A Obsessão do Traficante

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Capítulo 7 Lobo

O Despertar do Monstro (Narração por Lobo)

Acordei com aquela claridade desgraçada batendo na minha cara, martelando o meu cérebro como se tivessem enfiado um prego no meio da minha testa. A lembrança da noite anterior era só um borrão de fumaça, álcool barato e o gosto de sangue na boca de uma daquelas vadias que eu espanquei. Eu não beijo, eu não me entrego, eu não caio na armadilha de ninguém. A única pessoa que teve esse privilégio foi a desgraçada da Natália, que hoje vive no meu ódio, alimentando o monstro que eu me tornei.

Vi o Terror esparramado no meu sofá, com aquela cara de quem queria dar lição de moral, uma postura de quem tem medo da própria sombra.

— Que porra você tá fazendo aqui, caralho? — rosnei, sentindo o gosto amargo do álcool na boca.

— Tá ligado que fui eu que te trouxe carregado da porra do baile ontem, né? Você tava louco, batendo nas mina por nada. Tá na hora de parar com essa porra, Lobo. Você anda muito fora da casinha, irmão.

— Não pedi porra nenhuma pra você me trazer! Vai tomar no cu! Tá ligado que não preciso da tua pena, caralho? Tô cansado de você no meu ouvido! — Ele continuou com aquele papo de irmão, de que se preocupava comigo. Eu só queria que ele sumisse da minha frente. Ele teve a ousadia de mencionar a diaba que me traiu.

— Não toca no nome dessa desgraçada na minha casa! Vaza! Agradece por ter me trazido, mas na próxima me deixa lá no meio do baile. Tava curtindo, tava comendo mulher, tava no meu domínio!

— E por que agrediu a mina, cara? A garota saiu com hematoma no rosto, porra! — ele insistiu, querendo ser o santo da história.

— Não gosto que essas vadias tentem me beijar. O erro dela foi esse. Ela quis me dar o golpe, cara de anjo, pra depois me fazer de corno. Agora vaza daqui antes que eu perca a paciência com essa tua moralidade de merda!

Ele meteu o pé, mas não tirou a ideia da minha cabeça. Elas são todas iguais: fazem a gente cair de quatro e depois cravam a faca pelas costas. Pois agora, o jogo virou. Eu que iludo, eu que maltrato, eu que mando.

A Confissão do Desespero (Narração por Pedro)

Eu carrego um segredo que corrói minhas entranhas. A mãe da Elisa não morreu; ela nos abandonou, e a vergonha disso me persegue como um fantasma. Minha filha é a única luz que me resta, mas eu a arrastei para a escuridão. O desemprego me tirou o chão, e a cachaça foi a única que me deu um abraço falso. Sem saída, eu cometi a maior das atrocidades: fiz um trato com o Lobo. Prometi que, se não pagasse o dinheiro, ele levaria a única coisa que eu tinha de valor. Eu vendi a dignidade da minha própria filha para salvar minha pele podre. O peso dessa culpa é tão insuportável que eu prefiro estar bêbado a encarar o brilho dos olhos dela. Ela vai me odiar, e com razão.

O Confronto Final (Narração por Elisa)

Duas semanas se arrastaram, e a ausência do meu pai era um tormento. Quando ele finalmente retornou, parecia uma sombra de si mesmo. Ele se ajoelhou aos meus pés, abraçando minhas pernas com uma força desesperada, implorando por um perdão que eu sequer compreendia a extensão.

— Pai, por favor, levante-se. Se o problema é o dinheiro, nós encontraremos uma solução digna — disse eu, com a voz embargada, tentando trazer um pouco de conforto ao seu espírito atormentado.

Ele estava tão desolado que não consegui segurar as lágrimas. Tentei ajudá-lo a se levantar, mas antes que pudéssemos trocar mais palavras, um estrondo ecoou por toda a residência. A porta foi aberta de forma brutal, e o ar pareceu se tornar pesado, saturado de perigo.

Eu estava sentada, quando me levantei e direcionei meu olhar para a entrada. O homem que cruzou o umbral não era apenas alguém perigoso; era a encarnação do terror sobre o qual eu ouvira tantos rumores. O Lobo. Sua presença era avassaladora, os olhos percorrendo a sala com uma frieza que me fez vacilar. Senti cada músculo do meu corpo congelar, as pernas falhando sob o peso do pavor. Ele não estava ali para cobranças comuns; ele estava ali para reclamar o que acreditava ser sua propriedade. O destino, implacável, finalmente nos colocara frente a frente

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