim! — Segurou no rosto dela com a mão. — Você vai comer alguma coisa, e nós poderemos tirar esses fios todos! Daí posso pedir a Aurora que te dê um banho, e você poderá dormir melhor no seu quarto! Tudo bem? Você precisa me ajudar, e ser forte! Eu nem gosto de imaginar tudo o que esteja passando, mas se você comer, tomar um banho e tentar dormir...
— Eu acho que nunca mais vou conseguir dormir! Se antes de me lembrar, eu já vivia em pesadelos, agora então...
— Shi! — Colocou um dedo em sua boca, a calando. — Eu prometo te ajudar, Maria Júlia! Se precisar posso dormir ao teu lado se se sentir mais segura, e também agora teremos momentos bons! Você não terá apenas momentos ruins para o seu subconsciente lembrar, e logo, logo a sua cabeça será preenchida com muitas lembranças boas, você vai ver! — Falou beijando outra vez a testa dela.
— Você sempre foi tão amoroso! — Sorriu pra ele. — Ainda me lembro que me mimava na sorveteria! É uma pena ter vendido! — Falou ela.
— Porquê? — Perguntou.
— Porquê o sorvete de lá era ótimo! — Ela abaixou a cabeça com um olhar triste.
— O que foi? Já tinha até sorrido, e agora ficou triste? — Perguntou o Davi Miguel.
— Tem notícias da minha família? Eles estão bem? — Perguntou ela.
— Então... Luan está estudando, e a sua mãe está bem, ela trabalha na sorveteria agora, e logo depois que resolvermos essas coisas, poderemos ir até lá, pois antes acho arriscado, os homens da máfia italiana, de Felipe Lombardi, estão em todos os lugares, e precisamos resolver isso antes, não quero correr nenhum risco! — Falou ele, mas ela percebeu que tinha algo errado.
— Porque não falou nada do meu pai? Ele estava um pouco doente quando tudo aconteceu... — Falou receosa, e as lágrimas já escorriam novamente.
— Ele faleceu, um ano e meio depois! Eu ainda mantive contato com ele! — Ele falou, apenas, e a jovem chorou por mais um tempo, hoje estava sendo um dia muito difícil, e parecia que até o universo conspirava contra ela.
Passou um tempo que eles já estavam ali, e Davi Miguel fez uma ligação, e trouxeram uma sopa para a jovem e ele a ajudou a comer.
Maria Júlia não negou a ajuda dele, estava um tanto debilitada, e ainda tinha dores, principalmente no estômago e nas partes íntimas, então comeu bem devagar, e ele pediu a enfermeira que retirasse os acessos, de seu braço.
Maria Júlia se assustou ao sentir os braços do homem a envolverem, e sentiu ser carregada por ele a algum lugar, e viu que era ao quarto ao lado.
— O quarto ao lado, não era o seu? — Perguntou ainda deitada nos braços fortes do Davi Miguel.
— Sim, aqui vai se sentir melhor! Vou pedir a Aurora para que venha te ajudar no banho, e te colocar para dormir, que depois eu mesmo virei me deitar aqui com você! — Ele falou, e a deixou assustada, o olhando com receio.
— Vai se deitar comigo? — Perguntou preocupada.
— Apenas deitar, minha princesa! Vou cuidar para que os pesadelos não a impeçam de descansar, eu jamais te tocaria sem que me autorizasse, você ainda não se lembra de tudo, não é? — Agora fez uma pergunta a ela.
— Obrigada! Eu acho que ainda não... — Falou ela para ele, e sentiu ser colocada na cama.
— Então não tenha medo! Agora está segura, você vai ver! — Ele falou, deixando a moça mais aliviada, e pegou o celular e fez uma ligação.
— Peça para que a Aurora venha até o meu quarto!
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— Sim, obrigado!
— Eu me lembrei, dela! A Aurora... ela já me ajudou muito! — Falou ela.
— Eu sei, por isso a trouxe! Agora ela poderá descansar um pouco, também! — Ele falou com um semblante um pouco mais alegre!
A Aurora chegou no quarto, e Davi Miguel as deixou mais a vontade, saiu do quarto para resolver umas coisas, entre elas saber com o seu informante como estaria na casa de Maria Júlia, e na de Felipe Lombardi…
