ATRAÇÃO IRRESISTÍVEL

Download <ATRAÇÃO IRRESISTÍVEL> grátis!

BAIXAR

Capítulo 8 Entre Olhares e E-mails

O retorno ao escritório parecia, à primeira vista, uma volta à normalidade.

Mas, para Aline, nada estava igual.

Desde o fim de semana no Rio, cada passo, cada palavra trocada com Paulo carregava uma nova tensão — sutil, mas constante.

Ele não mencionou o que acontecera na varanda do hotel. Nem ela. Ambos fingiam que a conversa não existira.

Mas o silêncio entre eles dizia tudo.

Na manhã de segunda-feira, Aline chegou mais cedo que o habitual.

A torre Bianchi ainda despertava, com luzes acendendo aos poucos e o som distante da máquina de café ecoando pelos corredores. Ela se acomodou em sua mesa e abriu o notebook, tentando mergulhar nas planilhas como quem foge de um pensamento perigoso.

Mas, quando a notificação de e-mail apareceu, o coração dela parou por um instante.

> De: Paulo Bianchi

Assunto: Reunião de acompanhamento

Mensagem: “Bom dia, senhorita Méndez. Gostaria que revisássemos juntos o material da filial de Lisboa antes do meio-dia. Traga também os relatórios de Paris. — P.”

Formal.

Seco.

Impecável.

Mas havia algo nas entrelinhas.

Talvez fosse a ausência de palavras desnecessárias — ou o fato de que, até ali, ele nunca a chamara para revisar juntos um relatório.

Respirando fundo, ela respondeu:

> “Claro, senhor Bianchi. Estarei pronta em quinze minutos.”

E, por mais que tentasse, o estômago se revirava em expectativa.

A sala dele estava iluminada pela luz suave da manhã.

O aroma do café fresco misturava-se ao de papéis novos e madeira polida.

Paulo estava à mesa, de mangas dobradas, revisando documentos com concentração aparente.

Mas, quando ela entrou, os olhos dele se levantaram — e por um instante, o ar pareceu mudar.

— Bom dia, senhor — disse ela, controlada.

— Bom dia. — Ele indicou a cadeira ao lado. — Sente-se, por favor.

Enquanto discutiam números e estratégias, Paulo tentava manter o foco.

Mas, em cada gesto dela — o modo como escrevia, o timbre baixo da voz, o perfume discreto —, havia algo que o distraía. Ele não queria admitir, mas a lembrança de Nina e a presença de Aline estavam se confundindo em sua mente.

Quando a reunião terminou, Aline recolheu as pastas e se preparou para sair. Mas ele a deteve.

— Senhorita Méndez... — A voz dele soou baixa, quase hesitante. — A propósito, parabéns pelo trabalho no evento. Sua dedicação foi essencial.

Ela sorriu, surpresa.

— Obrigada, senhor.

— E... — Ele fez uma pausa curta. — Aquele vestido azul lhe caía muito bem.

O comentário ficou suspenso no ar.

Sutil demais para ser repreendido, íntimo demais para ser apenas profissional.

Aline sentiu o rubor subir-lhe ao rosto.

— Agradeço o elogio. — E saiu antes que a voz a traísse.

Os dias seguintes tornaram-se um delicado jogo de controle.

Os dois se observavam à distância — discretos, cuidadosos, mas inegavelmente conectados.

Durante reuniões, Aline sentia o olhar dele se demorar sobre ela um pouco além do necessário. Nos corredores, os cumprimentos eram breves, mas o suficiente para deixá-la sem ar.

E, nos e-mails que trocavam, pequenas sutilezas começaram a aparecer.

> Paulo: “Excelente análise, Aline. Como sempre, confiável e precisa.”

Aline: “Obrigada, senhor. Tento seguir seu exemplo.”

Paulo: “Então fico em dívida — você tem superado o mestre.”

Ela riu sozinha ao ler a última linha.

Era um flerte? Um elogio sincero?

Não importava. O simples fato de imaginar o sorriso dele ao escrever já era suficiente para bagunçar tudo dentro dela.

Naquela sexta-feira, após o expediente, Aline foi chamada novamente à sala do diretor. A empresa estava quase vazia, e a luz do entardecer dourava o vidro da janela. Paulo estava de pé, olhando a cidade abaixo.

— Senhorita Méndez — começou ele, sem virar-se. — Gostaria que me enviasse o relatório consolidado até amanhã cedo. Temos uma reunião com investidores segunda-feira.

— Sim, senhor. Posso trabalhar de casa e enviar o material ainda esta noite.

Ele assentiu, em silêncio. O vento lá fora fazia as cortinas balançarem, e o momento pareceu se alongar.

Aline esperou que ele dissesse algo mais, mas o silêncio persistiu.

Quando se virou para sair, ouviu-o dizer:

— Você confia em mim, Aline?

Ela parou, surpresa.

— Confio, senhor.

Ele se aproximou lentamente, os olhos fixos nos dela.

— Então responda honestamente: há algo que não está me dizendo?

O coração dela disparou. Por um instante, achou que ele sabia.

Que havia descoberto tudo — Nina, os encontros, as mensagens.

Mas o olhar dele era confuso, não acusador. Ele buscava uma resposta que nem sabia formular.

— Não, senhor — respondeu, com firmeza. — Não há nada.

Paulo a observou por um longo segundo, depois assentiu devagar.

— Está bem. — E voltou-se para a janela.

Mas quando ela saiu da sala, ele murmurou para si mesmo:

— Então por que tenho a impressão de que há duas pessoas em você?

Em casa, Aline largou o laptop sobre a cama e respirou fundo. A voz dele ainda ecoava em sua mente.

- “Há algo que não está me dizendo?”

Ela quase respondera “sim”.

Mas o medo — e o desejo — a calaram.

Abriu o e-mail corporativo e começou a trabalhar, mas o foco era impossível.

As palavras dele pareciam pulsar entre as linhas da tela.

Foi então que seu celular vibrou. Um número desconhecido.

> Mensagem: “Boa noite, Nina. Ainda acredita que o destino está se divertindo conosco?”

A respiração dela falhou.

Era Paulo. Ele ainda acreditava que estava falando com Nina.

> Nina: “Boa noite, senhor misterioso. Não sei se é o destino… ou se nós é que o provocamos demais.”

Paulo: “Talvez os dois. E se o destino quiser brincar de novo, eu não pretendo fugir.”

Ela ficou olhando a tela, o coração disparado. Sabia que aquilo era um erro, mas não conseguiu resistir.

> Nina: “Então espero que saiba jogar.”

Paulo: “Nunca fui bom em jogos. Mas por você, aprendo.”

O peso daquelas palavras a atingiu em cheio. Era o homem real — o Paulo que ela conhecia, não o CEO distante.

E ele estava se entregando sem saber a quem.

Aline fechou os olhos e encostou a cabeça na parede. A culpa e o amor se misturavam, tornando impossível distinguir onde terminava uma coisa e começava a outra.

Na segunda-feira, o escritório parecia mais frio. Os dois se evitavam — ele por confusão, ela por medo. Mas bastou um olhar, no corredor, para que tudo voltasse à tona.

Aline passou por ele segurando uma pilha de relatórios, e os dedos de ambos se tocaram brevemente. Um toque rápido, quase acidental.

Mas suficiente para despertar o fogo que tentavam apagar.

— Tenha um bom dia, senhorita Méndez — disse ele, em voz baixa.

— O mesmo, senhor.

Quando se afastaram, ambos sabiam:

o jogo estava ficando perigoso demais para continuar…

mas já era tarde demais para parar.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo