Banida Pelo Alfa, Reivindicada Pelo Rei Lycan

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Capítulo 1 LIVRO UM: Capítulo 0001

•CASSANDRA•

A casa da alcateia estava mais barulhenta do que o normal.

Servos circulavam pelos corredores carregando bandejas, flores e caixas de vinho, enquanto os guardas conferiam cada entrada antes do banquete de aniversário começar.

Eu estava perto da entrada do salão de jantar com uma lista de convidados na mão, enquanto Kira ajustava os cartões de lugar nas mesas compridas.

“Os anciãos da alcateia de Northern Ridge acabaram de chegar”, Kira me informou.

“Garanta que eles se sentem perto dos membros do conselho”, respondi. “O Alfa Mason quer eles mais à frente.”

Kira assentiu e então baixou a voz. “A senhora está trabalhando desde o amanhecer, Luna. Deveria descansar antes de os convidados chegarem.”

“Eu descanso depois de hoje.”

Chequei o salão pela última vez. As velas prateadas estavam acesas, os músicos se preparavam perto do palco, e os guardas permaneciam em cada canto do salão.

Tudo parecia perfeito.

Tinha que estar perfeito.

Esta noite marcava quatorze anos desde que Mason se tornou Alfa da alcateia Silvercrest. Convidados importantes de territórios vizinhos estavam vindo, incluindo Alfas que, no passado, se recusavam a ficar na mesma sala.

Um único erro esta noite se espalharia por todas as alcateias antes do amanhecer.

Kira se aproximou mais. “Você acha que o Alfa Mason finalmente vai anunciar a aliança real hoje à noite?”

Eu parei.

Por seis anos, eu estive ao lado de Mason como sua Luna, mas ele ainda evitava discussões públicas sobre o nosso vínculo de companheiros. A alcateia me respeitava por causa do meu título, não porque Mason me assumisse abertamente.

“Eu não sei”, respondi com sinceridade.

Kira pareceu desconfortável ao ouvir minha resposta.

Entreguei a lista de convidados a ela. “Vai ajudar a cozinha a preparar a sobremesa.”

“Sim, Luna”, ela respondeu antes de sair.

No instante em que ela desapareceu pelo corredor, duas servas entraram pelas portas laterais, cochichando uma com a outra.

“Ela realmente veio.”

“Ouvi dizer que o Alfa Mason convidou pessoalmente.”

Eu diminui o ritmo.

“Por que ele convidaria ela depois de tantos anos?”, perguntou a segunda serva.

“Porque ela é a mulher que ele queria antes de casar com a Luna.”

As duas congelaram ao perceberem que eu estava ali. O medo atravessou o rosto delas na mesma hora.

“Luna…”, murmurou uma delas.

Eu as encarei com calma. “Se vocês têm tempo de sobra para fofocar, então têm tempo de sobra para ajudar na cozinha.”

“Sim, Luna”, responderam depressressa, antes de saírem quase correndo.

Meu peito apertou.

Mason vinha distante havia meses. Passava mais noites no escritório do que no nosso quarto. Às vezes, ele parava de falar no instante em que eu entrava no cômodo.

Eu dizia a mim mesma que era estresse com assuntos da alcateia. Mas agora eu já não tinha tanta certeza.

Subi as escadas em direção ao nosso quarto, e as portas estavam entreabertas.

Mason estava perto da janela, de costas para mim, falando ao telefone.

“Ninguém pode saber antes de hoje à noite”, ele murmurou.

Houve silêncio antes de ele responder de novo. “Eu já resolvi a Cassandra.”

Meu estômago despencou.

O assoalho rangeu sob o meu pé, e Mason se virou na mesma hora. Ele encerrou a ligação antes que eu pudesse falar.

Por um segundo, nenhum de nós se mexeu.

“Você está se adiantando nos preparativos”, eu disse, por fim.

Mason enfiou o celular no bolso. “Ainda tem muita coisa para fazer antes do banquete.”

A expressão dele permaneceu calma, mas tinha algo errado.

Eu me aproximei. “O salão já está pronto. Os membros do conselho já chegaram.”

“Ótimo.”

