Casada com um Mafioso Misterioso

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Capítulo 1 Prólogo

Prólogo

Davi Miguel se afundou na cadeira da imensa mesa da copa, uma torrente de emoções enchendo seu peito.

— Pai, você disse que eu teria mais tempo! — Davi protestou, suas palavras reverberando na vastidão do espaço.

Seu pai, olhos cravados nele, suspirou pesadamente.

— Fomos invadidos, meu filho! Você precisa começar o treinamento, e para isso, você precisa estar casado. Já resolvi tudo.

Davi olhou para os papéis espalhados pela mesa, seu futuro traçado em tinta escura.

— Resolveu o quê? A Maria Júlia não sabe que assinou um contrato de casamento, ou sabe?

— O pai dela sabe, e isso é o suficiente. Quando eu der o sinal, você pode contar a ela. Vocês estão juntos há tanto tempo, não vejo o problema. O pai dela está partindo, ela vai precisar de você.

As palavras dele pesaram como chumbo no coração de Davi. Ele olhou para os papéis, um contrato silencioso, e então para seu pai, sentindo-se encurralado.

Com um suspiro resignado, ele pegou a caneta, pressionando-a contra o papel. A tinta escorreu, marcando o destino deles de forma irrevogável.

Dias depois, na sorveteria onde sempre se encontravam, a tensão flutuava no ar enquanto Davi abraçava Maria Júlia. Um sorriso doce brincou nos lábios dela, mas havia algo mais em seu olhar.

— O quanto me ama, Maria Júlia? — Ele a abraçava daquele jeito tão carinhoso como de costume. Colocou o cabelo dela para trás a envolvendo em seus braços de forma aconchegante, porque sempre é tão maravilhoso estar com ela.

Maria Júlia sorriu de forma tão doce que chegou a confundir o rapaz se deveria mesmo, ter feito essa pergunta novamente. Embora a sua consciência esteja o acusando por ter aceitado aquele acordo de casamento feito pelos pais do casal, mesmo a amando de toda a sua alma.

O jovem precisava saber, ele tinha necessidade de ouvir novamente que não tomou uma decisão equivocada, que o fato de ter aceitado por ambos aquele acordo, sem mesmo a sua amada saber que havia, não o faria cair num precipício quando um tempo depois, ela soubesse que já estavam casados.

— Eu te amo com toda a minha alma, meu amor! Eu não tenho olhos para mais ninguém, se eu pudesse ficaria com você para sempre aqui nessa sorveteria, parece que o tempo não passa! — ele sorriu um pouco mais aliviado, a amava demais para correr o risco de perde-la por causa de um acordo entre máfias, mas se essa era uma regra, ele precisava cumprir, e por enquanto a moça não poderia saber a respeito daquilo.

A sorveteria já estava fechando, a noite se aproximava, então o beijo também foi mais intenso. O rapaz sentia o seu corpo quente, só de saber que naquele mesmo dia havia assinado aqueles papéis, e Maria Júlia já era dele.

Apertou mais forte a sua cintura, sentiu vontade de aprofundar mais, pois o seu sangue corria agitado pelo seu corpo, já era um homem... sentia desejos pela mulher que amava, estava pronto para tê-la por inteira, e também havia chegado o momento de consumar o casamento, a jovem não sabia, mas até o seu pai já havia permitido que o jovem a levasse para a casa dele.

Mas, do nada um cliente entrou no local e se sentou numa das mesinhas ainda postas, e ele demorou para perceber, e achou estranha a forma como o homem olhava para os dois, parecia com inveja do seu relacionamento.

— Já estamos fechando, senhor! — ele falou ainda abraçado na cintura da Maria Júlia.

— Eu só vim para conhecer! — o cliente olhou no corpo de Maria Júlia de cima embaixo tempo superior ao necessário.

Quando o rapaz iria reclamar, o cliente simplesmente se levantou olhando por baixo, e se retirou os encarando.

— É melhor a gente fechar, já está tarde, né? — Maria Júlia comentou tão sorridente, que apagou a insegurança do jovem, que voltou a agarrá-la e a girou no ar, fazendo com que os seus cabelos voassem espalhados com o movimento, e eles acabaram em beijos novamente.

Maria Júlia se sentia completa quando estava com ele, parecia que a sua vida tinha sentido, era como se tivesse sido feita para estar com o namorado que ela amava.

O problema foi que o destino de ambos já estava escrito, e ela não sabia que chegaria à um ponto que perderia todas as suas memórias, as boas e as ruins... e ficaria difícil de decidir em quem confiar...

Naquela mesma noite, logo depois da perfeita consumação daquele casamento, Maria Júlia se encostava no corpo do belo e maravilhoso homem pelo qual ela havia se entregado de corpo e alma, quando precisou levantar e ir até a cozinha buscar um copo de água.

Ouviu um ruído estranho e até pensou que havia visto alguém, mas quando tentou sair do lugar já era tarde, homens invadiram a casa enquanto Davi Miguel dormia, ela sentiu alguém prendendo-a e tapando a sua boca, eram vários deles.

— Davi Miguel! Davi Miguel! — tentou gritar, mas foi muito rápido, enquanto se debatia, já viu uma seringa, então começou a tentar se agarrar nos móveis, e se desprender daqueles homens, mas parecia impossível.

— Me ajuda, Davi Miguel! Hum... — Sentiu quando uma agulha foi aplicada, mas não desistiu, tinha esperanças que o Davi Miguel acordasse, viesse salvá-la, ela só precisava se manter, firme.

Até que ela viu aquele homem... era o homem da sorveteria, ele estava ali, ela não esqueceria mais aquele rosto, ou esqueceria? Não havia como ela saber, pois viu tudo ficar escuro quando esse mesmo homem a desmaiou com uma pancada, e então levou Maria Júlia para muito longe do novo marido. Ainda jovem e sem treinamento, ele acreditou que ela havia descoberto o que ele tinha feito e o abandonado.

Mas, a verdadeira história deles só estava começando, ele foi devidamente treinado, assim descobriu toda a verdade do que havia acontecido com ela, e deixou tudo para trás para buscá-la de volta. E, em breve, a sua amada reencontraria o seu marido misterioso.

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