Banida Pelo Alfa, Reivindicada Pelo Rei Lycan

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Capítulo 3 Capítulo 0003

•CASSANDRA•

Quando acordei na manhã seguinte, Mason ainda não estava ao meu lado.

O outro lado da cama estava frio, e eu encarei o espaço vazio por alguns segundos antes de me sentar.

Alguma coisa parecia errada.

Depois de trocar de roupa, desci para ver o Rowan. A televisão já ecoava pela sala de estar antes mesmo de eu entrar.

Rowan estava sentado no sofá, comendo panquecas e rindo de um desenho animado.

— Bom dia, meu amor — cumprimentei baixinho, antes de beijar o topo da cabeça dele.

Normalmente, Rowan me abraçava no segundo em que me via. Hoje, mal tirou os olhos da tela.

— Bom dia, mãe — respondeu, despreocupado.

Eu franzi a testa.

— Você já tomou café da manhã?

— Já. — Ele apontou feliz em direção à cozinha e para as panquecas em cima da bancada. — A Nadia fez panquecas.

Meu peito apertou.

— Ela cozinhou pra você?

— E ela é muito boa nisso também — Rowan respondeu com um sorriso. — Bem melhor que o Theo.

— Entendi — eu sorri e pigarreei. — Onde está o seu pai?

— Acho que ele tá com o Theo no campo de treino.

Alguma coisa afiada se retorceu no meu estômago. Fiquei em silêncio por um momento antes de ir até a cozinha.

Nadia estava perto da bancada, colocando café em duas xícaras. Parecia relaxada, à vontade. E sorriu no instante em que me viu.

— Bom dia, Luna Cassandra.

Lyra se agitou, inquieta, dentro de mim.

— Bom dia — respondi, com calma.

Nadia ergueu uma das xícaras.

— Fiz café a mais, se você quiser.

— Não vai ser necessário.

O sorriso dela continuou no lugar, mas eu percebi o divertimento por trás dele.

— Espero que você não se importe de eu ter ajudado o Rowan hoje de manhã — ela continuou. — Ele parecia com fome.

Cruzei os braços, pressionando-os contra o peito.

— Rowan tem empregados, cozinheiros e uma Luna que pode cuidar dele.

Nadia inclinou a cabeça.

— Eu só estava ajudando.

— Então da próxima vez, pergunte antes.

Ela soltou um riso de desdém e se inclinou para a frente, fechando o pequeno espaço entre nós.

— Você não precisa se sentir ameaçada por mim, Cassandra.

Lyra rosnou na mesma hora.

— Eu não me sinto ameaçada — respondi. — Mas não vou ficar aqui parada deixando você fazer o que bem entende na minha casa e com o meu filho.

Os olhos de Nadia cintilaram com algo presunçoso.

— Ah, querida — ela disse. — Foi o próprio Mason que me convidou pra ficar aqui, e ele me disse pra eu me sentir em casa. Então talvez você devesse conversar com ele sobre isso.

Antes que eu pudesse responder, passos entraram na cozinha. Mason apareceu, vestindo roupas de treino pretas, com suor ainda grudado no pescoço.

No momento em que percebeu a tensão entre nós, a expressão dele escureceu.

— O que está acontecendo aqui?

— Nada — respondi imediatamente.

Nadia baixou os olhos.

— A gente só estava conversando.

Mason olhou de uma para a outra. Então o olhar dele parou em mim.

— Cassandra.

Só aquele tom já me irritou. Eu encarei Mason.

— Eu agradeci à Nadia por ajudar o Rowan, e só. A gente não estava brigando, se é isso que você está preocupado.

Mason soltou o ar, como se já esperasse confusão.

— Então deixe por isso mesmo. Eu não quero que a alcateia pense que a Luna não está fazendo nossa convidada se sentir bem-vinda na casa da alcateia.

Meu peito apertou.

— Você acha que eu estou criando problema?

— Eu acho que a alcateia está observando tudo agora — ele respondeu, frio. — A última coisa de que a gente precisa é de tensão desnecessária.

