ATRAÇÃO IRRESISTÍVEL

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Capítulo 6 O Primeiro Encontro com

O relógio marcava seis da tarde quando Aline fechou o laptop e apoiou a testa sobre as mãos.

O escritório, finalmente silencioso, parecia respirar alívio após dias intensos.

Ela havia concluído a reunião antecipada com os investidores — e o próprio Paulo elogiara sua eficiência diante de todos.

Mas, em vez de satisfação, sentia o coração inquieto.

Desde aquela conversa, os olhares dele haviam mudado.

Não eram mais frios, neutros.

Havia algo neles... curiosidade, talvez.

Ou suspeita. E o simples pensamento a fazia estremecer.

Ela tentava se convencer de que Nina havia ficado no espelho de casa, guardada sob o batom vermelho e o perfume de jasmim.

Mas a verdade era que Nina estava viva dentro dela.

E cada vez mais difícil de conter.

O som do celular rompeu o silêncio.

Era uma mensagem de Beatriz:

> Bea: “La Ruelle. 21h. Eu, você e um drinque pra comemorar o fim do caos. Nada de desculpas.”

Aline sorriu. Precisava daquilo — de uma noite comum, de leveza.

Mas, ao abrir o armário, percebeu que não havia nada “comum” em suas escolhas. Os vestidos novos de Nina chamavam sua atenção como se tivessem voz própria.

Pegou o vermelho. Suspirou.

Talvez só por uma noite.

O La Ruelle estava movimentado, iluminado pelas luzes suaves que dançavam nas taças de cristal.

Aline entrou com passos seguros, o perfume delicado misturando-se ao ar doce do lugar. Beatriz já a esperava em uma das mesas do canto, animada como sempre.

— Finalmente! — disse, erguendo a taça. — À nova Aline… ou devo dizer, à eterna Nina?

— Às duas — respondeu ela, sorrindo, e brindaram.

Conversaram sobre trabalho, viagens, sonhos. Aline se sentia leve — até que Beatriz, com aquele olhar maroto, arqueou as sobrancelhas.

— Não olhe agora, mas acho que seu CEO favorito acabou de entrar.

Aline engasgou. — O quê?!

Beatriz mordeu o lábio, disfarçando a risada. — Eu disse pra não olhar!

Mas era tarde demais. Aline já o tinha visto — Paulo Bianchi, impecável como sempre, o paletó escuro contrastando com o ar descontraído do ambiente.

Ele não estava só. Lucas o acompanhava, falando algo animado.

Mas Paulo parecia distraído, até que seus olhos cruzaram os dela.

O tempo parou.

Não houve dúvida. Ele a reconheceu.

Não como Aline — mas como Nina.

Paulo sentiu o coração acelerar, um reflexo involuntário que o pegou de surpresa.Ela estava ali. A mulher misteriosa que ocupara seus pensamentos desde aquela noite.

Nina Alves.

— Paulo? — Lucas o chamou, percebendo o silêncio repentino. — Está tudo bem?

— Está. — Ele respirou fundo, tentando se recompor. — Só achei... alguém conhecido.

Lucas seguiu seu olhar, e um sorriso se formou em seu rosto.

— Ah, então é verdade. A mulher do bar.

— Não começa — murmurou Paulo, mas não conseguiu evitar um leve sorriso. — Ela está diferente hoje... ainda mais bonita.

— Vai lá falar com ela.

— Não — respondeu, firme. — Seria inconveniente.

Mas, enquanto dizia isso, seus olhos voltaram a procurá-la.

E quando ela sorriu discretamente na direção dele, todas as desculpas se tornaram inúteis.

Aline sabia que aquele momento era perigoso. Mas quando os olhares se encontraram, todo o resto desapareceu.

Ela sentiu o corpo responder antes da mente. O coração, a respiração, o calor nas mãos. Paulo se levantou, hesitou por um segundo — e caminhou até a mesa.

— Boa noite, senhoritas — disse, com o tom calmo e cortês de quem está acostumado a controlar cada palavra. — Posso me juntar a vocês?

Beatriz trocou um olhar rápido com Aline, divertida.

— Claro, senhor Bianchi. Ou devo dizer… Paulo?

Ele sorriu, puxando uma cadeira.

— Acho que prefiro Paulo. Afinal, fora do escritório, podemos ser apenas pessoas, não cargos.

Beatriz levantou-se logo depois, pegando a bolsa.

— Então deixo vocês pessoas conversarem. Tenho um desfile pra organizar.

