A Obsessão do Traficante

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Capítulo 8 O Pacto com o Di.abo

O Pacto com o Diabo (Narração por Lobo)

A fumaça da maconha de qualidade duvidosa pairava no ar da minha sala como uma névoa pesada, misturando-se ao cheiro de arma lubrificada e suor. Eu estava recostado na minha cadeira de couro, com os olhos pesados, sentindo aquela brisa que me afastava, por alguns instantes, da porra desse mundo que só me deu desgraça. O DK entrou sem bater, o que já me fez querer colocar um buraco na testa dele, mas a notícia que ele trazia era diferente.

— O que foi, porra? Solta a fita logo — rosnei, sem tirar as botas de cima da mesa de madeira maciça.

— Você tá chapado de novo, cara. Parece que não vive sem esse bagulho.

— Não interessa, caralho! Fala logo ou rala daqui.

— O coroa, aquele que tá devendo uma nota preta pra firma, tá lá fora. Quer ter um papo com você, tá ligado? Parece que o desespero bateu na porta dele.

Eu ri, um som rouco e sem alegria.

— Papo? Papo é o caralho. Esse verme veio aqui pedir a morte dele. Vou meter um tiro na cabeça desse desgraçado e acabar logo com essa burocracia.

— Calma aí, Lobo. Ele jurou que tem uma proposta pra você. Escuta o velho, porra. Vai que compensa.

Enquanto o DK falava, minha mente foi direto para o que o Terror e o DK andavam comentando. Eles tavam vidrados na filha do coroa, uma mina que eu ainda não tinha visto de perto. Aquilo me deu um estalo.

— Tô ligado que tu e o Terror tão atrás da filha desse maluco. Até me deu vontade de conhecer a guria. Quem sabe ela não é uma gostosa? Eu dou uma surra de 'pika' nela, já que o Terror tá com essa fixação idiota na mina.

O DK deu de ombros, indiferente.

— Cara, a mina é bonita, mas não faz o meu tipo. Gosto de mulher com experiência, que sabe o que faz. Essa aí tem cara de que não sabe nem chupar um pau, é muito travada.

— Essas são as melhores, porra! A gente molda do nosso jeito, faz o que quer e depois manda vazar. Não tem essa de frescura não.

— Você não presta, mano. Gosta de arrasar com as meninas e ainda agride elas quando não tá satisfeito. Mas e aí, mando o coroa entrar ou não?

— Quero ver o que esse viado tem pra dizer. Manda o desgraçado entrar. Se não for do meu agrado, hoje mesmo ele vai pra vala e eu viro o resto da noite comemorando.

Assim que o DK saiu, levantei-me e sentei à mesa, com a arma engatilhada à mostra. Quando o Pedro entrou, o cheiro de medo dele era tão forte que eu quase senti o gosto na boca. Ele tava se tremendo todo.

— Dá o papo, coroa. Não tenho tempo a perder com você não, caralho! Fala logo antes que eu perca a paciência!

— Lobo, por favor... eu tentei de todo jeito. Eu corri atrás, mas ninguém quis me emprestar. Eu te imploro, me dá mais uma chance. Eu faço qualquer coisa!

— Tu veio no ninho da cobra e acha que vai sair daqui vivo? Porra, velho! Eu já te dei várias chances pra conseguir meu dinheiro. Eu fui paciente, mas tu vacilou pra caralho. Passaram dois meses e tu não viu a cor da nota! E tu acha que ainda tenho que te dar outra oportunidade? Tá de caó comigo, porra?!

Levantei da cadeira, o ódio subindo pelas têmporas. Destravei a arma com um clique seco que ecoou no silêncio da sala. Eu estava pronto para explodir aquela cabeça de merda quando ele soltou a frase que mudou tudo.

— Eu ofereço minha filha em troca da dívida! Por favor, não me mata não, mas leva ela!

Eu soltei uma risada alta, debochada.

— Sério, cara? Você realmente acha que eu vou preferir uma mulher na minha cama, uma vadia que deve dar a boceta pro morro inteiro, em vez do meu dinheiro?

— Não ouse falar assim da minha filha! — o velho teve a audácia de elevar a voz.

Assim que ele se levantou, tomado por um resto de dignidade que eu fiz questão de destruir, cravei a coronha da pistola na têmpora dele. O sangue jorrou na hora, e ele caiu sentado, grogue, com a cabeça pendida.

— Você é um velho nojento que oferece a filha pro bandido e ainda acha que tem moral pra defender essa porra? Mato você e ela, tá ligado? Já deu, vai pro inferno e depois vou atrás da vadia pra ter certeza de que ninguém vai ficar pra contar essa história.

— Não, Lobo, por favor! A minha filha é a menina mais inocente daqui do morro, ela nunca teve um namorado, ela é virgem! Vale muito mais do que te devo, eu te garanto isso!

A palavra "virgem" me atingiu como um soco. Na moral, quem não quer ser o primeiro de uma mina que é inocente, que nunca foi tocada? A ideia de corromper aquela inocência, encher ela de porcarias e depois descartar como um lixo, me deixou excitado. O DK continuava em silêncio, só observando o show.

— E aí, DK? Procede essa história?

— Foi o que eu e o Terror dissemos. A mina nunca foi vista aqui no morro, vive trancada, tem cara de ser virgem mesmo, tá ligado?

Olhei pro velho com desprezo, mas já calculando o lucro daquela nova mercadoria.

— Coroa, não sou Deus pra perdoar, mas quero ver a mercadoria antes. Se for boa, eu compro ela e te dou o perdão da dívida e até um troco a mais.

— Me dá duas semanas. Se eu não conseguir o dinheiro, a minha filha é sua.

— Só espero que essa mercadoria valha a grana que tô perdendo. Duas semanas. Se não tiver meu dinheiro, vou lá buscar a mercadoria. E se eu não gostar... bom, aí eu mato você e ela, caralho. Rala daqui!

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