Amor Perigoso

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Sei

Durante a tarde, Victoria ouviu novamente uma comoção diferente na casa. Espiando pela fresta da porta, viu mesas e objetos decorativos sendo carregados pelos capangas de Dominique. Os fragmentos das conversas que ela ouvia através da porta não eram suficientes; ela precisava estar no meio daquelas pessoas. Viver com elas e entender todo o esquema envolvendo aquela família.

Como tudo indicava que uma recepção seria realizada na casa, Victoria pensou que seria a oportunidade perfeita para reunir o máximo de informações possível. Ela encontraria uma maneira de entrar em contato com essas pessoas, de um jeito ou de outro.

Olhando pela janela que dava para uma parte do jardim, viu carros chegando com grandes itens decorativos, flores e bebidas. Ali, percebeu que não seria uma simples recepção; seria uma grande festa familiar.

Ansiosa, tentou elaborar um plano em sua cabeça que a levasse ao local. Sem qualquer restrição, Victoria saiu do seu quarto, explorando a casa pela primeira vez. De longe, pôde ver o grande salão com livros onde foi levada quando chegou à casa.

O que quer que vá acontecer será lá.

Sem segurança na porta de entrada, a ruiva saiu, colocando os pés descalços na grama. Fechou os olhos, sentindo a luz quente do sol perfurar sua pele, e pela primeira vez desde que chegou, sentiu-se livre de alguma forma. Todos os funcionários a olhavam, mas ninguém ousou interrompê-la. Continuaram seu trabalho, ignorando completamente sua presença.

Ela ficou ali por alguns bons minutos, e embora a ideia de tentar escapar tenha passado por sua mente várias vezes, sabia que no final do extenso jardim haveria um grande portão com homens armados guardando-o. Uma família como aquela não seria tão tola.

Sentada em um banco no jardim, Victoria permaneceu quieta, ouvindo o som dos pássaros enquanto observava os funcionários entrarem um a um com caixas nas mãos. Distraída, levou um susto quando viu Dominique sentar-se ao seu lado.

"Victoria Moretti, decidiu aproveitar nossas instalações?" ele perguntou, apoiando sua bengala no banco.

"Infelizmente, não tenho a opção de aproveitar o que está do lado de fora," a ruiva respondeu cinicamente.

"Boa observação. Mas não fique triste; nem todos podem aproveitar um lugar luxuoso como este. Alguns estão presos em caixas de madeira sem ver a luz do dia por semanas," Dominique passou a mão pelos cabelos grisalhos, ajustando os óculos na cabeça.

Para alguém como ele, não havia necessidade de ter uma postura ameaçadora ou usar ações agressivas. Saber usar as palavras é suficiente. Se a pessoa não for tola, a mensagem será efetivamente entregue.

"Verdade, tenho que admitir meus privilégios. Obrigada por estar segura," a ruiva tentou não mostrar todo o nojo que sentia ao vê-lo fumar seu cigarro. Qualquer coisa relacionada a tudo que ela havia passado com aquela família lhe causava repulsa.

"É bom manter uma convivência pacífica, não acha?" ao se levantar, o homem acariciou gentilmente o rosto de Victoria.

Seu primeiro instinto foi remover a mão áspera dele de seu rosto. Queria bater, gritar e fazer um escândalo de todas as formas, dizendo que aquele homem era responsável pelos horrores que ela havia passado até agora. Por estar separada de sua família, por agredir seus pais, e quem sabe o que mais eles poderiam fazer.

No entanto, ela permaneceu calma. Respirou fundo e encontrou dentro de si o instinto de sobrevivência que precisava.

Ela levantou a cabeça e sorriu em sua direção, ignorando o nojo que a invadia ao sentir o toque sujo de sua mão.

Observando-o enquanto ele voltava para dentro da casa, a ruiva notou que ele sussurrou algo no ouvido de uma das empregadas, que a observou sutilmente.

Nesse momento, a mulher se aproximou de Victoria, levando-a de volta ao seu quarto.

"Tome um banho e espere aqui. Eu venho te buscar em uma hora," disse rapidamente antes de sair.

Victoria obedeceu, sem questionar ou tentar descobrir qualquer informação.

Decidiu levar a sério o conselho de Catarina. A partir de agora, seguiria todas as ordens que lhe dessem. Afinal, seria a única maneira de encontrar um caminho para salvar seus pais.

Depois de um longo tempo—que Victoria não seria capaz de identificar porque não havia relógios no quarto—a empregada voltou, levando-a para um cômodo onde ela nunca havia estado antes.

O cômodo estava isolado de todos os outros na casa, e ela não se lembrava de ter passado por ali antes. Embora arrumado, notou alguns objetos empoeirados, como se estivessem intocados há muito tempo.

Ela passeou pelo grande cômodo, examinando cada detalhe da decoração, tentando captar qualquer coisa que pudesse ser útil no futuro.

Quando parou em frente à penteadeira iluminada em uma das paredes do quarto, viu uma caixa dourada com um cadeado. Sua primeira reação foi tocá-la, e ao vê-la perto do objeto, a empregada rapidamente se dirigiu em sua direção, pegando a caixa e colocando-a em uma gaveta.

"Venha, escolhi uma roupa para você," a mulher segurou sua mão, guiando-a até o closet, que parecia ter saído direto de um filme.

Os cabides pareciam ter mais de cem vestidos, e as prateleiras com bolsas de grife eram intermináveis. Além de outros itens como joias e acessórios. Em destaque estava um vestido de tom vermelho com um tecido semelhante a cetim, drapeado e com uma fenda na lateral. Era o vestido mais bonito que Victoria já tinha visto, e se não fosse pela ocasião infeliz, teria sido um prazer vesti-lo.

A mulher entregou-lhe o vestido, deixando-a sozinha para se trocar no closet. Suas mãos tremiam enquanto deslizava o zíper pelo cetim vermelho, tentando decifrar por que estava sendo tratada daquela maneira, dado que havia sido sequestrada.

Assim que terminou de se vestir, olhou-se no espelho e pensou que, apesar das circunstâncias, nunca havia estado tão bem-vestida em sua vida. A peça encaixava perfeitamente, mas seu rosto cansado e ainda se recuperando de alguns hematomas não realçava o conjunto.

Percebendo isso, a empregada a levou até a penteadeira, pegando alguns pincéis e paletas de maquiagem. A mulher era gentil, e a cada momento, pedia permissão a Victoria para tocá-la ou perguntava sua opinião sobre uma determinada cor de maquiagem que poderia usar.

Sem se importar com tais detalhes, Victoria parecia mais interessada em tentar adivinhar a quem pertencia aquele quarto tão bem decorado. No entanto, a mesa empoeirada onde os itens usados estavam apoiados sugeria que a pessoa que havia usado o quarto não morava na mesma casa há muito tempo.

Assim que terminou a maquiagem, finalmente percebeu que agora estava à altura das roupas que vestia. Para finalizar, a mulher lhe entregou um par de sapatos de salto Louboutin. Ironicamente, ela não estava acostumada a usar sapatos tão altos, lutando para fazer seu caminho até o salão principal.

Sua aparência estava deslumbrante, e ela podia perceber pelo modo como todos os funcionários ao redor a olhavam com admiração.

Quando as portas se abriram, todos os olhares se voltaram para Victoria, que, assustada, não teve reação. Um segurança ao seu lado a guiou, colocando-a em uma mesa separada de todos os convidados.

Ela estava simplesmente em choque. Havia tantas pessoas, mais do que ela imaginava que haveria. Não precisava pensar muito para concluir que qualquer chance de escapar resultaria em um caos inimaginável.

No entanto, não podia deixar de se perguntar se todas aquelas pessoas presentes sabiam das atividades ilegais que a família praticava. Ou pior, seriam elas tão ruins quanto eles?

Enquanto se servia de champanhe, notou um movimento diferente começando a acontecer no salão quando finalmente viu Dominique, acompanhado por seus filhos. A visão deles juntos fazia parecer que eram uma família comum, apenas um pouco desconfortável com a exposição extrema.

Era evidente que eles eram o centro das atenções, pois um casulo se formou ao redor deles, e elogios choviam sobre todos os membros, mas especialmente sobre Damiano.

Victoria ouviu as senhoras ao seu lado comentarem sobre o quão atraente era o filho de Dominique, deixando clara sua admiração explícita. No entanto, por mais que Victoria odiasse admitir, era completamente compreensível.

Ele estava vestindo um smoking branco com uma camisa azul-marinho por baixo, combinando com o lenço no bolso. Seu cabelo ondulado caía perfeitamente sobre as bochechas, e seu rosto tinha traços que deixavam claras suas origens italianas, com um nariz proeminente que marcava seu rosto, tornando-o diferente dos outros homens presentes. Sua beleza era original e rústica ao mesmo tempo, com traços fortes e marcantes.

Um rosto que seria facilmente lembrado por qualquer um que o analisasse de perto.

Notando todos os detalhes que não havia percebido antes, Victoria esqueceu por um momento seu verdadeiro objetivo na festa, pois não entendia por que sua presença ali era necessária. Percebendo os olhos da ruiva sobre ele, Damiano olhou de volta para ela, e seu olhar indiferente suavizou um pouco ao notar a maneira como a jovem estava vestida.

Seu vestido de cetim abraçava completamente suas curvas, acentuando cada traço bonito de seu corpo bem desenhado. Seu rosto estava pintado com uma maquiagem leve que realçava sua beleza, e seu longo cabelo cor de cobre caía perfeitamente sobre seu busto farto.

No entanto, algo mais à frente chamou completamente a atenção de Victoria. Por um momento, ela poderia jurar que havia visto um rosto familiar na multidão. Então, aproveitando-se de estar sozinha, ela se infiltrou na multidão que estava ao redor das mesas dispostas no espaço, caminhando entre as extensas estantes de livros nas paredes.

Quando se preparava para avançar, um toque súbito e misterioso a fez recuar.

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