Lyra estalou furiosa dentro de mim.

Tensão desnecessária?

Nadia estava na nossa cozinha preparando o café da manhã para o meu filho depois de ter chegado ontem, mas, de algum jeito, a errada era eu.

Mason pegou uma das xícaras de café que Nadia tinha preparado, mas aquele gesto simples doeu mais do que deveria.

Eu não conseguia acreditar que eles estavam me fazendo de idiota, sumindo juntos a noite inteira, só para Mason voltar e ficar do lado dela em tudo.

Parecia um pesadelo horrível que não acabava nunca.

Nadia olhou para ele e então sorriu. “Acho melhor eu me arrumar pro treinamento”, murmurou.

“E eu preciso resolver algumas coisas no meu escritório”, Mason respondeu na mesma hora.

Alguma coisa dentro de mim trincou. Os dois passaram por mim juntos. Bem antes de sair, Nadia olhou por cima do ombro na minha direção.

Aquele mesmo sorriso calmo continuava no rosto dela quando a porta se fechou atrás dos dois.

Eu fiquei sozinha na cozinha, tentando respirar apesar da raiva crescendo dentro do meu peito.

Lyra andava de um lado para o outro sob a minha pele, violenta. “Ela está nos desafiando, Cassandra. Quer ver o quanto a gente aguenta.”

“Eu sei”, eu sussurrei.

Eu saí, precisando de ar antes de perder o controle de vez.

Algumas lobas estavam perto do jardim, conversando baixo, até perceberem que eu me aproximava.

As vozes delas diminuíram na mesma hora — mas não rápido o bastante.

“Você viu a Nadia com o Alfa Mason hoje de manhã?”

“Eles já parecem bem próximos.”

“Eu ouvi dizer que eles se conheciam antes da Luna Cassandra.”

“Isso explica tudo.”

Eu parei de andar, e as mulheres travaram imediatamente. Uma delas baixou a cabeça, nervosa. “Luna.”

Eu olhei para elas com calma, apesar da fúria queimando por dentro. “Se vocês já terminaram de fofocar, os depósitos do lado leste ainda precisam ser organizados.”

“Sim, Luna”, elas responderam depressa.

Eu me afastei antes que elas vissem a dor no meu rosto.

Por seis anos, eu fiz tudo por Silvercrest. Eu mediei disputas, organizei alianças, protegi membros da alcateia durante períodos de escassez e criei Rowan como se fosse meu próprio filho.

Mas uma mulher chegou ontem, e de repente todo mundo me olhava com pena.

Eu odiava isso.

Voltei para o andar de cima, precisando clarear a cabeça.

No instante em que entrei no corredor perto do nosso quarto, Mason apareceu do outro lado.

A expressão dele endureceu imediatamente ao me ver. Ele tentou passar direto por mim, mas eu segurei o braço dele antes que conseguisse.

“Mason.”

Ele parou, mas não olhou para mim.

“O quê?”

Eu engoli em seco. “Fala comigo com sinceridade, pelo menos uma vez.”

A mandíbula dele se contraiu.

“Você tem ficado distante há meses”, eu continuei. “Aí a Nadia chega e, de repente, ela está morando aqui, do nosso lado. Eu mereço uma explicação.”

Mason finalmente me encarou. Por um momento, a culpa passou pelo rosto dele, e então sumiu.

“O que exatamente você está me perguntando, Cassandra?”

Minha garganta se apertou, doendo. “Eu quero a verdade, Mason. Eu sei que está acontecendo alguma coisa entre você e a Nadia.”

O silêncio se estendeu entre nós. Então Mason respondeu, baixo: “Tá. Eu e a Nadia ficamos juntos anos atrás.”

Eu já desconfiava disso. Mas as palavras seguintes me destruíram por completo.

“Ela foi a mulher que esteve comigo quando você estava ocupada e não conseguiu ver o quanto eu estava me afogando quando meu pai morreu.”

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