A Pesca do Príncipe - Remasterizado

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A piscina de mármore

"O que ele quer? Você sabe?" sussurrei, com a voz tremendo enquanto eu olhava para Davina. Ela estava em frangalhos, a pose desmoronada, enquanto às pressas ajeitava o corpete de volta no lugar.

"Ele exigiu que eu desse banho nele", ela fungou, com os olhos vermelhos e cheios de rancor. "Eu tentei ajudar — juro que tentei. Mas, no instante em que eu encostei na pele dele, ele se encolheu como se eu fosse uma leprosa. Aquele ali é um barril de pólvora. É melhor você entrar logo, antes que ele perca o restinho de paciência."

Eu assenti, meio entorpecida, e empurrei a porta pesada. O banheiro era um sonho de arquiteto — paredes de mármore branco polido e um piso que descia até uma piscina enorme, rebaixada. Um lado do cômodo era totalmente aberto para o ar da noite, um vão vertiginoso que oferecia uma vista panorâmica das luzes da cidade, cintilando lá embaixo como estrelas caídas.

No centro da piscina, cercado por uma montanha de vapor e bolhas, estava o Príncipe Alfa. A cabeça dele estava enterrada nas mãos; os ombros largos, caídos de um jeito que parecia menos cansaço e mais um homem carregando o peso de um reino que não queria.

Assim que a porta fez clique ao fechar, ele ergueu a cabeça num sobressalto. Os olhos dele encontraram os meus, e o ar no cômodo pareceu ficar duas vezes mais pesado de repente. Ele me chamou com um único movimento lento da mão.

"Você. Venha aqui", ele ordenou. "Quero olhar pra você."

Eu caminhei até a borda da piscina de mármore; a água que transbordava era morna contra meus pés descalços. Mantive o olhar preso nos meus dedos, com o coração martelando nas costelas. Eu sabia que ele estava nu sob aquela água. Eu sabia que ele era o homem mais perigoso do Império. E, ainda assim, Samba andava de um lado para o outro no fundo da minha mente, ronronando com a proximidade dele.

"Olhe pra mim", ele mandou, a voz descendo para um rosnado baixo, aveludado. "Quero ver o seu rosto."

Eu ergui o queixo devagar. Ele se recostou, me examinando com uma intensidade que parecia arrancar minha pele.

"Qual é o seu nome?", ele perguntou, num tom inesperadamente suave. "Não posso ficar te chamando de 'garota'."

"Elena, Sua Alteza", eu sussurrei. "Significa 'luz brilhante'."

"Elena", ele repetiu, provando o peso do nome na língua. Ele ficou em silêncio por um instante, o olhar demorando na curva do meu maxilar. "Chegue mais perto."

Eu dei um passo hesitante em direção à beira d’água. Então ele sorriu — uma coisa pequena, verdadeira, que não chegava aos olhos, mas suavizava as linhas duras do rosto.

"Vamos começar tirando você desses trapos", ele murmurou. "Depois, você vai se juntar a mim. Eu sinto o seu medo, Elena, mas não vou te machucar — a menos que você me dê um motivo."

"Me juntar ao senhor?", eu deixei escapar, a minha face esquentando até ficar de um vermelho vivo. "Eu... eu não poderia—"

"Eu não estou pedindo", ele disse, embora o tom continuasse paciente. "Você está coberta de sangue e da sujeira da rua. Você precisa ser limpa, e eu pretendo fazer isso eu mesmo. Venha."

Ele se levantou então, emergindo da água como um deus talhado em granito. Eu tentei desviar o olhar, mas meus olhos me traíram. Ele era uma paisagem de músculos definidos e tatuagens escuras, em espirais. Uma linha de pelos escuros descia pelo torso até um volume pesado e impressionante, que não deixava dúvida nenhuma sobre a virilidade dele. Senti a respiração prender; eu nunca tinha estado tão perto de um homem, muito menos de um que parecia um predador feito carne.

Ele estendeu a mão, e seus dedos longos fisgaram a gola do meu vestido rasgado. Num movimento lento e deliberado, puxou o tecido por cima da minha cabeça. Instintivamente, cruzei os braços sobre o peito, mas ele segurou meus pulsos e, com firmeza gentil, os puxou para baixo.

— Não se esconda de mim — ele sussurrou. — Eu quero ver você inteira.

Ele me conduziu pelos degraus de mármore até a água. O lugar cheirava a rosas amassadas e óleos caros. Ele se sentou de novo e me puxou para o colo dele, de modo que minhas costas ficaram encostadas no peito dele. Eu sentia a dureza dele pressionando em mim, mas ele não tentou pegar mais do que eu estava pronta para dar. Em vez disso, ele pegou um pano de seda e começou a fazer uma espuma rica e perfumada nos meus ombros.

— Me conta sobre você — ele murmurou no meu ouvido, o hálito quente contra minha pele úmida. — Você me intriga, Elena.

— Não tem muito pra contar — eu gaguejei, me inclinando, apesar de mim, para o calor do toque dele. — Eu sou órfã. Eu vivia com a minha avó. Eu sou uma aberração que odeia a própria loba.

— Eu estou olhando pra você — ele riu baixinho, e a vibração do peito dele reverberou pela minha coluna. — E eu não vejo nenhuma aberração. Eu vejo alguém que começou com o pé esquerdo com um Príncipe bem frustrado. Eu peço desculpas pelas minhas palavras de antes... embora eu tivesse meus motivos. Me diga: qual era o seu sonho? Antes da Seleção.

— Meu sonho? — Soltei uma risada amarga, oca. — Eu queria ser enfermeira. Eu queria cuidar das pessoas, não ser uma “oferta” numa gaiola dourada. Mas sonho não vale muita coisa quando você não vai ver o fim do ano.

— Cuidado com essa língua, Elena — ele disse, a voz ficando fria, mas não cruel. — Um pouco menos de atitude e você pode descobrir que este palácio não é a sentença de morte que você imagina. Então você gosta de cuidar dos outros? E o que mais? O que te move?

— Eu gosto de ler — respondi, emburrada. — Histórias sobre heroínas que não precisam ser salvas. Mas e você? Você parecia estar em agonia quando eu entrei.

O Príncipe ficou imóvel. O esfregar ritmado do pano parou.

— Não há nada que você precise saber sobre mim — ele disse, e a autoridade de Alfa voltou à voz dele como uma cortina se fechando. — Chega de conversa fiada. Lembre-se do seu lugar, Elena. Agora você é minha serva. Seja leal, seja sincera, e eu vou proteger você de tudo — inclusive do meu irmão. Há algo em você que eu ainda não sei nomear, mas eu preciso de você por perto.

Ele mergulhou uma jarra na água e começou a enxaguar o sabão do meu cabelo. — Agora, fique em silêncio. Deixe eu terminar de limpar você.

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