“Só isso?”, perguntei.

Mason desviou o olhar por um instante antes de responder: “O que você quer que eu diga, Cassandra?”

Engoli a dor na garganta. “Você mal falou comigo a semana inteira.”

“Eu estive ocupado.”

“Você também tem me evitado.”

“Isso não é verdade.”

Eu encarei Mason por um bom tempo. “Com quem você estava falando?”

“Com um membro do Conselho”, ele respondeu sem olhar para mim, e eu soube naquele instante que ele estava mentindo.

Antes que eu pudesse questioná-lo de novo, uma batida na porta nos interrompeu. Kira entrou com cuidado. “Luna, o Rowan está te chamando lá embaixo.”

A tensão no quarto se desfez na hora.

“Eu já vou”, eu respondi.

Mason pegou uma pasta em cima da mesa. “Preciso me encontrar com os anciãos antes da cerimônia.”

Sem dizer mais nada, ele passou por mim e saiu do quarto. Eu fiquei ali por alguns segundos, até me obrigar a me mexer.

Rowan esperava perto da escadaria, vestindo um terninho preto. A gravata estava frouxa em volta do pescoço.

No instante em que me viu, o rosto dele se iluminou. “Mãe!”, ele gritou, antes de correr na minha direção.

Eu sorri na mesma hora e me agachei na frente dele. “Você tinha que andar como um futuro Alfa, lembra?”

“Eu esqueci”, ele respondeu com um sorriso travesso.

Eu arrumei a gravata dele enquanto ele continuava falando, empolgado, sobre os dançarinos e as sobremesas que estavam esperando lá embaixo.

Rowan sempre preenchia de vida os pedaços vazios da casa da alcateia.

Ele não era meu filho biológico, mas eu parei de pensar nisso anos atrás. Pra mim, ele era meu filho.

“Eu estou com cara de forte?”, Rowan perguntou, todo orgulhoso.

“Você está apavorante”, eu respondi, fazendo drama.

Ele riu alto antes de pegar na minha mão.

“Vamos. O tio Theo prometeu me ensinar uns truques de espada antes do jantar.”

“Você com certeza não vai aprender truques de espada antes do jantar.”

“Mas, mãe…”

“Não.”

Rowan suspirou, exagerado. “Você está falando igual ao pai.”

O comentário fez meu sorriso sumir um pouco.

Antes que Rowan percebesse, eu apertei a mão dele com carinho e caminhei com ele na direção do salão do banquete.

O salão já estava cheio.

A música ecoava pelo ambiente, enquanto os empregados circulavam levando taças entre as mesas. Vários Alfas estavam perto do centro, discutindo acordos de comércio.

No momento em que Mason subiu ao palco, o silêncio se espalhou pelo salão.

Ele parecia imponente com as roupas cerimoniais pretas, com o brasão de Silvercrest estampado no peito.

“Obrigado a todos por estarem aqui esta noite”, Mason começou. “Há quatorze anos, esta alcateia foi dividida por guerra e traição. Hoje, Silvercrest está mais forte do que nunca por causa da lealdade do seu povo.”

A multidão aplaudiu, e Rowan sorriu, orgulhoso, ao meu lado. Então as grandes portas de entrada se abriram.

Todas as vozes no salão desapareceram.

Uma mulher entrou usando um vestido azul-escuro, com bordados prateados ao longo das mangas. O cabelo preto e comprido caía sobre um dos ombros, enquanto guardas vinham logo atrás.

Ela atravessou a multidão com confiança, como se já pertencesse àquele lugar.

Mason parou de falar, e o salão inteiro notou. Sussurros se espalharam na mesma hora.

“Aquela é a Nadia Dean.”

“Ela voltou?”

“Eu achei que ela tinha saído dos territórios anos atrás.”

Meu estômago se revirou quando eu vi a expressão no rosto de Mason. Ele parecia chocado, como se aquele momento fosse irreal.

Eu percebi que ele nunca tinha me olhado daquele jeito.

Os olhos de Nadia se fixaram em Mason, e um sorriso lento surgiu nos lábios dela.

Então ela disse as palavras que despedaçaram o salão: “Olá, Mason.”

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