Capítulo 6 Elisa
O Pavor de Elisa (Narração por Elisa)
O silêncio que se seguiu à partida daqueles homens era quase mais assustador do que as suas próprias palavras. O medo instalou-se em cada canto de nossa casa, tornando o ar rarefeito e difícil de respirar. Com as mãos trêmulas, preparei uma xícara de café, tentando encontrar forças para enfrentar o inevitável. Dirigi-me ao quarto onde meu pai repousava, e o despertei com extrema delicadeza.
— Pai, por favor, beba este café. Preciso conversar com o senhor urgentemente, pois o tempo é o nosso maior inimigo agora — pedi, com a voz suave, embora meu coração estivesse aos sobressaltos contra as costelas.
— Deixe-me em paz, menina. Preciso de sossego e de dormir — ele respondeu, demonstrando uma irritação que apenas aumentava minha desolação e o meu sentimento de desamparo.
— Pai, por que o senhor recorreu a esses criminosos? O senhor não percebe que estamos em um risco extremo? Eles prometeram retornar esta noite. Como pretende quitar uma dívida desta magnitude? — indaguei, tentando manter a calma apesar do desespero.
— Eu darei um jeito, não se preocupe. Vou procurar um emprego amanhã mesmo e sanarei isso. Volte para a cozinha — ele disse, mantendo sua postura evasiva, incapaz de encarar a gravidade da nossa ruína.
No instante em que ele encerrou a conversa, batidas estrondosas sacudiram a porta de entrada, como se o próprio destino viesse nos cobrar. O som dos golpes contra a madeira parecia o bater de um martelo em um caixão.
— Pai, são eles! Meu Deus, o que faremos agora? — questionei, desatando a chorar, sentindo que a nossa sobrevivência estava sendo estraçalhada naquele momento.
A Visão de Terror (Narração por Terror)
Eu me chamo Matias, vulgo Terror, e sou o sub do Lobo no morro. A situação aqui tá insustentável. Tem esse coroa, o Pedro, que tá devendo uma nota preta pra firma. O problema é a filha dele, a Elisa. Papo 10, a mina é uma deusa! Ela tem um brilho diferente, uma inocência que não combina com a sujeira daqui. Eu fico amarradão na minha pretinha, a Maria Aparecida, não troco ela por nada, mas dá uma revolta ver o Lobo tratar toda mulher como objeto, usando e descartando na base da violência.
Estávamos em frente ao barraco deles. Eu bati na porta, segurando a onda. O DK, que é um bruto, começou a chiar:
— Tá de caó, né? Por que bateu na porra da porta e não invadiu esse caralho de uma vez?
— Não quero assustar a mina, porra — respondi, irritado com a falta de tato dele.
— Você tá muito interessado nessa mina. Deixa sua pretinha saber disso — o DK provocou.
Assim que a Elisa abriu a porta, ela já estava aos prantos, os olhos inchados de tanto chorar. Ela era a definição de fragilidade.
— Sai da frente, garota, e chama seu pai, porra! Não tenho tempo a perder com vocês — o DK gritou, empurrando ela sem dó.
— Ele está na sala, mas por favor, não façam nada com ele! Eu imploro, não temos o dinheiro! — ela suplicava, soluçando de um jeito que doía na alma.
O DK passou direto e foi pra cima do velho, com a arma apontada na cara dele. Eu entrei logo atrás, vendo a Elisa se jogar na frente do pai, agarrada nas pernas dele, desesperada. A cena era um lixo de presenciar.
— Na moral, passa a grana, coroa! O chefe não vai dar mais prazo. Ou paga agora, ou tu vai ver o diabo na sua frente! — o DK esbravejou, ignorando completamente o estado da garota.
— Abaixa essa porra dessa arma, DK! — gritei, perdendo a paciência. Ele me olhou com ódio e saiu pra fora, me deixando sozinho com eles.
— Me dá mais uns dias, Terror... eu arrumo a grana — o Pedro pedia, tremendo que nem vara verde.
— Você sabe que o Lobo não vai aceitar, coroa. Eu tentei levar na paz, mas agora tu vai ter que prestar contas com ele amanhã.
Eu me agachei ao lado da Elisa, que estava no chão. A tristeza dela me deu um aperto no peito; ela tinha uns 20 anos, podia ser minha irmã.
— Foi mal, mina, mas tentei. Seu pai não colaborou e o Lobo, meu chefe, não irá perdoar essa dívida. Esteja preparada para tudo.
Deixei a garota lá chorando e saí da casa deles com um peso na consciência que eu não sentia há muito tempo. Agora a batata do coroa tá assando de verdade
