A Obsessão do Traficante

Download <A Obsessão do Traficante> grátis!

BAIXAR

Capítulo 5 O Despertar da Obsessão (Narração por Lobo)

O Despertar da Obsessão (Narração por Lobo)

Cheguei na minha goma batendo a porta com força suficiente pra trincar a madeira. O ódio que eu sentia por aquele dia desgraçado tava me consumindo, mas tinha uma parada estranha martelando na minha cabeça. Fui direto pro chuveiro e deixei a água gelada cair com tudo na minha nuca, tentando lavar a imagem daquela mina da minha mente. Eu fechava os olhos e via o rosto dela, aquele olhar de pânico misturado com uma doçura que não combinava com o lixo de lugar onde a gente vive.

— Que porra de mulher era aquela, caralho? — resmunguei sozinho, encarando o espelho embaçado. — Parecia um anjo, véi. O que essa desgraçada tem que não me deixa em paz?

Aquilo tava me deixando louco. Eu sou o Lobo, o dono dessa porra toda, não perco tempo com fantasias, mas aquela imagem tava impregnada na minha retina. Chacoalhei a cabeça pra tirar essa porcaria dali. O sol já tava indo embora e o morro tava começando a mudar de cor, o clima de sexta-feira chegando com tudo. Era dia de baile, dia de esquecer os problemas e de mostrar pra todo mundo quem manda aqui.

Me arrumei com a calma de quem não deve nada a ninguém. Coloquei minha melhor camisa, ajustei a arma na cintura minha única companhia fiel e montei na moto. O barulho do motor ecoando pelos becos era a música que eu mais gostava de ouvir. Quando cheguei no baile, a energia tava lá em cima, o som batendo no peito com uma força que fazia a estrutura do lugar vibrar. O cheiro de maconha, álcool e suor dominava o ambiente, do jeito que o papai gosta, frenético, caótico, um verdadeiro caldeirão de pecado.

Subi direto pro meu camarote, o lugar onde eu fico acima de todos, observando a escória se divertir lá embaixo. Sentei no meu posto, pedi uma cerveja gelada e fiquei monitorando o movimento, procurando alguém que valesse o meu tempo. Não demorou dois minutos e uma das vadias que vivem dando em cima de mim subiu, toda se fazendo, rebolando em direção ao meu colo. Ela sentou, passou as mãos no meu pescoço e tentou colar a boca na minha.

Antes que ela pudesse sentir o gosto do meu hálito, eu a empurrei com uma brutalidade desnecessária, fazendo a piranha capotar e cair de bunda no chão, no meio da poeira. A cena atraiu olhares, mas ninguém teve coragem de abrir o bico.

— Que loucura, Lobo! Por que você fez isso, caralho?! — ela gritou, com os olhos arregalados, tentando entender por que tinha sido tratada como um saco de lixo.

Eu a encarei com um desprezo que vinha lá do fundo da alma, uma vontade de destruir tudo que tentasse se aproximar demais.

— Não gosto de ser beijado por puta, tá ligado? — Cuspi as palavras, sentindo um prazer sádico em ver a humilhação dela. — Agora, vaza daqui, caralho! Some da minha vista antes que eu perca a paciência de vez!

Ela se levantou aos prantos, cambaleando e saindo do camarote sob o riso abafado de quem tava perto. Eu não tava nem aí. Voltei a observar a massa lá embaixo, a cerveja gelada descendo pela garganta, mas o meu radar tava ligado em outra frequência. Eu tava procurando, lá no meio daquela multidão de rostos desconhecidos, um par de olhos que tinha me perturbado mais cedo. A caçada tinha começado, e eu sabia que, quando eu encontrasse aquela menina de novo, o estrago ia ser grande.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo