CAPÍTULO 3
ALINA
"Faça um som e eu vou estourar sua linda cabeça."
Eu congelei, meu corpo inteiro ficou rígido. Não conseguia respirar. Não conseguia pensar. Meu pulso batia tão alto em meus ouvidos que abafava todo o resto—a música da festa lá embaixo, o leve tilintar das taças de champanhe, as risadas abafadas. Tudo desapareceu.
A única coisa que eu podia sentir era o frio do cano da arma contra minha têmpora.
Ele estava perto. Tão perto que eu podia sentir o cheiro de uísque em seu hálito, amargo e forte.
Meus pulmões ardiam, meus lábios tremiam contra o peso esmagador de sua mão, mas eu não podia me mover. Nem mesmo piscar.
Eu não ousava.
Seu aperto se intensificou enquanto ele se inclinava, as linhas duras de seu corpo me pressionando ainda mais contra a parede.
"Eu disse," ele rosnou, a voz ficando mais baixa, mais áspera,
"Faça um som e eu vou pintar essas paredes com você. Entendeu?"
A arma pressionou mais fundo. Eu gemi, um som estrangulado preso na minha garganta, acenando freneticamente sob seu aperto esmagador.
"Bom," ele sussurrou, a voz uma lâmina contra minha pele.
"Assim está melhor."
O cano da arma deslizou da minha têmpora, traçando um caminho lento ao longo da curva da minha bochecha enquanto ele finalmente afrouxava o aperto na minha boca—mas eu permaneci em silêncio, muito apavorada para sequer respirar.
"Não posso acreditar que alguém tão bonito quanto você seja filho daquele porco imundo," ele disse, a voz pingando desdém. "Diga-me seu nome."
Eu não respondi imediatamente. Meu olhar percorreu o quarto, minha mente procurando desesperadamente por qualquer coisa—uma saída, uma tábua de salvação, algo para me libertar.
Ele inclinou a cabeça, um sorriso sinistro brincando no canto dos lábios. "O que é tão cativante, querida, que você está evitando me olhar? Acho que sou um homem bastante atraente. Então, quando eu falo com você, é melhor você me olhar." Sua voz caiu, escurecendo com ameaça.
"Agora, responda minha pergunta."
Pergunta?
Ah, certo—meu nome.
"Alina Santini," eu finalmente digo, surpresa com a firmeza da minha voz apesar de como meu peito se aperta.
Ele não questiona. Ele não pede provas, não hesita, o que me diz uma verdade assustadora: ele já sabe exatamente quem eu sou.
As luzes piscam acima, lançando sombras sobre seu rosto, e por um momento, ainda não consigo distinguir completamente seus traços—apenas o contorno de uma figura, alta e imponente, cada centímetro irradiando perigo. Seus olhos, no entanto, eu os sinto queimando em mim, frios e predatórios, como se pudessem ver através de mim.
"Seu pai me deve muito dinheiro... Alina." Sua voz é suave, quase sedutora, mas carregada de ameaça, cada palavra uma lâmina cuidadosamente afiada.
Pai.
A palavra me dá vontade de rir, amargamente e vazia. Ele nunca foi "Pai" para mim—nem mesmo quando eu era pequena. Ele deixou claro desde cedo que esses termos estavam abaixo dele. Eu só podia chamá-lo pelo nome, como se a palavra "Pai" pudesse manchar sua imagem.
"Agora," ele disse, a voz tão fria quanto o aço contra minha pele, "você vai fazer o que eu mandar."
A arma se moveu, o cano traçando da minha têmpora para baixo, roçando a curva da minha bochecha. Eu estremeci, uma lágrima escapando.
O cano gelado da arma parou logo abaixo da minha clavícula, mas não era a arma que fazia minha pele arrepiar—eram seus olhos. Frios, cinza-tempestade e implacáveis, percorrendo-me como se me descascassem camada por camada, estudando cada respiração superficial, cada pulso trêmulo sob minha pele. Calculando. Esperando.
