A Obsessão do Traficante

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Capítulo 2 Lobo

A MÁCULA DO PASSADO (Narração por Lobo)

O topo do morro não é lugar de amador, é lugar de quem tem o sangue frio e o gatilho nervoso. Eu olho pra essa porra de império lá de cima da minha laje e só vejo a sombra do que eu me tornei. Antigamente, a lealdade valia mais que o ouro, mas hoje a lealdade é só uma palavra vazia que eu cuspo no chão.

Eu tinha um irmão de sangue, o Ricardo, e uma mina que eu ia botar a aliança no dedo, a Natália. Que vacilo, papo reto. O destino gosta de rir da cara do Lobo aqui. Eu cheguei em casa mais cedo e dei de cara com a cena que me destruiu por dentro: a vadia e o meu "irmão" se engolindo na minha própria cama. A raiva que subiu naquele momento não foi fogo, foi ácido. Corroeu tudo o que eu tinha de humano.

O Ricardo virou saudade no buraco que eu fiz pra ele, e a Natália? Eu fiz ela pagar caro, fiz a desgraçada ver o sangue da família dela escorrer antes de sumir no mundo. Desde aquele dia, eu jurei: o Lobo não ama, o Lobo devora. Amor é coisa de otário, papo de quem não tem um morro pra sustentar. Cada mulher que passa pela minha cama é só carne pra saciar o tédio, um rastro de humilhação que eu deixo pra trás. Eu sou o dono dessa porra toda e quem ousar me trair, já sabe: o final é sempre no cemitério ou no fundo do poço. O passado é um fantasma que eu alimento com ódio todo santo dia.

Acordei com a cabeça explodindo, parecia que tinham passado um trator por cima do meu crânio. O quarto tava com um cheiro de putaria barata que me deu ânsia. Flashes da noite passada vieram na minha mente: baile funk, muita droga, bebida até cair e duas piranhas que eu arrumei. O papai aqui tava no modo automático, comendo e usando o que tinha pra usar, mas uma coisa é lei: boca é minha, mas beijo ninguém ganha.

Olhei pro lado e as duas desgraçadas ainda tavam ali, se esparramando na minha cama como se fossem donas da porra toda. Aquilo me subiu o sangue de um jeito que eu não raciocinei. Dei um bicudo na costela de uma e empurrei a outra, fazendo as duas se estatelarem no chão.

— Tá doido, Lobo? Que porra é essa de acordar a gente na ignorância? — uma das biscates gritou, tonta.

— Doido é o caralho, sua piranha! Sumam da minha frente agora, as duas!

— Mas Lobo, ontem você tava de boa, tava até curtindo o bagulho... — a outra tentou argumentar, ainda querendo peitar o dono.

— Ontem é passado, carai! Ontem eu tava chapado até o talo, não sabia nem o meu nome. Agora rala, antes que eu perca a paciência de vez!

Agarrei as duas pelos cabelos, puxando com ódio. As desgraçadas gritavam, tentavam se soltar, mas eu não tava pra brincadeira. Arrastei elas pelo corredor da casa, cada grito era um estímulo a mais pra minha fúria. Joguei as duas lá no asfalto, só de calcinha e sutiã, pro morro todo ver o lixo que elas eram. Bati a porta e tranquei tudo. Que ódio de ter trazido essas vagabundas pra cá. Lembrei do que rolou: elas se pegando na minha frente enquanto eu só observava, aquilo me deixou piradão, mas agora? Só me dava ânsia.

Fui pro banho, esfreguei a pele com força pra tirar o cheiro daquelas putas. Depois de um café preto pra espantar a ressaca, peguei a moto e desci pra boca. Quando entrei na minha sala, dei de cara com o Raio e o Negão, meus vapores, jogados no sofá como se fossem os donos da porra toda. Amigos? Passou longe. Depois do que aconteceu comigo, não boto fé nem na minha sombra.

— A festa foi braba ontem, né mano? Vi você saindo com aquelas duas do baile — Raio mandou, com um sorriso debochado.

— Conta pra nós, Lobo, como foi ficar com as duas ao mesmo tempo? Deve ter sido a adrenalina pura — Negão completou, rindo.

— Porra, maluco, lembro de quase nada. Tô com a cabeça que nem um tambor, tá ligado? Só lembro de ver as putas se pegando na minha frente e aquilo me deixou em outro patamar. Fodi uma enquanto a outra chupava, foi pura loucura, manos.

— Porra, tu é doido mesmo, patrão! Fuder as duas ao mesmo tempo só pode ser louco, mano. Essas minas vão ficar te cercando agora, certeza — Raio falou.

— Deu mole pro papai aqui? É vapo, tá ligado? Puta nenhuma dorme na minha cama.

Negão suspirou, olhando pro teto.

— Desde que a Natália fez o que fez, tu só vive na putaria. Depois que tem o que quer, espanca e maltrata as minas. Tu sabe que elas não são a Natália, né?

Bati a mão na mesa com tanta força que o copo de uísque virou.

— Não menciona o nome dessa vagabunda aqui dentro, seu merda! Eu só não matei ela porque a mãe dela implorou, mas ela levou uma surra que tá tatuada na alma dela. E a vingança contra ela e aquele desgraçado que se dizia meu amigo ainda não acabou. Não sou Deus pra perdoar, porra!

— Por que você não esquece essa vadia e foca na vida, mano? — Raio insistiu.

— Perdoar traição? Uma vez, tudo bem, mas duas? Da mulher que eu ia casar e do meu melhor amigo que sabia de tudo? Eu vou me vingar, e não importa o preço, eu não vou desistir dessa porra.

— Enquanto isso, você usa as mina e agride, joga fora... — Negão retrucou.

— Algum problema com isso, carai? Se tiver, pode vazar do meu morro agora mesmo. Essas vadias estão viciadas no pau do papai aqui, quanto mais apanham, mais elas piram, tá ligado?

— Agora chega de papo, seus viados! Não pago vocês pra ficarem com o rabo sentado no sofá. Vão lá cobrar aquele coroa da casa 5 que tá devendo uma nota alta pra firma.

DK (que tava no canto) perguntou:

— Você sabia que ele tem uma filha, né?

— Claro que não, carai! O cara só pega empréstimo e não fala pra quê. Agora cansei. Quero minha grana hoje, vão lá cobrar esse desgraçado e se não colaborar, eu mesmo vou fazer uma visitinha pra esse coroa. O bagulho vai ficar doido.

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