A submissa de Leon

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Capítulo 1 Lana - 1

Lana

Depois que a loja fechou, as coisas aqui em casa têm ficado cada dia mais difíceis, a aposentadoria da minha mãe mal dá para os remédios dela e me ajuda a pagar o aluguel da casa. Caminho o dia inteiro em busca de uma oportunidade e certo dia, consegui um trabalho que me pagava por diárias em um bufê, o que me pagavam não era muito, mas dava para ajudar.

O mal é que o dono veio querendo tocar em mim, assim que recusei suas investidas, ele me mandou embora e ainda por cima, tem dificultado para que eu consiga outra chance em bufês semelhantes. Ana Cláudia é minha melhor amiga, somos vizinhas e ela acompanha minha batalha diária.

— Já te disse tantas vezes, Lana, você está passando dificuldades porque quer.

— Por favor, não diz isso. Minha mãe lutou tanto para cuidar de mim, tenho muita pena de vê-la passar por privações. — Respondi, me sentando no sofá e pintando a unha do pé.

— Então não permita! Você é linda, vai ganhar muito dinheiro mostrando o corpo como eu faço.

— Não tenho coragem de me expor assim, minha mãe ficaria envergonhada. Você sabe o quanto ela me criou de maneira regrada e cheia de pudores.

— Lana, você não vai se expor. Pode criar um personagem ou usar uma máscara, os homens que pagam para nos ver, só se importam com o corpo!

— Agradeço por você querer me ajudar Ana, mas não posso fazer isso.

Naquela noite fiquei pensando na proposta, usar uma máscara e deixar de ser eu mesma para mostrar partes do meu corpo a homens desconhecidos. Não sei, seria uma opção desesperada e eu espero não ter que chegar a esse ponto.

No dia seguinte, acordei com o desespero da minha mãe e fui correndo para o quarto dela.

— O que foi mãe, por que a senhora está chorando assim?

— Não consigo enxergar direito, não consigo! — Eu a abracei forte, minha mãe sempre teve problemas na visão e por falta de cuidados tudo poderia estar ainda pior do que antes.

Marcamos uma consulta, era meu último dinheiro para emergências. Se marcássemos na rede pública de saúde, isso demoraria tempo demais. Logo ela foi chamada para dentro da sala, passou pelo exame e o oftalmologista nos contou o que estava acontecendo.

— Infelizmente eu não trago boas notícias, sua mãe sofre de degeneração macular crônica. Essa doença está tirando aos poucos a acuidade visual dela, em palavras mais simples, sua mãe está pouco a pouco ficando cega!

Comecei a chorar e ela também, era desesperador saber que algo tão cruel assim poderia acontecer com minha mãe.

— E há alguma cura? — Eu perguntei segurando forte a mão dela.

— Há uma cirurgia e tratamentos para as perdas que ela já teve.

— E quanto custa tudo isso?

— Entre sessenta e setenta mil reais. — Quando ele me disse aquele valor, uma angústia travou minha garganta. Eu não quis me mostrar fraca para minha mãe e não era o momento para isso.

— Não temos condições de arcar com esse valor. — Ela respondeu tão triste.

— Há possibilidade de fazer pelo sistema único de saúde, mas precisam ir a um posto e preencher uma ficha de espera.

Ficha de espera, um nome menos doloroso, para uma fila que se estenderia por anos e anos. Minha mãe não tem esse tempo, saímos de lá carregando o peso do mundo nas costas. Chegamos a casa e ela foi chorar no quarto, olhando, enquanto ainda podia, a imagem da sua santa de devoção.

— Minha mãe não vai ficar cega, não posso permitir isso! — Fui até a casa de Ana Cláudia e pedi a ela que me cadastrasse na tal plataforma de stripper, ela me emprestou alguns apetrechos que usava para seduzir os homens e os estimularem a pagar mais pelo show particular.

Ela me deu dicas, explicou como cadastrar minha conta para que as gorjetas fossem direto para lá e da maneira que ela explicava aquilo nem parecia ser tão horrível, quanto eu sei que é. Eu tenho duas lingeries mais novas, estou há um ano sem namorado e sem ter um, eu não tinha motivos para renovar esse tipo de peça com frequência, mas fui até uma loja e comprei um body preto e sexy junto a uma meia sensual preta.

Essa mesma noite eu iria começar, não posso perder mais um segundo. Cheguei em casa e já era noite, minha mãe já estava deitada e a luz de seu quarto apagada. Entrei no meu quarto, tomei um banho, coloquei aquela máscara rendada e o body, soltei meus cabelos e liguei a câmera do notebook.

Já estava logada na plataforma, me sentei na frente da câmera e fiquei a esperar por algum homem que fosse atraído pela minha foto de perfil. Não demorou a acontecer, um tal Edward estava online e já pedia acesso à minha imagem em tempo real.

O atendi e esperei suas ordens, lá mesmo na plataforma havia opções para que eles escolhessem sem ter que pedir de maneira formal. Mostrar os seios 100,00 reais, as nádegas 250,00 e as partes íntimas 400,00.

— Fique de pé, quero te ver melhor! — Ele pediu por mensagem.

Me levantei e dei uma volta, logo ele apertou a opção para que eu mostrasse os seios. Congelei, fiquei paralisada de vergonha, mas me lembrei qual era o motivo de tudo isso e mostrei os seios para ele. Achei que o mesmo me pediria para ver mais, mas ele viu e logo saiu… naquela noite eu mostrei tudo para mais homens, totalizando dois mil e duzentos reais. Eu mal pude acreditar, nunca tinha ganhado nada parecido em tão pouco tempo.

Passei a me exibir durante o dia também, às vezes chegava a dois mil e outras vezes nem a mil reais. Dependia muito dos clientes, eu já até, havia fidelizado alguns que procuravam pelo meu pseudônimo de gata da noite… na madrugada de sábado, um deles quis me contatar de maneira reservada e eu atendi sua solicitação no bate-papo.

Leon Versalles, belo nome!

— Boa noite. — Mandei para ele.

— Boa noite, gata da noite. Desejo fazer-te, uma proposta.

— Estou aqui em busca de homens generosos como você, senhor Leon. — Digitei.

— Fique na frente da câmera e me mostre o seu rosto!

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