Seu rosto emergiu das sombras, afiado e implacável, como algo tirado diretamente de um pesadelo. A luz fraca captou os ângulos duros de seu maxilar, a cicatriz discreta cortando logo acima de sua sobrancelha.
Seu cabelo estava mais escuro do que eu lembrava, seus traços mais frios, mais brutais—mas os olhos cinza-tempestade eram os mesmos.
Eu já o tinha visto antes.
Apenas um mês atrás.
Eu havia me escondido atrás da porta do escritório, o coração batendo tão violentamente que abafava a tempestade de vozes do outro lado. A voz do meu pai, afiada de raiva, enchia a sala, ecoando nas paredes de mogno. Mas o homem diante dele—alto, composto, assustadoramente calmo—permanecia imóvel, como se a fúria do meu pai fosse apenas um pequeno incômodo.
Então, sem aviso, ele atacou.
Um único golpe brutal.
O som dos nós dos dedos encontrando a carne foi ensurdecedor, a cabeça do meu pai se jogando para trás enquanto ele desabava contra a mesa com um baque doentio. Sangue manchou sua boca enquanto ele gemia, atordoado, segurando o rosto.
"Alexander—" ele arfou, a voz rouca de dor e descrença.
O homem agarrou meu pai pela gola, puxando-o para cima com uma força sem esforço, seu rosto a centímetros do rosto do meu pai.
"Alexander Dimitri," ele corrigiu, a voz um sussurro mortal, gelo envolvendo cada palavra.
"Quando falar comigo, me chame de Sr. Alexander Dimitri. Entendeu?"
E assim, o nome que eu só havia ouvido em sussurros—o nome falado pelas empregadas quando pensavam que ninguém estava ouvindo, murmurado em tons cortados e temerosos entre os guardas—tinha um rosto.
Alexander Dimitri.
Implacável. Perigoso. Impiedoso.
Eu tinha arfado, o som me traindo.
E então ele se virou.
Seus olhos cinza-tempestade encontraram os meus, perfurando a pequena brecha na porta onde eu estava escondida. Seu olhar não vacilou, não suavizou. Por um instante, ele simplesmente me encarou, a testa franzindo levemente como se estivesse me gravando na memória.
Então, com um torcer cruel dos lábios, ele piscou.
Zombando. Indiferente. Como se a violência que ele havia desencadeado não significasse nada.
Eu não conseguia respirar. Não conseguia pensar.
Virei e corri.
...
Agora, aqueles mesmos olhos impiedosos estavam sobre mim novamente. Mas desta vez, não havia porta para me esconder. Nem sombras para escapar.
Seus lábios se curvaram, o fantasma de um sorriso se formando—frio, afiado e predatório. Não havia calor nele, apenas a promessa de algo mais sombrio. Sua voz seguiu, baixa e suave, uma ameaça revestida de seda que se enrolava ao meu redor como um laço apertando a cada segundo.
"Você vai entregar uma mensagem para mim, pombinha."
Eu congelei.
Pombinha.
A palavra costumava significar conforto, segurança—um apelido carinhoso que minha avó sussurrava quando me colocava na cama à noite. Mas ouvi-la agora? Vinda dele? Parecia envenenada. Corrompida.
A raiva despertou sob o medo.
"Não me chame assim," eu sibilei, minha voz rouca mas desafiadora, a ardência das lágrimas não derramadas fazendo meus olhos queimarem.
Seu sorriso apenas se aprofundou, uma faísca cruel cintilando em seu olhar.
"Ah, é mesmo, Pombinha?" Sua cabeça inclinou enquanto ele me estudava como um gato brincando com um pássaro preso.
"Olha aqui, você—"
"Shhh." Seu dedo pressionou meus lábios, me silenciando com uma falsa ternura enquanto a arma se erguia, traçando um caminho gelado de volta à minha bochecha.
Meu coração batia tão alto que eu tinha certeza de que ele podia ouvir.
"Eu disse... você vai entregar minha mensagem, pombinha," ele sibilou, a voz escura e baixa, como um predador saboreando sua presa.