Deu um beijo na bochecha de Aline e piscou discretamente. — Boa sorte.

Aline tentou protestar, mas era tarde.

Beatriz desapareceu entre as mesas, deixando-os a sós.

— Então... nos encontramos de novo — disse ele, pousando o copo sobre a mesa.

— Ou talvez o acaso tenha gostado da coincidência — respondeu ela, serena.

— Coincidência ou destino?

— Depende de quanto você acredita em destino.

Ele se inclinou ligeiramente, curioso.

— E você, Nina? Acredita?

O som do nome em sua voz fez o coração dela disparar.

— Acredito que o destino gosta de testar a gente — respondeu, mantendo o olhar. — Principalmente quando tentamos fugir dele.

Paulo riu de leve, impressionado com a segurança que ela exalava.

A mesma mulher da outra noite — e, ao mesmo tempo, completamente nova.

Ele a observava falar, gesticular, rir.

Era natural, envolvente, mas havia algo... familiar. Um detalhe no jeito de tocar o cabelo, na forma como franzia o cenho ao pensar.

Por um momento, ele quase perguntou se ela tinha uma irmã gêmea.

Mas achou melhor guardar o pensamento.

Conversaram por longas horas.

Dessa vez, ele quis saber tudo sobre ela:

de onde vinha, o que fazia, o que a fazia sorrir.

Aline, em sua versão mais controlada de Nina, teceu respostas com cuidado — sem mentir, mas omitindo o essencial.

Disse que era formada em Letras, que trabalhava com eventos corporativos, e que amava o mar mesmo morando longe dele.

Paulo contou sobre suas viagens, o peso de dirigir um império familiar, a solidão por trás do sucesso.

Ela ouviu cada palavra com atenção sincera.

— Às vezes, tenho a sensação de que o mundo me vê como um robô de terno — confessou ele, olhando para o copo. — Tudo que faço é calculado, controlado.

— E o que você gostaria que vissem? — perguntou ela, suavemente.

Ele pensou por um instante. —

O homem, não o CEO.

Aline sorriu, triste e terna.

— Então talvez você só precise deixar que vejam.

A música ao fundo mudou para algo mais lento.

Paulo estendeu a mão.

— Dança comigo?

Ela hesitou — parte de medo, parte de desejo. Mas, quando colocou a mão na dele, o mundo pareceu silenciar.

A canção os envolveu, e por um instante, não havia fingimento.

Não havia Aline, nem Nina. Apenas duas pessoas que se encontravam no meio de tudo o que não podiam dizer.

O toque das mãos, o calor próximo, o ritmo suave. Ele a olhou nos olhos, e algo dentro dela desmoronou.

A máscara de Nina se confundia com a alma de Aline, e a verdade ameaçava escapar.

Mas, antes que pudesse se perder, ela se afastou.

— Eu... preciso ir.

Paulo franziu o cenho, confuso.

— Fiz algo errado?

Ela negou, forçando um sorriso. — Pelo contrário. Fez tudo certo demais.

E saiu, o coração disparado, lutando para conter as lágrimas que ameaçavam cair.

Na rua, o vento frio a despertou.

O reflexo das luzes da cidade tremulava sobre o asfalto molhado, e ela sentiu um nó apertar o peito.

O que estava fazendo?

Quanto tempo poderia manter esse jogo antes que tudo ruísse?

Pegou o celular e digitou uma mensagem para Beatriz:

> “Ele me encontrou. E eu não consegui ser só Nina.”

Beatriz respondeu minutos depois:

> “Talvez seja o momento de entender quem você quer que ele ame — a fantasia ou a verdade.”

Aline guardou o celular e olhou para o céu nublado.

Uma gota de chuva escorreu pelo rosto, fria como o medo, quente como a esperança.

Naquela mesma noite, Paulo voltou para casa com a sensação estranha de estar dividido entre duas realidades.

Havia algo em Nina que o atraía com força irresistível, mas ao mesmo tempo, algo nela lhe lembrava alguém.

A eficiência calma de Aline, talvez.

A forma como falava, as palavras escolhidas com precisão.

Deitou-se, mas o sono não veio.

O rosto dela o perseguia em cada lembrança — o sorriso, os olhos, a maneira como fugira no final.

E, pela primeira vez, Paulo Bianchi se perguntou se não estava sendo enganado... ou se, talvez, o verdadeiro engano fosse o dele por nunca ter aprendido a ver além das aparências.

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