A obsessão do mafioso

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Capítulo 3 Normalidade? ( amy)

- "Onde você está, Montenegro?"

Ele novamente olhou para mim, seus olhos que apesar de apagados, eram intensos:

- "Qual endereço?"

Dafne respondeu por mim, felizmente, não acho que ele soubesse libra, o doutor no outro lado da linha disse:

- "Em uma hora estarei aí!"

Ele desligou o celular e eu pegando de suas mãos, o coloquei sobre o criado mudo.

- Você tem um médico particular? - indaga Dafne

- É o médico da minha família…

- Você não quer que ligue para alguém da sua família?

- Melhor não, só me ajudem que quando sair dessa recompensarei vocês duas muito bem.

Dafne e eu nos entreolhamos, sabíamos pelo porte que era alguém importante, mas o quanto importante seria?

- Já não está mais sangrando! - disse ele.

Felizmente o sangramento havia sido estancado havia notado isso quando eu limpei e desinfetei o ferimento, uns quarenta e cinco minutos depois a campainha soou Dafne foi correndo para atender logo dois homens muito bem vestido e segurando maletas de médico entraram no meu pequeno quarto.

- Qual foi a loucura da vez Montenegro?

O homem na cama sorriu para o homem mais velho era um sorriso forçado sabia pela sua tez tensa que ele sentia dor.

- Levei um tiro, Mendonça!

Vi o tal Mendonça curvar e examinar minuciosamente, o furo no abdômen do homem.

- Vai precisar de cirurgia, Montenegro! Teremos que removê-lo imediatamente para minha clínica.

- Não vou a clínica nenhuma, faça o que quiser fazer aqui mesmo!

- Não seja cabeça dura você corre o risco de morrer...

- Eu…

Peguei a mão do homem entre as minhas, apertando firme. Seu olhar veio até o meu um brilho opaco ali, queria ter voz para falar, mas como não tinha apenas movi meus lábios dizendo mesmo sem som a palavra "vai"!

Ele entendeu a palavra e então olhando para o doutor Mendonça, balançou afirmativamente a cabeça e logo os dois homens o ergueram e o levaram dali. Antes de partir ele prometeu voltar para nos recompensar.

Sozinhas enfim, em casa sem aquele alvoroço, nos jogamos no sofá e ficamos fitando o teto pálido sem nada dizer, estava esgotada emocionalmente.

- Dia inesquecível hein, Amy?

Suspirei fundo, realmente este havia sido um dia em que ficaria para sempre na memória.

O tempo passou rápido demais, já até se passaram um mês e uns dias desde aquele dia e, o homem não retornou e nem mesmo sabíamos se havia dado tudo certo na cirurgia. Ou se tinha morrido, ou, qualquer outra coisa. Tinha até sonhado com ele umas duas vezes e acordado exaltada, ensopada de suor. Ele era um ingrato, podia muito bem ter enviado um cartãozinho dizendo que estava bem, mas nada nem uma mísera informação, os ricos são todos iguais, só nos enxergam nos momentos que precisam.

Como trabalhava apenas à noite, durante o dia não tinha nada que fazer, então me dedicava a tarefas domésticas e a cuidar de minhas plantinhas. Neste momento mesmo eu estava na varanda molhando as orquídeas e aspirando o perfume doce provindo das flores, estes eram um dos raros momentos em que eu ficava feliz.

Terminando essa tarefa, fui para a cozinha preparar o almoço que compunha de arroz branco, strogonoff e batata palha, comida que eu sabia fazer muito bem, além ser a preferida de Dafne. Poucos minutos depois ela chegou do seu serviço para almoçar, ela trabalhava num salão de beleza, ao ver a refeição, ela soltou um suspiro e simplesmente lançou a bolsa sobre o sofá, indo se servir.

Enquanto comíamos, ela reclamava das costas doloridas e dos pés inchados de tanto ficar em pé.

- Sério Amy, devo ter feito uns dez cabelos hoje!

Abri a boca arregalando os olhos, denotando surpresa. Dafne continuou o falatório.

- Já contei meu dia, agora é a sua vez. O que você fez de novo?

Apontei para a varanda onde havia as flores, Dafne torceu o nariz, ela achava que era uma perda de tempo me dedicar à prática de jardinagem.

- Você está parecendo uma velhinha, Amy. Daqui uns dias vai andar de bobs no cabelo e roupão, tem que sair, curtir a vida, namorar… me diga. Quando foi a última vez que beijou na boca?

Revirei os olhos para ela, que apenas deu de ombros. Dafne era uma inconveniente, sempre dizia o que queria e quando queria e enquanto ela mantinha a atenção no seu prato de strogonoff, eu prestava atenção nela admirando seus atributos físicos. Ela era uma mulher linda, tinha um belo corpo e lindas madeixas vermelhas. Simpática e alegre, era o tipo de mulher de parar o trânsito e ninguém ficava imune ao seu charme. Notando que eu a encarava, ela mesma perguntou curiosa:

- O que foi que está me olhando assim?

Meus dedos moveram em sintonia formando a frase:

- "Você é linda"

- Ah, obrigada amiga, você também é. Juro que se não fosse hétero, te pegava de jeito1

Sorrindo da brincadeira de Dafne, movi ligeiramente a mão formando a pergunta:

- "Mesmo eu sendo muda?"

- Ora! E no que isso atrapalha? Para o amor, o importante é a linguagem corporal, labial!

Um sorriso brincou nos meus lábios, Dafne era uma palhaça, mas incrivelmente ela sabia como me colocar para cima, me fazer sentir-me bem comigo mesma, tarefa difícil já que tinha a autoestima bem baixa.

À noite tomei um banho gelado, vesti um jeans confortável e tênis, coloquei a roupa que usava para dançar dentro de uma mochila de costas.

- Já vai trabalhar, Amy?

Movimentei as mãos devagar para que Dafne pudesse compreender.

- "Sim, hoje me apresento mais cedo!"

- Quer que eu te leve de carro?

Um sorriso de canto brincou nos meus lábios, movi ligeiramente a mão dizendo:

- "Mas é claro que quero que me leve, desde aquele incidente, me tremo toda ao passar naquele beco."

- Por mim você já teria arranjado emprego em outro lugar.

Arqueei a sobrancelha com um certo sarcasmo, Dafne percebeu.

- Que foi?

Movi a mão outra vez dizendo simplesmente:

- "Você esquece minha situação não é Dafne?

Eu não posso falar, as pessoas não costumam contratar mudas, aquela boate nojenta foi o único lugar que me aceitou."

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