Capítulo 10 10
Isabelly
— Me desculpe, Isabelly! Eu juro que tentei chegar a tempo, mas fiquei preso em uma reunião que só terminou há poucos minutos. Onde você está, amor? — o tom carinhoso de Greg me faz suspirar, e eu me repreendo por ter explodido à toa. Afinal, ele não tem culpa.
— Estou em casa — respondo mais calma, acomodando-me no sofá de camurça vermelho-púrpura.
— Liguei só para avisar que não vou conseguir ir até aí hoje. Te vejo amanhã, pode ser?
O quê? Como assim?
— Greg, nós precisamos conversar — insisto, tensa. Ele suspira do outro lado da linha.
— Amanhã, querida. Eu prometo.
Puxo o ar, tentando me conformar.
— Promete que não vai passar de amanhã, Greg?
— Já disse que prometo. Vou até pedir pra minha secretária cancelar qualquer compromisso de amanhã, tudo bem?
Não consigo conter o sorriso.
— Bem melhor assim, meu amor.
— Então até amanhã! Eu te ligo, tá bom?
— Vou ficar esperando. Eu te amo, Greg.
— Eu também. — E ele encerra a ligação.
Fico com o celular nas mãos, observando a tela apagada.
Quando eu era mais jovem, sonhava com um homem romântico — do tipo que manda flores sem motivo, traz chocolate e faz surpresas só pra ver o meu sorriso.
Pois é. Greg não é nada disso. Mas, fazer o quê? Eu o amo mesmo assim.
Na manhã seguinte, estou trancada em uma sala repleta de engravatados, atolada entre reuniões e apresentações. As planilhas dançam na tela, e meus clientes parecem satisfeitos com tudo.
Saio do escritório exatamente às duas e vinte e cinco — tenho um encontro com Brito no Drink’s Drive, e só meia hora pra cruzar a cidade.
O trânsito, graças a Deus, está fluindo. Meia hora depois, estaciono em frente a um prédio colossal, de vidro e concreto, que reflete o céu nublado. Entro na recepção impecável, onde o nome Drink’s Drive brilha em letras prateadas sobre uma parede negra.
A recepcionista — uma jovem elegante de uniforme azul-marinho Armani e lenço branco no pescoço — me cumprimenta com um sorriso. O crachá diz Ana Clara.
— Boa tarde, senhorita! Em que posso ajudá-la?
— Boa tarde, Ana Clara. Eu sou Isabelly Sampaio e...
— Ah, claro! — ela me interrompe com gentileza. — Eles já estão aguardando, senhorita Sampaio. Último andar.
— Obrigada! — respondo, simpática, e sigo até o elevador espelhado.
O painel brilha em tons de aço e luxo. Olho o relógio: faltam cinco minutos para as três.
— Isso é o que eu chamo de pontualidade — murmuro, satisfeita.
As portas se abrem, revelando um ambiente silencioso e sofisticado. Quadros caros adornam as paredes brancas, sofás escuros dispostos de forma estratégica, e um jardim interno que parece obra de arte. Uma porta de vidro divide a recepção de um corredor largo, com várias portas de madeira escura — todas com um design elegante e intimidador.
— Bom dia, senhorita Sampaio. O senhor Ávila e o senhor Brito já a aguardam — anuncia uma morena lindíssima, vestida no mesmo uniforme da recepcionista de baixo.
Ela me guia até a terceira porta. Bate duas vezes antes de abri-la.
— Senhor Brito, a senhorita Sampaio chegou.
— Ah, graças a Deus! — Brito exclama, vindo ao meu encontro. Ele me puxa pela mão e praticamente me arrasta pelo corredor. — Se demorasse mais um minuto, eu teria um infarto!
— Que exagero, homem! — retruco, divertida.
— Você diz isso porque não é o seu pescoço que está na forca! — rebate, nervoso, arrancando de mim uma risada.
— Brito, eu nunca te deixei na mão.
— Isso porque eu nunca precisei tanto de você. Hoje, preciso que deixe esse seu lado brincalhão lá fora e seja totalmente profissional, combinado? — diz, parando diante da porta.
— Eu sempre sou profissional, Brito. Brincadeiras à parte, sei muito bem como tratar meus clientes. Especialmente um que vai me pagar o triplo de dez mil reais.
— O quê?! — ele quase grita.
— Você mesmo disse que o valor não importava. Prometeu pagar o triplo.
— Eu disse o dobro, sua diabinha.
Sorrio com malícia.
— Mas eu exigi o triplo… e você concordou.
— Estava desesperado!
— Então seja homem e cumpra sua palavra. Ainda mais porque sei que está me lançando na cova dos leões.
— Cova dos leões?
— Sim. Pela sua cara e o tamanho da tensão, imagino que o seu chefe seja um dragão que cospe fogo pelas narinas.
— Leão, dragão... — ele resmunga. — Escolhe o bicho, mulher!
Sorrio triunfante.
— O triplo, ou nada feito.
Ele revira os olhos.
— Está bem, o triplo! Agora entra logo e enfrenta a fera.
Ele abre a porta, e minha respiração falha por um segundo.
No centro da ampla sala de reuniões, um homem está sentado de costas para nós, observando a cidade pelas janelas envidraçadas. O ambiente transpira poder — a mesa de vidro escuro, as vinte cadeiras de couro preto, o ar frio e autoritário.
— Senhor Ávila, a senhorita Sampaio chegou — anuncia Brito.
O homem se vira lentamente na poltrona. E quando nossos olhares se cruzam, sinto o mundo parar.
— Você?! — disparamos, em uníssono.
