A Seleção da Rainha Dragão

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4 - O baile de boas-vindas

CASSIAN

O salão de baile era um mar de seda, luxo e diamantes.

Fiquei de lado enquanto minha mãe fazia suas observações iniciais, ouvindo pela metade, fingindo me importar. Eu queria estar em qualquer outro lugar que não fosse o salão. Meus amigos, nobres das famílias mais poderosas de Aurelia, se juntaram ao meu redor e já dissecavam as candidatas como se estivessem escolhendo cavalos para uma corrida.

— Lady Calista Harthwell é uma das favoritas — Lord Benton se inclinou, exibindo um sorriso cúmplice. — Ela tem magia de fogo. Taheer pode gostar disso. O pai dela praticamente manda no conselho. Você seria louco de não escolhê-la.

Ofereci um meio sorriso.

— Ela está bem preparada, admito. Mas isso não é só sobre magia ou sobre quem é o pai dela. No fim, as provações do dragão vão decidir se ela é uma candidata digna.

— E Lady Vivienne Trevanne? — perguntou outro amigo.

— Força bruta. Aquela garota provavelmente conseguiria te arremessar do outro lado do pátio de treino. E afiada como uma lâmina também.

Ergui uma sobrancelha.

— Isso era pra me impressionar?

Então veio a menção a Lady Elora Dorne. A filha do homem mais rico do reino.

— Ela é tímida — disse Benton. — Mas a fortuna do pai dela compensa isso e muito.

Virei-me na direção dela. Ela estava perto de uma das colunas, fazendo o possível para não ser vista. Bonita, sim, mas dolorosamente retraída. Fiquei me perguntando se ela conseguiria manter uma conversa comigo.

— Meus pais ficariam radiantes se eu me casasse com ela — murmurei. — A família Dorne praticamente alimenta o reino inteiro.

Benton bufou.

— Não pode ser qualquer uma. Tem que ser alguém digna o bastante para montar um dragão. Quem ficar ao seu lado deveria ser mais do que um rostinho bonito com um sobrenome famoso. O que você acha?

Abri a boca para responder, mas antes que eu dissesse qualquer coisa, um instrutor me chamou com um gesto para as apresentações.

Lá vamos nós.

——————

Uma a uma, as garotas se alinharam.

Eu assentia, sorria com educação e repetia os mesmos elogios sem graça. Deuses, tudo parecia tão… encenado.

— Alteza! Eu sou Lady Juliette Crestfall. Seria uma honra ser escolhida como sua Rainha! — uma garota praticamente berrou no meu ouvido.

Pisquei.

— Sim… Encantado em conhecê-la.

— Lady Elora Dorne — anunciou o mordomo.

Ela deu um passo à frente, os olhos baixos.

— S-Sim, Alteza. É realmente uma honra estar aqui — sussurrou, quase inaudível.

Eu lhe dei um sorriso pequeno e neutro.

— Espero que esteja aproveitando a noite.

Ela assentiu. Eu segui adiante.

— Lady Vivienne Trevanne.

Ela sustentou meu olhar sem vacilar.

— Alteza.

— Lady Vivienne. Ouvi dizer que você é muito boa em combate. Ouvi coisas impressionantes.

— Palavras são vento — ela disse. — Eu teria prazer em demonstrar, se algum dia o senhor tiver tempo para um treino.

Eu ri. Ri de verdade.

— Talvez eu aceite.

— Lady Calista Harthwell.

Ela avançou como se já estivesse sentada num trono. O vestido era branco, impecável, bordado com fios de prata. Ela era bonita, provavelmente uma das mais belas entre as selecionadas. O sorriso era perfeito. Os olhos, frios.

— Alteza — disse ela. — Eu estava ansiosa para conhecê-lo.

— Estava?

— Todo mundo fala sobre a seleção há meses. Mal podia esperar para finalmente estar aqui.

Eu assenti. Disse algo educado. E passei para a próxima.

O instrutor chamou nome após nome, e eu me desliguei de tudo até ele anunciar um nome em específico.

“Lady Lira Vale.”

---

Eu me virei.

E lá estava ela.

Ela estava junto das outras moças — não fisicamente separada, mas havia algo nela que era diferente. O vestido era simples. Verde-escuro. Sem joias, sem brilho, sem bordados reluzentes, sem criadas se desdobrando com a cauda. O cabelo castanho-escuro estava preso para trás numa trança simples, e o rosto…

Seu rostinho pequeno, em formato de coração, estava limpo. Nem sinal de rouge nos lábios arredondados em arco de cupido.

Sem tinta. Sem pó. Sem o rubor cuidadosamente aplicado para fazê-la parecer recatada ou desejável.

Ela parecia não se importar.

E parecia com raiva.

Não a raiva performática de alguém tentando parecer feroz. Raiva de verdade. Do tipo que se assenta nos ossos e pesa nos ombros. Do tipo que vem da dor e da perda.

Eu fiquei intrigado.

Quem é você? pensei. O que está fazendo aqui?

Ela deu um passo à frente.

As outras moças tinham feito reverência. Sorrido e me banhado de elogios.

Ela apenas ficou ali.

“Lady Lira Vale”, eu disse. “Seja bem-vinda.”

“Obrigada, Vossa Alteza.”

A voz dela era firme. Plana. Sem calor.

“Não creio que eu tenha visto sua família na corte… há anos.”

“Moramos longe da capital. A viagem é… difícil.”

“E ainda assim você veio.”

“Sim.”

Uma pausa.

Os olhos dela encontraram os meus.

Eram escuros. Castanhos profundos. E havia algo neles, algo que me fez querer olhar mais de perto. Algo que me fez esquecer, por um instante, que eu devia ser encantador e distante e entediado.

“Há algo errado, Vossa Alteza?”, ela perguntou.

Eu pisquei.

“Não. Não há nada errado.”

“O senhor está me encarando.”

“Estou?”

Ela não sorriu.

A maioria das moças teria corado e se enfeitado. Jogado o cabelo e rido por trás das mãos.

Ela só me olhou como se eu fosse um incômodo.

Interessante, pensei.

“Minhas desculpas”, eu disse. “Eu só estava pensando que você não parece… animada por estar aqui.”

“Eu deveria estar? O convite foi praticamente uma ameaça.”

“As outras moças estão.”

“As outras moças querem ser rainha.”

“E você não?”

Ela ficou em silêncio por um momento.

Então: “Estou aqui porque meu avô me pediu que viesse.”

“E o que seu avô quer?”

“Honrar o nome da nossa família.”

Eu a observei.

Ela estava mentindo.

Eu não sabia como sabia, mas sabia. Havia algo por baixo das palavras, algo que ela não estava dizendo. Algo que fazia as mãos dela se fecharem ao lado do corpo e a mandíbula se contrair.

“Bem”, eu disse, “espero que encontre o que procura, Lady Lira.”

Ela fez uma reverência rasa, rápida, quase displicente.

“Obrigada, Vossa Alteza.”

E foi embora.

Eu a acompanhei com o olhar.

---

O instrutor chamou o próximo nome.

Eu mal ouvi.

Meus olhos ainda estavam na moça do vestido verde, desaparecendo na multidão.

Lady Lira Vale, pensei.

“Vossa Alteza?”

Eu me virei.

O intendente me olhava, à espera.

“Lady Cassandra Evernight”, ele disse.

Eu pisquei.

Olhei para a mulher à minha frente.

Ela era alta. Impressionante. O decote do vestido era tão profundo que precisei fazer um esforço consciente para olhar para qualquer lugar que não fossem os seios fartos dela. O sorriso era calculado. A presença… deliberada.

“Lady Cassandra”, eu disse devagar.

“Vossa Alteza.” Ela fez uma reverência baixa, graciosa, treinada.

Eu examinei o rosto dela.

Havia algo nela que me era familiar.

“Perdoe-me”, eu disse. “Eu estava com a impressão de que você já era casada.”

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